* Dom Demétrio Valentini (foto), no site Adital, numa reprodução de conteúdo da Diocese de Jales (SP).* Dom Demétrio Valentini é Bispo Diocesano de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira.
* Dom Demétrio Valentini (foto), no site Adital, numa reprodução de conteúdo da Diocese de Jales (SP).* Dom Demétrio Valentini é Bispo Diocesano de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira.
* Frei Betto, em Adital.
As sucessivas denúncias de pedofilia e abuso sexual cometidos por sacerdotes e acobertados por bispos e cardeais envergonham a Igreja Católica e abalam a fé de inúmeros fiéis.
No caso da Irlanda, onde mais de 2 mil crianças entregues aos cuidados de internatos religiosos foram vítimas da prática criminosa de assédio sexual, o papa Bento XVI divulgou documento em que pede perdão em nome da Igreja, repudia como abominável o que ocorreu e exige indenização às vítimas.
Faltou ao pontífice determinar punições da Igreja aos culpados, ainda que tenha consentido em submetê-los às leis civis. O clamor das vítimas e de suas famílias exige que a Santa Sé aja com rigor: suspensão imediata do ministério sacerdotal, afastamento das atividades pastorais e sujeição às leis civis que punem tais práticas hediondas.
A crescente laicização da sociedade europeia reduz drasticamente o número de fiéis católicos e a freqüência à igreja. O catolicismo europeu, atrelado a uma espiritualidade moralista e a uma teologia acadêmica, afastado do mundo dos pobres e imbuído de um saudosismo ultramontano que o faz ignorar o Concilio Vaticano II, perde sempre mais o entusiasmo evangélico e a ousadia profética.
Dominado por movimentos fundamentalistas que cultivam a fé em Jesus, mas não a fé de Jesus, o catolicismo europeu cheira a heresia ao incensar a papolatria e encarar o mundo não mais como vale de lágrimas e sim como refém de um relativismo que corrói as noções de autoridade, pecado e culpa.
Ao olvidar a dimensão social do pecado, como a injustiça, a opressão, o latifúndio improdutivo ou a apologia da desigualdade, o catolicismo liberal centrou sua pregação na obsessão sexual. Como se Deus tivesse incorrido em erro ao tornar a sexualidade prazerosa.
Como o Espírito Santo se vale de vias transversas para renovar a Igreja, tomara que as denúncias de pedofilia eclesiástica sirvam para pôr fim ao celibato obrigatório do clero diocesano, permitir a ordenação sacerdotal de homens e mulheres casados e ultrapassar o princípio doutrinário, ainda vigente, de que, no matrimônio, as relações sexuais são admissíveis apenas quando visam à procriação.
Ora, tivesse Deus de acordo com tal princípio, não teria feito do gênero humano uma exceção na espécie animal e, portanto, destituiria o homem e a mulher da capacidade de amar e expressar o amor por meio de carícias e incutiria neles o cio próprio dos períodos procriatórios dos bichos, o que os faz se acasalar.
Jesus foi celibatário, mas é uma falácia deduzir que pretendeu impor sua opção aos apóstolos. Tanto que, segundo o evangelho de Marcos, curou a sogra de Pedro (1, 29-31). Ora, se tinha sogra, Pedro tinha mulher. E ainda foi escolhido como primeiro cabeça da Igreja.
Os evangelhos citam as mulheres que integravam o grupo de discípulos de Jesus: Suzana, Joana etc. (Lucas 8, 1-3). E deixam claro que a primeira pessoa a anunciar Jesus como Deus entre nós foi uma apóstola, a samaritana (João 4, 39).
Nos seminários e casas de formação do clero e de religiosos é preciso avaliar se o que se pretende é formar padres ou cristãos, uma casta sacerdotal ou evangelizadores, pessoas submissas ao figurino romano ou homens e mulheres dotados de profunda espiritualidade evangélica, afeitos à vida de oração e comprometidos com os direitos dos pobres.
No tempo de Jesus, as crianças eram desprezadas por sua ignorância e repudiadas pelos mestres espirituais. Jesus agiu na contramão dos preceitos vigentes ao permitir que as crianças dele se aproximassem e ao citá-las como exemplo de fidelidade a Deus. Porém, deixou claro que seria preferível amarrar uma pedra no pescoço e se atirar na água do que escandalizar uma delas (Marcos 9, 42).
As sequelas psíquicas e espirituais daqueles que confiaram em sacerdotes tarados são indeléveis e de alto custo no tratamento terapêutico prolongado. As vítimas fazem muito bem ao exigir indenização. Resta à Igreja punir os culpados e cuidar para que tais aberrações não se repitam.
[Autor de Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros. Transcrito do jornal ‘Estado de Minas’ em 08/04/2010].
* Do Blog do Luis Nassif
A rede BBC esta publicando uma série sobre os fatores de sucesso em programas de educação ao redor do mundo. Esta semana eles focaram a Finlandia, que consistentemente lidera o PISA (exame da OECD para alunos de 15 anos) só ficando em segundo em matemática. Alguns pontos da reportagem:
– A filosofia da Finlandia é de que cada aluno contribue e que ninguem é deixado para trás;
– Uso de um professor adicional para ajudar alunos com problemas em alguma matéria;
– A escola é integrada até o aluno chegar aos 13 anos, com o mesmo professor desde o começo. O professor cresce com os alunos e conhece todos muito bem;
– As crianças começam na escola só aos 7 anos de idade, até la a enfase é brincar;
– Uma cultura muito forte de leitura e envolvimento das familias;
– A carreira de professor é de muito prestigio, muito procurada com padrões de ensino elevado.
Fonte: http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/world_news_america/8601207.stm e Blog do Luis Nassif.
Uma entrevista com Dom Pedro Casaldáliga (Bispo Emérito), disponível no site da Prelazia de São Félix do Araguai/MT, porém sem data de quando foi realizada.
Eduardo Lallana e Charo Garcia de la Rosa de São Félix do Araguaia (MT)
Muitas já foram as entrevistas feitas com dom Pedro Casaldáliga. Umas abordam a sua tomada de postura ante a situação mundial, outras, sua verve ante os problemas e desafios da Igreja. Mas a entrevista a seguir busca uma peculiaridade: alcançar o coração da pessoa, do pastor, do místico, do poeta – duas vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, bispo emérito de São Félix, um dos líderes da teologia da libertação, figura internacional na defesa dos direitos humanos.
Qual seria o lema da sua vida?
Dom Pedro Casaldáliga – Relativizar o que é relativo e absolutizar o que é absoluto.
E para você, o que é absoluto?
Dom Pedro – Tenho um poeminha que diz “que tudo é relativo, menos Deus e a fome”.
Que passagens da Bíblia são as que mais têm influenciado sua vida, as que mais têm guiado sua ação pastoral?
Dom Pedro – “Deus é amor” e “Deus amou o mundo de tal modo que enviou seu Filho não para condenar o mundo, mas para salvá-lo”.
Falemos de seus guias, mestres espirituais, aquelas pessoas que iluminaram seu caminho além desta fonte evangélica.
Dom Pedro – Evidentemente Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Teresa de Lisieux, Charles de Foucault, companheiros de episcopado, aqui na América Latina.
Você é conhecido por sua alma de poeta. Se tivesse que eleger dentro da literatura universal, quais seriam seus poetas preferidos?
Dom Pedro – San Juan de la Cruz, Antonio Machado.
Se tivesse que eleger algum poema?
Dom Pedro – O próprio “Auto-retrato” de Antonio Machado, “A seqüência de Páscoa” e outro poema imortal para mim, o “Canto Espiritual de Joan Maragal”.
Somos humanos, somos feitos de virtudes e defeitos. Qual seu maior defeito?
Dom Pedro – A impaciência.
E a maior virtude?
Dom Pedro – A esperança.
Qual é o grande pecado do mundo de hoje?
Dom Pedro – O capitalismo neoliberal.
E um dos pecados importantes da Igreja santa e pecadora?
Dom Pedro – A falta de capacidade para unir-se às igrejas, absolutizando o que não é absoluto, e não respondendo ao testamento de Jesus, “que todos sejam um”.
Entrando mais em aspectos pessoais de sua vida, qual é o momento mais triste de sua vida?
Dom Pedro – Não saberia dizer em virtude de relativizar o que é relativo, o momento da morte de meu pai, de minha mãe, a morte de líderes, militantes, agentes de pastoral. São momentos tristes, mas como a esperança continua não chega a ser um drama, uma tragédia. Não creio que possa dizer que tenho vivido tristezas maiores. Relativizar porque a esperança continua dando garantia posterior a todos os fracassos, a todas as decepções. Eu digo em algum lugar de um diário meu: “Deus é amor, nós somos amor, traição e medo, mas também esperança”. E essa esperança resolve todas as decepções e todas as tristezas, todos os fracassos.
Por contraste, quais os momentos mais felizes de sua vida?
Dom Pedro – Cada vez que vejo que uma comunidade, um líder que assume sua missão, assume suas causas, cada vez que vejo que há comunidades, pessoas, capazes de solidaridade, arriscando inclusive a própria vida. O testemunho de nossos mártires.
Sabemos que foi perseguido, ameaçado de morte em várias ocasiões. Quando realmente temeu por sua vida?
Dom Pedro – Durante a ditadura militar, houve bastantes momentos. Na ocasião da morte do padre Juan Bosco Penido Burnier: a bala era para mim. Eu tenho o poder de esquecer o mal e quando olho para trás nunca posso dizer que estou olhando para trás com raiva. Não. Esse absoluto que é Deus resolve todos esses problemas e todas as tristezas e decepções.
Falando de decepções, qual foi a maior decepção de sua vida?
Dom Pedro – Maior nenhuma, porque seria uma decepção maior chegar a um túnel sem saída, mas a saída está sempre adiante. Não posso falar de decepções maiores: políticos amigos que falharam, projetos militantes ou pastorais que falharam, mas eu os relativizo.
Quais são os seus três maiores desejos?
Dom Pedro – Que se acabe a fome no mundo, que se acabe a fabricação de armas, a carreira armamentista, que se acabe a guerra sobretudo essa guerra religiosa ou respaldada por religiões.
E as três maiores preocupações?
Dom Pedro – Que as igrejas não se unam, que não sejamos capazes de administrar este mundo que daria para todos e tenhamos que seguir vivendo em meio a uma humanidade em que dois terços não têm o direito de viver. E no cotidiano, os erros, sobretudo os nossos e dos agentes de pastoral.
Olhando para trás, qual seu maior erro?
Dom Pedro – Não ter sido compreensivo o bastante em muitas ocasiões.
Do que se arrepende?
Dom Pedro – De muitas coisas. De tudo um pouco. Podia ter feito melhor, com mais esperança, com mais simplicidade, com maior generosidade. Eu recordo sempre a frase daquele santo que dizia que quando se apresentasse diante de Deus lhe pediria: “esqueça-se das minhas boas obras, vamos falar somente dos meus fracassos, dos meus pecados, que isso sabes resolver muito bem”.
Uma de suas características mais destacadas tem sido a relação com os povos indígenas. O que tem aprendido nesta experiência com eles?
Dom Pedro – A convivência com a natureza, um certo sentido de comunidade, relativizar também muitas coisas que nossa civilização considera como absolutas.
Poderia recordar quando, como e se houve algum momento especial no qual fez essa opção pelos pobres que tem guiado e marcado sua existência?
Dom Pedro – Em minha infância ouvi muitas vezes de meu pai e minha mãe: “Nós somos pobres”. Já firmado na infância, pouco depois com contatos, com análises, convivências religiosas passei a sentir que a opção pelos pobres tem que ser a opção fundamental da Igreja. Uma opção que defina a Igreja recordando aquela frase de Van-der Meerch: “A verdade, Pilatos, é estar do lado dos pobres”. Para a Igreja também.
Quais são, para você, os três grandes desafios para a Igreja do terceiro milênio?
Dom Pedro – O ecumenismo e o macroecumenismo. A pobreza estrutural de suas instituições. A profecia contra sistemas, estruturas que matam, que excluem, que proíbem. Então seria, a união das próprias igrejas, a profecia diária, uma profecia que denuncia, anuncia e consola.
Se fosse nomeado papa, quais seriam as três primeiras decisiões mais importantes que tomaria?
Dom Pedro – Estamos brincando, não? A primeira seria suprimir o Estado Pontifício e que o papa deixasse de ser chefe de Estado. A segunda, suspender a Cúria Romana e, a terceira, convocar um encontro chamado Concílio verdadeiramente ecumênico, para refazer totalmente a Cúria Romana, para redefinir o ministério de Pedro e para propor com seriedade a integração dos diferentes povos e a relativização do que é relativo, que pode ser o próprio celibato sacerdotal.
Chama atenção em sua vida o fato de que sendo bispo não tenha empregado os símbolos do poder episcopal. Qual é a motivação última e profunda, de que nunca tenha usado a mitra e o cajado? Qual é a raiz dessas suas decisões?
Dom Pedro – Com todo respeito aos irmãos que os usam, creio que não são símbolos nem gestos evangélicos. Estão vinculados a um status e seria o mais lógico prescindir de escudo, prescindir de mitra, de cajado, e celebrar as eucaristias com simplicidade. Não creio que essas simbologias façam nenhum bem à Igreja.
Para você, qual é a virtude humana que mais valoriza?
Dom Pedro – A coerência.
E a virtude evangélica?
Dom Pedro – A esperança.
Como gostaria de ser recordado?
Dom Pedro – Como alguém que crê que Deus salva todos e tudo.
Para você, ser um homem ou uma mulher espiritual é…?
Dom Pedro – Viver em profundidade, assumir opções dignas de uma vida humana. Ser coerente, abrir-se às necessidades do próximo. Celebrar a vida.
Agora vou lhe dizer algumas palavras soltas e lhe pediria que respondesse com o fogo de sua mente e de seu coração. Algunas relativas à geografia. África?
Dom Pedro – A maior dívida da humanidade.
América Latina?
Dom Pedro – Minha segunda pátria.
Cataluña?
Dom Pedro – A família, a língua, a paisagem.
Brasil?
Dom Pedro – Uma casa de última hora e definitiva.
Araguaia?
Dom Pedro – Nosso rio.
Soria?
Dom Pedro – Antonio Machado, “Tierra Sin Males”, solidariedade.
Injustiça?
Dom Pedro – A negação do amor.
O chamado “terceiro mundo”?
Dom Pedro – Um escândalo na história humana. Porque “terceiro mundo” por definição significa um mundo proibido, marginalizado, explorado, inferior.
“Primeiro mundo”?
Dom Pedro – A prepotência, o lucro, o egoísmo, o consumismo, o imperialismo.
Liberdade?
Dom Pedro – A possibilidade de vencer o medo, a possibilidade de ser o que se é, a possibilidade de ajudar todos que vivem sem liberdade.
Movimento dos Sem Terra?
Dom Pedro – Hoje em dia, o maior movimento popular social da América Latina.
Latifúndio?
Dom Pedro – Uma ineqüidade, o abuso da terra de todos, o egoísmo estrutural no campo.
Globalização?
Dom Pedro – A transformação da humanidade em mercado.
Solidaridade?
Dom Pedro – Como disse a poeta nicaragüense: “a ternura dos povos”. A caridade estruturada de povo para povo.
Guerra?
Dom Pedro – A negação da vida.
Bem. Agora, também com algumas palavras, sugiro que evoque seu pensamento, seu sentimento sobre alguns personagens. Lula?
Dom Pedro – Uma experiência, operária, política, importante para a América Latina. Uma certa decepção, quiçá porque exigimos o que no momento não se pode exigir, mas em todo caso, na história do Brasil, na história da América Latina, haverá sido um passo político importante.
Bush?
Dom Pedro – Uma epidemia mundial.
Fidel Castro?
Dom Pedro – Um grande estadista, um pai da pátria latino-americana, mas ao mesmo tempo, autoritário, imperialista, que talvez não tenha sabido abrir os espaços que deveria ter aberto para democratizar mais as conquistas de saúde, de educação que Cuba fez, que seria um testemunho mais acessível aos outros povos.
Evo Morales?
Dom Pedro – Uma vitória dos povos indígenas depois de 500 anos de proibição, de exclusão.
E para terminar, o que lhe dizem estas palavras? Vida Eterna?
Dom Pedro – A convivência plena com Deus vivo, e com todos os filhos e filhas de Deus.
Vida Plena?
Dom Pedro – A partir da palavra de Jesus: “que todos tenham vida e a tenham em abundância”, vida plena, aqui do lado de cá da morte, sempre é uma vida relativa, mas em esperança: vamos à vida eterna plena.
E a última pergunta; o que tem dado sentido a sua vida?
Dom Pedro – A Boa Nova do Evangelho.
DEUS PODE ESTAR TENTANDO DIZER QUE É HORA DE A IGREJA ABOLIR O CELIBATO IMPOSTO POR LEI.
* Leonardo Boff, para o Jornal O Estado de São Paulo, disponível em Estadão On Line.
O levantamento dos padres pedófilos em quase todos os países da cristandade católica está ainda em curso, revelando a extensão desse crime que tantos prejuízos tem provocado em suas vítimas. É pouco dizer que a pedofilia envergonha a Igreja. É pior. Ela representa uma dívida impagável com aqueles menores que foram abusados sob a capa da credibilidade e da confiança que a função de padre encarna. A tese central do papa Ratzinger que cansei de ouvir em suas conferências e aulas vai por água abaixo. Para ele, o importante não é que a Igreja seja numerosa. Basta que seja um “pequeno rebanho”, constituído de pessoas altamente espiritualizadas. Ela é um pequeno “mundo reconciliado” que representa os outros e toda a humanidade. Ocorre que dentro desse pequeno rebanho há pecadores criminosos e é tudo menos um “mundo reconciliado”. Ela tem que humildemente acolher o que dizia a tradição: a Igreja é santa e pecadora e é uma “casta meretriz”. Não é suficiente ser Igreja. Ela tem que trilhar, como todos, pelo caminho do bem e integrar as pulsões da sexualidade que já possui 1 bilhão de anos de memória biológica para que seja expressão de enternecimento e de amor e não de obsessão e de violência contra menores.
O escândalo da pedofilia se constitui num sinal dos tempos atuais. Do Vaticano II (1962-1965) aprendemos que cumpre identificar nos sinais uma interpelação que Deus nos quer transmitir. Vejo que a interpelação vai nesta linha: está na hora de a Igreja romano-católica fazer o que todas as demais Igrejas fizeram: abolir o celibato imposto por lei eclesiástica e liberá-lo para aqueles que veem sentido nele e conseguem vivê-lo com jovialidade e leveza de espírito. Mas essa lição não está sendo tirada pelas autoridades romanas. Ao contrário, apesar dos escândalos, reafirmam o celibato com mais vigor.
Sabemos como é insuficiente a educação para a integração da sexualidade no processo de formação dos padres. Ela é feita longe do contato normal com as mulheres, o que produz certa atrofia na construção da identidade. As ciências da psique nos deixaram claro: o homem só amadurece sob o olhar da mulher e a mulher sob o olhar do homem. Homem e mulher são recíprocos e complementares. O sexo genético-celular mostrou que a diferença entre homem e mulher, em termos de cromossomos, se reduz a apenas um cromossomo. A mulher possui dois cromossomos XX e o homem, um cromossomo X e outro Y. Donde se depreende que o sexo-base é o feminino (XX), sendo o masculino (XY) uma diferenciação dele. Não há, pois, um sexo absoluto, mas apenas um dominante. Em cada ser humano, homem e mulher, existe “um segundo sexo”. Na integração do animus e da anima, vale dizer, das dimensões de feminino e de masculino presentes em cada um, se gesta a maturidade sexual.
Essa integração vem sendo dificultada pela ausência de uma das partes, a mulher, que é substituída pela imaginação e pelos fantasmas que, se não forem submetidos à disciplina, podem gerar distorções. O que se ensinava nos seminários não é sem sabedoria: quem controla a imaginação, controla a sexualidade. Em grande parte, assim é. Mas a sexualidade possui um vigor vulcânico. Paul Ricoeur, que muito refletiu filosoficamente sobre a teoria psicanalítica de Freud, reconhece que a sexualidade escapa ao controle da razão, das normas morais e das leis. Ela vive entre a lei do dia, em que valem as regras e os comportamentos estatuídos, e a lei da noite, em que funciona a pulsão, a força da vitalidade espontânea. Só um projeto ético e humanístico de vida (o que queremos ser) pode dar direção a essa dialética e transformá-la em força de humanização e de relações fecundas.
Nesse processo o celibato não é excluído. Ele é uma das opções possíveis que eu defendo. Mas o celibato não pode nascer de uma carência de amor, ao contrário: deve resultar de uma superabundância de amor a Deus que transborda para os que estão a sua volta.
Por que a Igreja romano-católica não dá um passo e abole a lei do celibato? Porque é contraditório com a sua estrutura. Ela é uma instituição total, autoritária, patriarcal e altamente hierarquizada. Ela abarca a pessoa do nascimento à morte. O poder conferido ao papa, para uma consciência cidadã mínima, é simplesmente tirânico. O cânon 331 é claro. Trata-se de um poder “ordinário, supremo, pleno, imediato e universal”. Se riscarmos a palavra papa e colocarmos Deus, funciona perfeitamente. Por isso se dizia: “O papa é o deus menor na terra”. Uma Igreja que coloca o poder em seu centro fecha as portas e as janelas para o amor, a ternura e o sentido da compaixão. O celibatário é funcional para esse tipo de Igreja.
O celibato implica cooptar o sacerdote totalmente a serviço, não da humanidade, mas desse tipo de Igreja. Ele só deverá amar a Igreja. Enquanto essa lógica perdurar, não esperemos que a lei do celibato seja abolida. Ele é muito cômoda para ela.
Mas como fica o sonho de Jesus de uma comunidade fraterna e igualitária? Bem, isso é um outro problema, talvez o principal.
* Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor emérito de ética da UERJ.
Por Erisson, no Blog do Luis Nassif
Eu já tinha comendado isso antes, mas passou em branco. Reproduzo aqui minha colocação:
A 1ª Conferência Nacional da Educação ( CONAE ) acabou de terminar e entre pontos polêmicos, aprovou as seguintes decisões:
– Cotas Raciais para ingresso nas Universidades Públicas
-Inclusão de temática LGBT nos livros didáticos
– Eleição Direta para Diretores nas escolas
O destaque negativo desta CONAE fica pela pífia cobertura do evento, tanto pela imprensalona, quanto pelos blogs alternativos. Exceto algumas notas neste blog, nenhum veículo alternativo dedicou maior atenção ao evento.
No Viomundo, apenas um artigo sobre o SUS da educação no dia 31;
No Escrivinhador, nenhum artigo.
No Carta Maior, nenhuma menção.
No Conversa Afiada, nenhuma nota.
Creio que hoje ou amanhã, com o fim do evento e a participação do presidente Lula hoje, as atenções da grande mídia, e por conseguinte, da mídia alternativa, devem se voltar para o tema, seja por conta das eleições antecipadas, seja por conta de aspectos polêmicos votadas nesta conferência.
De minha parte, vou aguardar a divulgação do documento final aprovado.
Saiba mais sobre este filme brasileiro que será lançado em maio clicando aqui ou vendo o trailer abaixo:
O presidente Lula anunciou que vai pessoalmente conversar com os governadores que não pagam o Piso Salarial Nacional dos profissionais de educação. Foi durante a Conferência Nacional de Educação(Conae). Numa defesa contundente de reivindicações históricas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Lula afirmou que “o casamento entre educação de qualidade e valorização do professor têm que ser indissolúvel”.
O presidente lamentou que alguns estados ainda não paguem o Piso e se dispôs a falar com os governadores, atendendo a uma sugestão feita pelo ministro da educação, Fernando Haddad, também durante a Conae.
“Terminou o tempo de tratar as professoras como normalistas ou professorinhas. Esse sonho acabou. Os professores tiveram a profissão sucateada e mal tratada. A remuneração faz parte da qualidade da educação e eu não me conformo que um Piso de R$ 1,020,00 é bom para um educador que toma conta de nossos filhos”, lamentou o presidente.
O ministro Haddad sugeriu ao presidente que adote em relação ao Piso a mesma postura que teve com o salário mínimo e “reúna governadores, prefeitos e entidades como a CNTE para fixar metas para recompor a remuneração dos educadores”, disse Haddad.
Para o presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, o fato de o presidente Lula ter se comprometido em conversar com os governadores demonstra a importância que o Piso tem. “O presidente reconheceu que os professores ganham mal. Ele se dispôs a construir um processo de debate e esse é um peso muito importante e eu espero que a gente consiga avançar na implantação efetiva do Piso”, afirmou.
Leão destacou que ainda há uma divergência entre os valores que o governo reconhece para o Piso (R$ 1,020,00) e o defendido pela CNTE (R$1,3 mil). “Mas isso faz parte do debate. Só não aceitamos desvincular o Piso do Fundeb. Mas a CNTE tem sempre disposição em discutir”, disse.
O ministro Haddad lamentou que a baixa remuneração dos professores esteja afastando os jovens da carreira de magistério. “Se quisermos que a educação seja prioridade número um no país, temos que contar com o trabalhador em educação”, concluiu Haddad.
Clique aqui para ouvir o programa da CNTE.
Fonte: Blog do Alberto Bouchardet, de Monte Azul (MG). Foto: Presidente Lula e Ministro da Educação Fernando Haddad.
* Do site do Jornal Folha Regional.
TAIOBEIRAS – O Major PM Edvar Souza Santos assumiu o comando da 2º Companhia Independente de Polícia Militar, sediada nesta cidade, com a missão de diminuir os índices de criminalidade, que vem crescendo constantemente em toda a microrregião Alto Rio Pardo. A passagem de comando foi feita pelo Comandante da 11ª região da Polícia Militar, Coronel PM Franklin de Paula Silveira, oportunidade em que o Jornal Folha Regional, sem rodeios, questionou as autoridades responsáveis sobre o preocupante aumento da criminalidade.
O primeiro a ser questionado foi o Coronel Franklin de Paula, principalmente sobre os assaltos à mão armada que vem acontecendo contra as joalherias da região. “Temos uma estratégia para combater este tipo de crime. E agora, com o comando do Major Edvar, com certeza vamos produzir resultados na prevenção e na repressão”, garantiu o Coronel para a nossa reportagem, que pediu ajuda da comunidade e da Imprensa, com críticas construtivas.
Perguntamos ao Coronel se a Companhia de Taiobeiras terá Corpo de Bombeiros, e ele disse que isso depende de mobilização política e de cobranças por parte da Imprensa. “Januária e Janaúba já tem Bombeiros. Para Taiobeiras ter, a mobilização política é fundamental. As autoridades precisam reivindicar e mostrar a demanda”, explicou.
O Coronel também foi questionado sobre a situação caótica da Segurança Pública em São João do Paraíso, que divide fronteira com o estado da Bahia e ainda sobrevive um com modesto Destacamento Policial. “Realmente São João do Paraíso está num ponto sensível e precisa de uma análise mais profunda. Nós vamos traçar ações para solucionar o problema”, prometeu o Coronel.
Novo Major – Em entrevista a nossa reportagem, o Major Edvar promete desenvolver um trabalho diferente do que estava sendo feito. “Vamos inserir a comunidade no trabalho da Polícia. Queremos uma participação social. A partir de agora, o cidadão terá uma polícia que conversa, que aborda, que confere e que está próxima”, garantiu o Major.
Quanto aos crimes violentos, o novo Major foi enfático. “Temos várias estratégias para combater este tipo de crime. Mas primeiro precisamos diagnosticar as verdadeiras causas do crime, pois sem o diagnóstico não há como combatermos ou prevenirmos. Pode ter a certeza de que vamos atuar nas verdadeiras causas da criminalidade”, garantiu o Major.
Foto: Alex Video.
É um caminho bem terreno, na realidade do meu povo, sem perder a dimensão da luz pascal que emana do coração daquele que deu a vida pelas mulheres e pelos homens.
Do Yahoo Notícias, em 31/03/2010.
Aparentemente inofensivas, pulseiras coloridas, chamadas pelos adolescentes de “pulseiras do sexo”, “pulseiras da malhação” ou “pulseira da amizade”, levaram uma menina de 13 anos a ser estuprada e abusada sexualmente por quatro pessoas em Londrina, no norte do Paraná. Um dos agressores tem 18 anos e os outros são menores. Em razão da gravidade do caso, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Ademir Ribeiro Richter, proibiu hoje a venda das pulseiras na cidade. A Câmara Municipal também discute a proibição.
As pulseiras finas de silicone começaram a ter conotação sexual na Inglaterra, com cada cor representando uma atitude, que vai desde um abraço até a prática de sexo. O comando para que o parceiro realize a ação é feito quando um arrebenta a pulseira do outro. De acordo com o delegado da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, William Douglas Soares, o comando foi dado por volta do meio-dia do dia 15, no terminal central de transporte coletivo de Londrina.
A vítima e três dos autores tinham se conhecido no dia 14 no mesmo lugar, quando ela saíra da escola e esperava o ônibus para retornar para casa. No dia seguinte, um dos homens chegou até a adolescente e arrebentou a pulseira preta, que convencionalmente representaria o sexo. “Ficou muito claro que a motivação foi o uso da pulseira, porque eles não tinham laço de amizade”, afirmou o delegado. “Ela disse que, depois que arrebentou, eles pressionaram que ela teria que fazer e ela se sentiu constrangida e os acompanhou até a casa de um deles.”
A família da menina procurou a Delegacia do Adolescente somente no dia 23 relatando o fato. A adolescente foi entregue ao Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) para que tenha acompanhamento psicológico. Para o rapaz de 18 anos, a legislação prevê, em caso de condenação, pena de 8 a 15 anos, enquanto os menores poderão ser encaminhados para medidas socioeducativas ou para internação.
Por Miriam, no Blog do Luis Nassif
Chomsky diz que o barbarismo do nosso tempo começou com o golpe de 1964 no Brasil ( que hoje completa 46 anos).
Ao receber o prêmio Erich Fromm 2010, no último dia 23 de março, em Stuttgart, na Alemanha, Noam Chomsky procedeu à leitura de seu discurso “The evil scourge of terrorism”: Reality, construction, remedy” (O perverso flagelo do terrorismo: Realidade, construção e remédio).
Em vigorosa explanação, ele detalha o mecanismo do terrorismo atual, a partir e após o governo Reagan, vasculhando também nos governos Eisenhower e Kennedy.
Os golpes, invasões, as mazelas da CIa e inteligência militar usadas contra Cuba, Nicarágua, El Salvador, Líbia, Irã, Afeganistão,Teologia da Libertação, Argentina, Chile, Brasil, são expostos como partes da estratégia e campanha dos governos norte americanos de deter a conscientização dos povos para a libertação do seu domínio. Campanha esta que teria terminado somente alguns dias depois da queda do muro de Berlim, em 1989, com o assassinato de jesuítas em El Salvador.
Aqui tradução livre de alguns trechos que nos tocam diretamente:
O assassínio dos padres jesuítas foi um duro golpe para a teologia da libertação, o notável reviver do Cristianismo iniciado pelo Papa João XXIII, no Vaticano II, que ele iniciou em 1962, no evento que “introduziu uma nova era na história da Igreja Católica”, nas palavras do renomado teólogo e historiador do cristianismo Hans King. Inspirado pelo Vaticano II, os Bispos da América Latina adotaram “a opção preferencial pelos pobres”, reavivando o pacifismo radical dos Evangelhos que tinham sido eliminados quando o Imperador Constantino estabeleceu o cristianismo como a religião do Império Romano – “a revolução” que converteu “a igreja perseguida” para uma “igreja perseguida”, nas palavras do Rei. No pós-Vaticano II, atentos para reviver o Cristianismo do período pré-Constantino, padres, freiras e leigos levaram a mensagem dos Evangelhos para os pobres e os perseguidos, trouxeram-nos juntos em “bases comunitárias” e os encorajaram a levar seus destinos com suas próprias mãos e trabalharem juntos para acabar a miséria da sobrevivência em brutais domínios de poder dos Estados Unidos.
A reação para essa grave heresia, não estava longe de vir. A primeira desculpa foi o golpe militar no Brasil em 1964, derrubando um governo algo democrático social e instituindo um regime de tortura e violência. A campanha terminou com o assassínio dos jesuítas intelectuais 20 anos atrás. Tem havido muito debate sobre quem merece crédito pela queda do muro de Berlim, mas não há nenhum sobre a responsabilidade pela brutal demolição da tentativa para reviver a igreja dos Evangelhos. A Escola de Washington das Américas, famosa por seu treinamento de matadores latino americanos, orgulhosamente anunciou uma vez, entre os seus itens listados, que a teologia da libertação foi derrotada com a assistência da armada dos Estados Unidos — dado uma mão, sem dúvida ao Vaticano, usando os mais gentis meios de expulsão e supressão.
Como recordam, o último novembro foi dedicado à celebração do 20º aniversário da liberação do leste da Europa da tirania russa, uma vitória das forças do “amor, tolerância,não violência, o espírito humano e perdão”, como Vaclav Havel declarou.Menos atenção – de fato, virtualmente zero – foi devotada para o brutal assassinato de seus contrapartes salvadorenhos, poucos dias depois que o muro de Berlim caiu. E eu duvido que alguém poderia mesmo achar uma alusão para o que aquele brutal assassinato significou: o fim de uma década de terror vicioso na América Central e o triunfo final do “retorno ao barbarismo do nosso tempo”, que se iniciou com o golpe brasileiro de 1964, deixando muitos mártires religiosos em sua vigília e terminando a heresia iniciada no Vaticano II – não exatamente uma era de “amor, tolerância, não violencia, o espírito humanitários e perdão.”
Está acontecendo esta semana, até a quinta-feira, 1º de abril, em Brasília/DF, a CONAE (Conferência Nacional de Educação), oportunidade em que a sociedade está discutindo com o Governo Federal os rumos da Educação no Brasil.
Não custa nada lembrar que eu cobrei insistentemente da Secretaria de Educação de Taiobeiras, no meu antigo blog, sobre a realização da etapa municipal que levantaria as propostas taiobeirenses e escolheria os delegados para a CONAE. Nenhuma resposta foi dada. Ninguém foi convocado. Se houve tal encontro foi entre quatro paredes bem restritas, de modo que a comunidade escolar nem soube, muito menos participou. Um “exemplo” de democracia!
Veja algumas das discussões da CONAE conforme matéria postada no blog do Luis Nassif. Acho que todos(as) os(as) professores(as), pais e alunos(as) deveriam estar ligados. Disto depende o futuro da educação no país.
Levon
A avaliação na educação
Do UOL
Rankings de escolas pelo Enem ou pelo Ideb prejudicam a educação, diz especialista
Simone Harnik
Em Brasília
Atualizado às 10h46
A divulgação dos rankings do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) costumam causar polêmica dentro das escolas. Há sempre alguma instituição que se sente injustiçada pelo resultado. Crítico desse sistema, o professor Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), defende um novo modelo de avaliação.
“Repassar a responsabilidade para a escola por um mau desempenho, como se fosse culpa do professor, não dá”, disse ele, nesta segunda-feira (29), durante a Conae (Conferência Nacional de Educação), realizada em Brasília. A reunião definirá as diretrizes para um sistema de educação único para todo o país – e debate, entre outros aspectos, a avaliação.
Você é favor ou a contra a divulgação de rankings da educação? Opine
Segundo Freitas, o país precisa de um novo modelo de indicador que leve em conta os conhecimentos do estudante na hora em que ele ingressa na rede de ensino. Ou seja, um índice que possa medir quanto o estudante aprendeu. Ele também afirma que os rankings são prejudiciais para a educação e que podem, até mesmo, afetar o desempenho futuro de uma instituição de ensino. Veja a entrevista:
UOL Educação – Por que os rankings de índices são prejudiciais para a educação?
Luiz Carlos de Freitas – Porque, estatisticamente, eles não se sustentam. Quando se faz o ranking de mil escolas, por exemplo, as flutuações da média das escolas se superpõem. Estas flutuações se chamam, tecnicamente, desvio padrão. E, portanto, se uma média pode flutuar para mais ou para menos, como é que eu digo que uma escola que teve um pouquinho menos de média, mas está na mesma zona de flutuação, é inferior à outra. Por isso, o mundo inteiro abandonou a ideia de ranking.
UOL Educação – E a posição no ranking pode afetar a autoestima de uma escola?
Freitas – Lógico. Imagine uma escola cuja equipe pedagógica compromissada se debruçou o ano inteiro para formar melhor os seus alunos e, de repente, vem um ranqueamento que a coloca como inadequada. Mas o ranking não mostra como os alunos chegaram no primeiro dia de aula.
UOL Educação – E que tipo de índice pode ser confiável para avaliar uma escola?
Freitas – Se não tenho a medida de chegada do aluno, como sei se a escola é boa ou má? Não tenho como saber isso. Mas existem medidas de valor agregado, que mostram o desempenho na entrada e no final de ciclo. O valor agregado é melhor do que as médias medidas ao final de quatro anos, porque toma como base como o aluno chegou. As outras medidas tomam só o final.
UOL Educação – O governo Lula avançou no quesito avaliação?
Freitas – Os oito anos de governo mantiveram a mesma estrutura de avaliação do governo Fernando Henrique Cardoso. Pelo menos, o governo não avançou para outras medidas piores, mas isso não é suficiente. O governo Lula é um governo “rolha”, porque ele impediu, na área da avaliação, que o modelo Fernando Henrique progredisse. Ele congelou. Mas era preciso mais do que isso.
UOL Educação – O que o senhor espera, no quesito avaliação, para o país?
Freitas – Uma reorientação do modelo de avaliação que hoje é a base do sistema nacional de educação. Espera-se uma mudança no modelo. Não sou contra a avaliação, mas temos de ter um modelo que seja a cara do governo Lula.
UOL Educação – E como seria essa cara?
Freitas – A avaliação tem de valorizar e envolver os atores da escola no processo local. Isso não significa deixar de fazer avaliações nacionais, mas vamos dar novo significado a este processo. As escolas precisam consumir os dados da avaliação – o que hoje não acontece. Esses dados têm de ter uma utilidade. Hoje, as escolas recebem relatórios técnicos, difíceis de serem digeridos e não há instrumentos de mediação entre as avaliações e a sala de aula. Precisaria haver uma avaliação institucional participativa, conduzida pela escola. Repassar a responsabilidade para a escola por um mau desempenho, como se fosse culpa do professor, não dá. É preciso indagar qual era a responsabilidade da política pública e da equipe da escola. As duas têm de ser pesadas.
Foto: Alunos da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, de Taiobeiras/MG
Professores da rede estadual de São Paulo estão em greve por melhores salários e condições de trabalho, onde o governo é do PSDB, sob o comando de José Serra, provável candidato a Presidente da República.