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  • Carta de Leonardo Boff ao PT

    PT: Qual a Grande Transformação?

    * Leonardo Boff

    Não sou membro do PT; mas, um cidadão que se interessa pelos destinos do nosso país, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.

    A campanha eleitoral se iniciará oficialmente dentro de pouco. Há o grande risco de que predomine um espírito menor, diria quase infantil, de uma campanha plebiscitária entre os feitos do governo de FHC e daquele de Lula. Seria a disputa tola entre o ontem e o anteontem ou entre o atrasado e o velho, como preferem alguns ecologistas. Pois ambos os contendores, na relação desenvolvimento e natureza, manejam o mesmo paradigma, sob severa crítica mundial, por conter o veneno que nos pode matar. Isso só serviria para distrair os eleitores dos verdadeiros problemas que o Brasil e o mundo irão enfrentar.

    Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade e da importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar voltada para o passado a ser continuado mas, sim, para o futuro a ser construído coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil para o nosso povo e em sua relação para com a nascente sociedade mundial? Que contribuição essencial podemos dar face aos cenários dramáticos que se desenham no horizonte?

    Permito-me apresentar três sugestões para animar a discussão interna do PT. O lema do encontro nacional – A Grande Transformação – nos remete Karl Polanyi com o clássico livro do mesmo título (1944) no qual mostra como a sociedade virou uma sociedade de mercado, transformando tudo em mercadoria. Não será essa a Grande Transformação pensada pelo PT. Para que seja outra coisa, o partido deve assumir seriamente este fato irrecusável: A Terra mudou porque já estamos dentro do aquecimento global. A roda não pode mais ser parada, apenas diminuir-lhe a velocidade. Se o termômetro da Terra subir para mais de dois graus Celsius, nos próximos decênios, como previstos pelos melhores centros de pesquisa, enfrentaremos no Brasil e no mundo a tribulação da desolação. Muitos projetos já concluídos do PAC poderão ser anulados. Não incluir em todos os planejamentos este dado é mostrar falta de inteligência prática e irresponsabilidade histórica. Do contrário teremos que aceitar a maldição de nossos filhos e filhas e de nossos netos e netas.

    Outro dado não menos perturbador é: a insustentabilidade do sistema-Terra. A partir de 23 de setembro de 2008 ficamos sabendo que o planeta Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de repor os bens e serviços necessários para a vida. Estamos consumindo hoje o que precisaremos amanhã. Se quisermos universalizar o nível de consumo das classes médias mundiais, incluídos os oitenta milhões de brasileiros, precisaríamos já agora de três Terras iguais a esta. Este modelo de crescimento, como parece subjacente ao PAC, mostra a sua inviabilidade a médio e a largo prazo. Não é que deixemos de produzir. Devemos produzir; mas, dentro de outro paradigma menos depredador do sistema-Terra, com um acordo de respeito à suportabilidade de cada ecossistema e com uma ampla inclusão social, imbuídos todos de uma ética do cuidado, da responsabilidade universal e da busca do bem viver para todos.

    Por fim, o PT precisa conscientizar o fato de que o Brasil é, seguramente, o país-chave para o equilíbrio do Planeta. Ele é a potência das águas, o detentor das maiores florestas, as grandes sequestradoras de dióxido de carbono e reguladoras dos climas, com imensa biodiversidade e vastas terras agricultáveis, podendo ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro, com capacidade incomparável de gerar energias alternativas e com um povo altamente criativo, que fez um ensaio civilizatório dos mais significativos, não imperialista, e com uma visão encantada do mundo que lhe permite, no meio das contradições, celebrar suas festas, torcer por seus times e dançar seus carnavais, características essas decisivas para conferir um rosto humano à mundialização em curso.

    O futuro passa por nós. Não percebê-lo por ignorância ou distração é não escutar os apelos da Mãe Terra e é defraudar seus filhos e filhas, nossos irmãos e irmãs que apenas pedem singelamente viver com decência.

    * Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor. Este artigo foi coletado no site da Agência Adital. Pressione aqui para ir à fonte.

  • Sete igrejas cristãs abrem Campanha da Fraternidade deste ano

    * Da Arquidiocese de Montes Claros/MG

    Organizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a Campanha da Fraternidade deste ano é ecumênica e convoca brasileiros a debater “Economia e Vida”. “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”. Este é o objetivo da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2010 que será aberta em todo o Brasil na Quarta-Feira de Cinzas, de 17 de fevereiro.

    A abertura nacional será em Brasília, Distrito Federal, com coletiva de imprensa convocada pelo Conic. A coletiva será às 14h, na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana da capital federal, na Quadra 406 Sul. À noite, os presidentes das cinco Igrejas membros do Conic presidirão uma celebração ecumênica no Santuário Dom Bosco, em Brasília (DF), com a presença de fieis de todas as Igrejas cristãs. A celebração será às 19h e 30min. Criada pela Igreja Católica em 1964, é a terceira vez que acontece uma CFE – a primeira foi organizada em 2000 e a segunda em 2005.

    Neste ano, as Igrejas do Conic propõem uma reflexão sobre o sistema econômico vigente no país, inspirada no versículo bíblico “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). Para divulgar a Campanha foram produzidos cartazes, folders, DVDs, além de um livro de 80 páginas, conhecido como Texto-Base, carro-chefe de todos os materiais confeccionados durante as Campanhas da Fraternidade. Ele traz todo o conteúdo que deverá ser refletido nas comunidades das Igrejas membros do Conic.

    Sistema econômico

    O Texto-Base faz uma análise da economia do país e insiste que ela deve estar a serviço da vida. “A economia não é uma estrutura autônoma. Ela faz parte das prioridades políticas. As políticas econômicas e as instituições devem ser julgadas pela maneira delas protegerem ou minarem a vida e a dignidade da pessoa humana, sustentarem ou não as famílias e servirem ao bem comum de toda a sociedade”, diz o Texto em seu Parágrafo 26.

    O Texto sugere também ações concretas a serem assumidas pelas comunidades como, por exemplo, a educação para a solidariedade e uma economia solidária com compromisso social. A Campanha da Fraternidade é realizada durante toda a Quaresma e, no Domingo de Ramos, 28 de março, será feita a Coleta da Solidariedade como gesto concreto da Campanha. Os valores arrecadados serão aplicados em projetos que visem a superação da exclusão social e econômica no país.

    Serviço: Coletiva de Imprensa – Abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, Data: Quarta-Feira de Cinzas – 17 de fevereiro, Horário: 14h. Local: Templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Endereço: EQS 405/6 Sul, em Brasília (DF) – dentro da quadra residencial em frente ao Bloco G da 406/Sul

    Presenças: 1. Pastor Sinodal Carlos Augusto Möller – Presidente do Conic – IECLB, 2. Reverendo Luiz Alberto Barbosa – Secretário-Geral do Conic – IEAB, 3. Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG), Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e primeiro vice-presidente do Conic, 4. Dom Maurício de Andrade – Bispo Primaz da IEAB e Diocesano de Brasília (DF), 5. Pastor Walter Altmann – Presidente da IECLB e Moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), 6. Padre Joanilson Pires do Carmo – Representante do Delegado do Patriarcado de Antioquia da Igreja Sirian Ortodoxa e 7. Reverendo Nilson Emerick – Vice-Moderador da Igreja Presbiteriana Unida

    Outras Informações: (61) 3321-4034, (61) 2103-8368 e (61) 8119-3762. Sites Relacionados: http://www.cnbb.org.br/, http://www.conic.org.br/.

    * Fonte: Site da Arquidiocese de Montes Claros/MG.

  • Posse no PT de Taiobeiras

    Ocorreu neste domingo, 14 de fevereiro de 2010, a posse da nova direção municipal do PT de Taiobeiras, eleita em novembro de 2009. O presidente municipal reeleito é Nilson José de Oliveira. Na oportunidade também foram celebrados os 30 anos de fundação do partido.

    A cerimônia de posse se deu numa reunião realizada em espaço cedido pela Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, no Centro Comunitário do Bairro Santo Cruzeiro. Os filiados também assistiram a uma exibição do filme “Lula: o filho do Brasil”.

    Veja outro video promocional dos 30 anos do Partido dos Trabalhadores:

  • Recomendo que você leia

    Nestes dias de carnaval, quando muitos não trabalham e nem caem na folia de Momo, recomendo que se animem a “balançar” o cérebro com as boas e necessárias informações contidas nesta seleção de textos que recomendo abaixo.

    Boa folia literária a todas e todos.

    Levon

    Os terremotos no Haiti. Publicado em 11/02/2010 por Padre Alfredo José Gonçalves. “O abalo sísmico que recentemente devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, e seus arredores, só fez desvendar outros abalos sísmicos, históricos e estruturais, que marcam a face desfigurada daquele país…” Continua.

    Alegria no Senhor. Publicado em 11/02/2010 por Dom José Alberto Moura. Artigo 133. “Estamos próximos da Quaresma, tempo de preparação à Páscoa de Jesus. Preparar-se para a festa exige empenho, organização, recurso financeiro, colaboração das pessoas envolvidas…” Continua.

    Carnaval Espiritual. Frei Betto. Adital. “Neste Carnaval anseio por folias interiores, de maravilhas indescritíveis, de sinuosos alaridos, de magnificências a dispensar ruídos e palavras. Quero toda a avenida regida por inequívoco silêncio, o baile imponderável em gestos rituais, a euforia estampada em cada sorriso…” Continua.

    Economia e Vida (II): Deus e ídolos na economiaJung Mo Sung. Adital. “No artigo anterior , eu tratei da “materialidade da vida”, que é um dos aspectos fundamentais do tema da CF deste ano: ‘Economia e vida”. Neste artigo, eu quero continuar a reflexão abordando um segundo aspecto, “o aspecto teológico-espiritual da economia’…” Continua.

    Dilma Rousseff e o risco do salto alto. Altamiro Borges. Adital. “Nos últimos dias, a euforia tomou conta da militância que torce pela continuidade do ciclo político aberto no país pelo governo Lula…” Continua.

    Quem é a elite dirigente brasileira, hoje? Entrevista especial com Maria Celina Soares D’Araújo. IHU – Unisinos. Adital. “São cargos importantes, secretários gerais de ministérios, secretários de gabinete, enfim, pessoas muitos importantes para a administração pública, e as suas indicações são feitas sem que haja um debate público, sem que seja apreciada a competência dessa pessoa…” Continua.

    Direita midiática conspira em São Paulo. Altamiro Borges. Adital. “No dia 1º de março, no Hotel Golden Tulip, na capital paulista, as estrelas da direita midiática estarão reunidas num seminário cinicamente batizado de ‘1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão’…” Continua.

    Médicos de Cuba no Haiti: a solidariedade silenciadaJosé Manzaneda. Adital. “Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais…” Continua.

  • Mulheres, leiam. Homens, também

    Ataques a Dilma negam humanidade de ministra e protagonismo das mulheres

    * Luiz Carlos Azenha

    Eu acho que vocês, mulheres, poderiam montar um blog para colecionar os ataques com tons machistas e sexistas que os tucanos e o PSDB estão disparando contra a ministra Dilma Rousseff.

    Não se trata apenas de uma crítica política a que Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati estão fazendo à ministra. É uma tentativa mal disfarçada de desqualificar a pessoa, como se ela fosse apenas “reflexo” de um líder (nas palavras do ex-presidente) ou uma “candidata de silicone”, nas palavras de Jereissati. As duas críticas negam humanidade à ministra. E negam também protagonismo. As duas críticas tentam pintar Dilma como um pedaço de geléia, inerte, sem vontade própria – características que muitos homens brasileiros gostam de ver em “suas” mulheres, mas que não são boas em uma líder.

    Temos, então, um paradoxo: para alguns, Dilma a “terrorista”; para outros, Dilma a “boneca inflavel”. Duas formas de sugerir ao eleitorado que se trata de uma mulher “que não vale nada”.

    Presumo que isso seja coisa de marqueteiro, que pretende explorar o preconceito contra as mulheres que existe no eleitorado, inclusive no eleitorado feminino. A ideia da “duplicidade” feminina serve muito bem a essa estratégia, embora no final das contas acabe alvejando as pretensões femininas, de todas as brasileiras, nos campos político, pessoal e profissional.

    Não deixa de ser cômico, no entanto, ver o senador Jereissati dizendo que Dilma não tem o “physique du rôle” adequado à presidência. Parece um coronel político ditando como a mulher deve ou não ser, pode ou não ser. E essa fixação por “desmascarar” a mulher que não sabe o seu lugar… Sei não, mas acho que o Tasso está tentando dizer que, se ele fosse mulher, seria uma mulher muito mais atraente e interessante que a Dilma.

    * Fonte: Vi o Mundo.

  • Entrevista com Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro

    Aproveitando que hoje é 10 de fevereiro, aniversário de 30 anos da fundação do PT – Partido dos Trabalhadores, providenciamos uma entrevista com o Deputado Federal Reginaldo Lopes, presidente do PT em Minas Gerais. Reginaldo Lopes foi reeleito em dezembro de 2009, numa disputa interna bastante acirrada, para mais um mandato à frente dos petistas mineiros. Tomou posse na última segunda-feira, 08/02/2010. Nesta entrevista ela fala sobre vários temas, dentre eles, a candidatura do PT ao Governo de Minas, a campanha de Dilma Rousseff à Presidência e a interiorização do partido. A seguir a entrevista.

    BLOG DO LEVON: Deputado, depois de uma eleição interna bastante concorrida para Presidente do PT mineiro, quais as medidas que serão adotadas para pacificar e unir as várias correntes do partido?
    Deputado Reginaldo Lopes – Eu continuo com a minha mesma concepção. O PT para unificar não pode estabelecer um processo de maioria numérica, precisa estabelecer um processo de maioria política. Eu acho que quem quer a unidade no PT precisa construir um processo que busca, de fato, encontrar um método de decisão que necessariamente não precisa passar por medir forças novamente nas urnas. Esse é o nosso compromisso, nosso horizonte, de buscar pacificar o PT pelo diálogo, pelo diálogo, pelo diálogo. Então, por isso, é preciso ter muita paciência, encontrar um modelo que possa contemplar as nossas duas principais lideranças, que é o Fernando Pimentel e o Patrus Ananias, porque eu acho que o PT hoje, ele se unifica em nome dos dois, o PT discute, reúne em nome dos dois. É questão de tempo… nós vamos encontrar esse modelo.

    BLOG DO LEVON: E quanto às eleições deste ano, quem será o candidato a governador de Minas que o PT apoiará, Pimentel ou Patrus?

    Deputado Reginaldo Lopes – Todo mundo sabe da minha preferência pelo Fernando Pimentel. Pela lealdade que eu tenho a ele, pela lealdade que ele teve a mim no processo interno, agora, Patrus é um excelente candidato. Então nós temos dois grandes candidatos, nós vamos ter que encontrar, igual eu falei, um modelo para definir isso. O Patrus fala em prévias, o Fernando acha que não é necessário prévias porque já teve vários momentos de disputa, então, o que eu acho é o seguinte: é importante nós encontrarmos esse modelo, buscar encontrar um modelo de fato que possa construir aquilo que eu chamo de maioria política. Porque a questão de prévia já é uma questão estatutária, mas eu não acredito que o PT vai se unificar a partir de uma maioria numérica. O PT só vai estar unido nas eleições se encontrar uma maioria política e aí necessariamente não é o melhor caminho as prévias.

    BLOG DO LEVON: A candidatura de unidade da base aliada, de José Alencar, é uma alternativa que será considerada?
    Deputado Reginaldo Lopes – Lógico! Hoje eu tenho dito, só José Alencar pode dar ao presidente Lula aquilo que ele sonha, de um palanque único da base aliada do Lula em Minas. Caso contrário o José Alencar não se confirme como candidato a governador de Minas, o que eu acho que vai ocorrer: é muito difícil um outro candidato unificar a base aliada do governo Lula em Minas. Até porque, nós precisamos de uma candidatura em Minas que esteja de corpo e alma identificada com o projeto do PT, de corpo e alma identificada com o projeto do presidente Lula. Caso contrário, essa candidatura não terá sucesso. Por que não terá sucesso? Porque nós vamos enfrentar um governo popular que é o governo do Aécio Neves, porém é um governo popular, mas, que o povo percebe que precisa de um novo projeto de governo, projeto que possa dar uma nova dimensão política ao estado de Minas. Minas são várias; o governador Aécio não investiu nos contrastes regionais; a crise econômica mundial não existiu no Brasil, ela existiu só em Minas de maneira mais aguda e o governador teve uma total inércia perante a crise, até porque, o modelo de desenvolvimento econômico, desenvolvimento de exportação do setor primário, de commodities, se esgotou e foi afetado pela crise e Minas acabou sendo muito prejudicada pela crise econômica internacional. Isso mostra que é preciso uma nova concepção sobre o estado e sobre o desenvolvimento econômico, então, eu acho que chegou a hora do PT. Por isso que eu acho que o melhor rumo, o melhor caminho é uma candidatura própria no Partido dos Trabalhadores. Dialoga melhor com os mineiros.

    BLOG DO LEVON: Como ficará a disputa pelo Senado no PT mineiro?
    Deputado Reginaldo Lopes – Aí é o seguinte: nós precisamos ter um pouco de paciência, porque, se a gente conseguir convencer o PMDB que o caminho mais consistente para a vitória da Dilma é, com certeza, a candidatura própria do PT porque dos grandes partidos o PT é o único que ainda não governou Minas e essa identidade com as políticas do governou Lula que mudou o Brasil cabe em Minas, porque Minas é cópia fiel e idêntica do Estado Brasileiro, aí nós temos que ter paciência para compor e fechar esse tabuleiro, esse jogo de xadrez, pra gente fazer aqui uma candidatura forte e competitiva.

    BLOG DO LEVON: Quais os passos que o PT seguirá para organizar a campanha de Dilma Rousseff à Presidência em Minas Gerais?
    Deputado Reginaldo Lopes – Primeiro nós vamos popularizar a figura da ministra Dilma. É uma ministra mineira, é uma ministra competente, é uma ministra que coordenou o governo Lula e o governo Lula produziu essa mudança extraordinária. Tanto que o Fernando Henrique não quer comparar, não quer comparar porque a comparação é mortal para o PSDB, para os democratas, para o Serra, para o Aécio, para o Fernando Henrique. Só que o povo brasileiro se emancipou. O governo Lula emancipou o povo, o governo Lula tirou o povo da linha da miséria, o governo Lula aumentou a renda do livre poder de compra dos trabalhadores e hoje o povo brasileiro tem autonomia, tem liberdade para comparar e para dentro da comparação, escolher o que é bom e o que é ruim. Autoritário é negar o direito do povo, é negar o direito do povo fazer sua própria escolha e de seguir os seus próprios caminhos e, por isso, o Fernando Henrique Cardoso está totalmente equivocado e não compreende mais o que representa o novo Brasil, o que representa a emancipação do povo brasileiro que o governo Lula proporcionou a milhões e milhões de brasileiros.

    BLOG DO LEVON: Como será o seu segundo mandato no PT mineiro em relação à organização do partido no interior, especialmente no Norte de Minas?
    Deputado Reginaldo Lopes – Nós vamos fortalecer muito o interior. Nossa primeira gestão saiu de trezentos diretórios para oitocentos diretórios municipais. Agora nós queremos preparar esses diretórios, fazer jornadas de formações políticas. Preparar as disputas, os embates, pra gente eleger, no mínimo, duzentos prefeitos em 2012 e eleger mais de mil vereadores nas Câmaras Municipais. Estou confiante! Quero contar com a dedicação, com o apoio desses companheiros dos diretórios municipais, porque, na verdade, quem faz o PT acontecer são os companheiros que vivem a realidade dura de fazer política e política de esquerda, política socialista, política do Partido dos Trabalhadores nesses quase um mil municípios mineiros. Por isso nosso olhar será, como sempre foi, pelo fortalecimento e interiorização cada vez mais no nosso partido.

    BLOG DO LEVON: Faça um balanço de sua atuação como parlamentar neste atual mandato?
    Deputado Reginaldo Lopes – Nosso mandato tem duas vertentes, dois pilares. O pilar do universo, o pilar que a gente discute o Brasil, discute o mundo, discute as políticas públicas. E o outro pilar que sustenta o primeiro pilar: ninguém é universal sem amar sua aldeia. Então a gente a ama a nossa aldeia, ama o nosso povo, ama os nossos companheiros, ama nossos parceiros. Então nós trabalhamos nessas duas pernas. Eu sou hoje um deputado de bandeiras nacionais, de bandeiras internacionais, de atuação forte no legislativo, mas também sou um deputado que mantém uma presença forte na base. Um mandato muito resolutivo, um mandato parceiro das administrações petistas municipais, parceiro dos companheiros nos municípios, parceiros companheiros nas vice-prefeituras. Um mandato capaz de articular os programas, ser presença resolutiva e um mandato extremamente programático, um mandato extremamente das ideias, mas sem esconder atrás das ideias pra manter um mandato resolutivo, um mandato que traz soluções práticas. Então essa é a combinação. Um pé no universo, um pé na aldeia. Um mandato para o Brasil, um mandato para as regiões, um mandato para Minas.

    BLOG DO LEVON: O que significa para Minas Gerais dar uma chance ao PT no governo?
    Deputado Reginaldo Lopes – Chegou a hora de o PT governar Minas! O PT precisa ter essa oportunidade de governar Minas e Minas precisa ter a oportunidade de ser governada pelo PT. Minas é idêntica ao Brasil. Minas é cópia fiel do Brasil. Aqui tem todas as características do Brasil: sul, sudeste, centro-oeste, oeste, norte, leste… Então, chegou a hora de o PT trazer para Minas para dar a Minas a dimensão das políticas públicas que o PT está dando ao Brasil. Então chegou a nossa hora! Com certeza um governo do PT vai integrar as diversas Minas a partir da superação dos contrastes regionais. Um novo modelo de desenvolvimento econômico muito diversificado. Aí sim, nós vamos contrapor São Paulo. Nós vamos poder dizer para São Paulo que Minas não faz mais trocas injustas, mas a partir da ação firme de quem o governa. E quem vai governar Minas tem responsabilidade de amar Minas e de mudar Minas.

    Colaboração: Eduardo Madureira – PT – Montes Claros/MG.

  • O Brasil é nossa bandeira – 30 anos do PT

    “O Brasil é nossa bandeira”

    Comemoramos hoje (10/02/2010) o aniversário de um dos marcos históricos da redemocratização do Brasil, os 30 anos do PT – Partido dos Trabalhadores.

    Sabemos das inúmeras dificuldades quanto à composição e à história da vida político-partidária do Brasil. Mesmo assim, é uma data para celebrar as grandes vitórias do Povo Brasileiro através deste que, sem dúvida, é o maior partido político já construído neste país.

    Para saber mais acesse o site do PT clicando aqui.

    Veja também o vídeo promocional dos 30 anos do PT aqui abaixo:

    Não vamos deixar as conquistas do Povo Brasileiro se perderem.

  • Notáveis do Alto Rio Pardo

    Recebi hoje o convite para a versão 2010 do Baile Notáveis do Alto Rio Pardo, no qual serão comemorados os 8 anos do Jornal Folha Regional, no qual publico regularmente meus artigos de opinião. O periódico taiobeirense é dirigido pelo amigo Alex Sandro Mendes.
    Na festa, que ocorrerá no novo espaço social de eventos de Taiobeiras – o Avenida Hall – em 27 de fevereiro próximo, também serão premiadas as seguintes categorias e/ou áreas: Administração Pública, Advogado, Artista, Assessor Político, Bancário, Comerciante, Concessionária, Contador, Cooperativismo, Dentista, Desportista, Destaque Jovem, Educadora, Empreendedor, Empresa Cidadã, Empresário, Engenheiro, Funcionário Público, Imprensa, Juiz de Direito, Médico, Policial, Política Social, Prefeito Empreendedor, Primeira-dama, Produtor Rural, Religioso, Secretário Muncipal, Vereador, Vice-prefeito.
    Aproveito a oportunidade para transcrever aqui abaixo o prefácio que Alex Sandro Mendes escreveu para o meu segundo livro, Blogosfera dos Gerais – opinião, testemunho e outras reflexões, lançado em 24 de abril de 2009.

    * Alex Sandro Mendes

    Ser amigo do professor Levon do Nascimento é uma satisfação, ler seus artigos é um prazer, publicá-los então, um privilégio!

    Sempre que chega um artigo do amigo educador à redação do Jornal Folha Regional, o espaço para publicá-lo é imediatamente reservado. Não porque o autor é amigo do Diretor, mas sim, pelo conteúdo, pelos exemplos de cidadania e, principalmente, pela opinião e testemunho. O teor de seus textos transmite sensatez, realidade e fere o íntimo dos injustos, especialmente daqueles que estão arraigados nas classes dominantes.

    Ler Levon do Nascimento é uma atividade muito mais complexa do que a simples interpretação dos símbolos gráficos. Requer que o indivíduo seja sensível aos valores culturais, educacionais e cristãos e, também, à política voltada para o social. Exige ainda que o leitor mantenha um comportamento ativo diante do texto, levando-o para o cotidiano da sociedade. Portanto, é necessário que haja maturidade para a compreensão das palavras de Levon, caso contrário, tudo cairá no esquecimento ou ficará apenas armazenado na memória, sem uso, até que haja condições cognitivas para utilizá-las.

    Para entender os artigos de Levon não basta apenas conhecermos a gramática e a semântica. É preciso que tenhamos bom senso, vocação coletiva e fé em Deus.

    Quem ler “Blogosfera dos Gerais” ficará surpreso com a capacidade do autor em alertar o poder público para iminentes problemas sociais. Muito mais que isso, perceberá que suas convicções sobre fé, cultura e educação vão de encontro ao que é ético e justo.

    Se o leitor se propuser a ler “Blogosfera dos Gerais” de forma acrítica, rejeitando-o antes de conhecê-lo, provavelmente o aproveitamento será baixo. Mas, se o ler confrontando com a realidade regional, o livro se transformará em ferramenta de propagação de idéias para melhorar a convivência humana em sociedade, especialmente na microrregião Alto Rio Pardo, território onde as mazelas econômicas e culturais ainda insistem em acabrunhar as pessoas.

    Evidentemente, acredito que o segundo livro do professor Levon não surgiu de nenhuma inspiração momentânea. Ao contrário, é fruto de anos de meditação, de ações coletivas e da vontade de colaborar com a comunidade.

    Acredito também que, após a leitura, o indivíduo acabará descobrindo algo muitíssimo importante: para poder ajudar a sociedade de uma forma eficaz, é forçoso conhecer a sua essência, a sua cultura e, principalmente, a sua gente.

    Mire-se no exemplo de Levon, um professor que enfrenta, muitas vezes, a cada novo artigo, a aversão do sertanejo à leitura. Mas insiste e difunde as suas idéias, seja pelo Jornal Folha Regional, através do livro ou pela virtualidade da internet.

    * Alex Sandro Mendes é o Diretor do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG.

  • José Alencar pode ser candidato a Governador de Minas Gerais

    * Do Blog “Os Amigos do Presidente Lula”

    Cresce as articulações para lançar o vice-presidente da República José Alencar (PRB) ao governo de Minas. A presidente do PCdoB/MG, deputada federal Jô Moraes, e o presidente do PT/MG, deputado federal Reginaldo Lopes (ligado ao grupo petista de Fernando Pimentel) se reuniram nesta sexta-feira (5) para conversar sobre a sucessão mineira.

    Jô Moraes é uma das mentoras da candidatura de José Alencar (na foto à direita). Reginaldo Lopes, também apóia a ideia: “Acredito que o Alencar será o candidato”, alertando para o fato de o vice-presidente ter filiação honorária no PT. “Portanto tem ainda este simbolismo, é também um candidato do partido”.

    Embora tivesse intenção de aceitar disputar o Senado, o vice-presidente acenou com a possibilidade de concorrer ao Governo do Estado, sempre dentro da perspectiva de consenso, sem ter de disputar espaço.

    Os dois outros pré-candidatos do PT ao Palácio da Liberdade, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel, sinalizaram que não fazem objeção de abrir mão para Alencar. O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), declarou nesta sexta-feira (5), que o PMDB pode abrir mão de sua candidatura, caso do candidato for José Alencar. Alencar diz que pode ser candidato ao governo de Minas.

    Na quinta-feira, o vice-presidente admitiu que pode disputar o cargo desde que haja consenso da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em torno de seu nome. Apenas condicionou sua candidatura ao resultado de exames médicos que deverão sair em março, mas adiantou que seu estado de saúde é excelente e que o câncer que ele enfrenta há mais de uma década regrediu 90%.

  • A Igreja no abismo: a igreja precisa de uma tríplice reforma: teológico-catequética, espiritual e pastoral

    [O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad (na foto), lança um SOS à Igreja de hoje numa carta dirigida a Bento XVI. A missiva foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula nos meios eclesiais de todo o mundo]

    * Padre Henri Boulad, sj

    Santo Padre:

    Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Vós, pois o meu coração sangra ao ver o abismo no qual se está precipitando a nossa Igreja. Certamente desculpará a minha franqueza filial, inspirada na “liberdade dos filhos de Deus” à qual nos convida São Paulo, e pelo meu amor apaixonado pela Igreja. Agradecer-lhe-ia também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que “são menos cinco” e que a situação não pode esperar mais.

    Permita-me em primeiro lugar apresentar-me. Jesuíta egípcio libanês de rito melquita, de 78 anos. Desde há três anos sou reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de teologia no Cairo, diretor de Caritas-Egito e vice-presidente de Caritas Internationalis para Oriente Médio e África do Norte. Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos nas suas reuniões como Presidente dos superiores religiosos de institutos no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são meus antigos alunos. Por outro lado, conheço pessoalmente o Papa Chenouda III, a quem via com frequência. E quanto à hierarquia católica da Europa, tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente muitas vezes com algum dos seus membros, como o cardeal Koening, o cardeal Schönborn, o cardeal Martini, o cardeal Daneels, o Arcebispo Kothgasser, os bispos diocesanos Kapellari e Küng, os outros bispos austríacos e outros bispos de outros países europeus. Estes encontros acontecem devido às minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suíça, Hungria, França, Bélgica… Nestas viagens dirijo-me a auditórios muito diferentes e aos media (periódicos, rádios, televisões…). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.

    Visitei cerca de cinquenta países nos quatro continentes e publiquei uns 30 livros em 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, quiçá tenha “Gottessöhne, Gottestöchter” [Filhos, Filhas de Deus], que lhe fiz chegar pelo seu amigo o Pe. Erich Fink de Baviera. Não digo isto para presumir, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções fundamentam-se num conhecimento real da Igreja universal e da sua situação atual, em 2009.

    Volto ao motivo desta carta, e tentarei ser breve, claro e o mais objetivo possível. Em primeiro lugar, algumas constatações (a lista não é exaustiva):

    1. A prática religiosa diminui constantemente. As igrejas são frequentadas por pessoas cada vez mais idosas que vão desaparecer num prazo bastante curto.
    2. Os seminários e os noviciados esvaziam-se de dia para dia e as vocações desaparecem a um ritmo assustador. O futuro apresenta-se sombrio e não vemos quem virá atrás de nós para melhorar a situação.
    3. Muitos padres deixam o exercício sacerdotal e o pequeno número dos que vão ficando, cuja idade frequentemente ultrapassa a da reforma, são obrigados a assumir o encargo de várias paróquias, fazendo-o de uma maneira apressada e administrativa.
    4. A linguagem da Igreja é anacrônica, aborrecedora, repetitiva, moralizadora e completamente inadaptada à nossa época. Não pretendo afirmar que se deve dizer sim a tudo nem adotar uma atitude demagoga, pois a mensagem do Evangelho deve apresentar-se com toda a sua exigência e significado. O importante é começar a “nova evangelização” de que falava João Paulo II. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não consiste na repetição de tudo o que é antigo e que não interessa a quase ninguém, mas na invenção duma nova maneira de proclamar a fé aos homens do nosso tempo.
    5. Para consegui-lo, é urgente uma renovação profunda da teologia e da catequese que devem ser completamente repensadas e reformuladas. Infelizmente, temos de constatar que a nossa fé é demasiado cerebral, abstrata, dogmática e que fala bem pouco ao coração e ao corpo.
    6. A consequência é que uma grande parte dos cristãos foi bater à porta das religiões asiáticas, das seitas, da “new age”, do espiritismo, das igrejas evangélicas ou de outras parecidas. Ficamos admirados? Eles buscam noutro lugar o alimento que não encontram entre nós, pois têm a impressão que em vez de pão lhes oferecemos pedras.
    7. No que diz respeito à moral e à ética, as imposições do magistério sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados casados de novo, etc., já não interessam a quase ninguém e provocam nas pessoas cansaço e indiferença.
    8. A Igreja católica que, durante séculos, foi a grande educadora na Europa, esquece que esta Europa se tornou adulta e intelectualmente madura, recusando ser tratada como uma criança que ainda não atingiu a idade do uso da razão. As maneiras paternalistas duma Igreja “Mater et Magistra” passaram de moda e são rejeitadas pela nossa época.
    9. As nações que outrora foram as mais católicas – França, “primogênita da Igreja” ou o Canadá francês ultracatólico deram uma reviravolta de 180 graus, caindo no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outras nações europeias, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.
    10. O diálogo com as outras igrejas e religiões tem recuado. O progresso constatado durante meio século está atualmente muito comprometido.

    Perante tais constatações, a reação da Igreja é dupla:

    Ou considera sem importância a gravidade da situação e se consola constatando certos fervores e conquistas no campo mais tradicionalista e nos países do terceiro mundo.
    Ou invoca a confiança no Senhor que a socorreu durante 20 séculos e que vai continuar a ajudá-la também a superar esta nova crise, como o fez nas crises precedentes. Afinal, não tem ela promessas de vida eterna?

    A isso eu respondo:

    Para resolver os problemas de hoje e de amanhã, não basta refugiar-se no passado nem apoiar-se em amostras sem fundamento sério.
    A aparente vitalidade da igreja nos continentes em vias de desenvolvimento é falaciosa. Mais cedo ou mais tarde, essas novas Igrejas passarão pelas mesmas crises vividas pelo atual cristianismo europeu.
    A modernidade é incontornável e foi por a Igreja ter esquecido isto que passa hoje por tal crise.
    Por que razão continuar uma política como um jogo da cabra-cega? Até quando recusar ver as coisas como elas são? Porque é que havemos de tentar salvar as aparências, uma fachada que hoje não consegue convencer ninguém? Até quando continuar nesta teimosia, nesta intolerância total a recusar todas as críticas, em vez de ver nelas uma ocasião de se renovar? Até quando iremos adiar uma reforma que se impõe imperativamente e que já tardou demais?

    Repito o que disse no princípio: é pouco o tempo que nos resta. A história não fica à nossa espera, sobretudo numa altura em que o ritmo se acelera e tudo anda tão depressa.
    Qualquer empresa comercial, ao constatar prejuízos ou um mau funcionamento, põe-se imediatamente em questão, convoca peritos, tenta recuperar, mobiliza todas as suas energias para se transformar radicalmente.
    E a Igreja? Quando pensa ela mobilizar todas as suas forças vivas para uma transformação integral? Vai ela continuar a ser dominada pela preguiça, covardia, medo, orgulho, falta de imaginação e criatividade, por um quietismo culpável, convencida de que Deus tudo vai resolver e de que a situação atual acabará por ser ultrapassada como já o foram outras situações, talvez piores, no passado?

    O que é que se pode então fazer? A Igreja precisa de três reformas urgentes:
    Uma reforma da sua teologia e da sua catequese, repensando completamente a fé e reformulando-a de uma maneira coerente e compreensível para a sociedade contemporânea.
    Uma reforma da sua pastoral, abandonando as estruturas herdadas do passado.
    Uma reforma da sua espiritualidade, inventando outra mística e concebendo os sacramentos de outra maneira, para encarná-los na existência atual e adaptar à vida do homem de hoje. A Igreja é formalista demais. Temos a impressão de que a instituição abafa o seu carisma e de que, para ela, o importante é, ao fim de contas, a estabilidade exterior, superficial, aparente. Corremos mesmo o risco de que Jesus, um dia, nos trate “de sepulcros caiados”.

    Para terminar, gostaria que houvesse em toda a Igreja um sínodo geral com a participação de todos os cristãos, católicos e não católicos, para analisar franca e abertamente todos os aspectos de que lhe falei e outros que poderiam ser sugeridos. Esse sínodo (evitemos a palavra concílio) duraria 3 anos e seria concluído por uma assembleia geral que faria um resumo de todos os resultados e elaboraria as conclusões.

    Termino, Santo Padre, pedindo-lhe para me perdoar tanta franqueza e audácia e solicitando a sua bênção paternal.

    * Padre Henri Boulad, sj, henriboulad@yahoo.com é jesuíta egípcio libanês de rito melquita e reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, Egito.

    Fonte: Agência Adital.

  • Igreja de São Sebastião de Taiobeiras

    Neste ano de 2010 a Paróquia São Sebastião de Taiobeiras/MG comemora os seus 75 anos de fundação, a sua Igreja Matriz foi reformada e em breve será reinaugurada, além da Arquidiocese de Montes Claros/MG, da qual faz parte, estar celebrando o seu centenário. Dentro deste contexto, achei interessante publicar aqui no Blog este excelente poema da Professora de Língua Portuguesa e taiobeirense, Nair Marques Freitas, publicado na última edição do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras.

    Igreja de São Sebastião de Taiobeiras

    * Nair Marques Freitas

    Antigamente,
    Lá pelos meados de 1900,
    São Sebastião atendia aos seus devotos
    Na praça Joaquim Teixeira.
    Sua morada era pequenina
    E em torno dela repousavam
    Corpos e almas pelo além chamados
    Do Bom Jardim das Taiobeiras.
    Para contrastar com tanta
    Humildade e singeleza
    Erguia-se ali, em frente à igrejinha,
    Um majestoso e robusto cruzeiro…
    Nas madrugadas frias e desertas,
    As almas levantavam-se das catacumbas
    E ajoelhavam-se soturnas e fervorosas ao pé dele:
    Imploravam misericórdia e desvelo.

    Mas na maior parte do tempo
    Reinavam os vivos que por ali se iam:
    Os padres, ora Horácio de Rio Pardo,
    Ora Salustiano de Salinas.
    Missões, missas, casamentos, batizados, rosários…
    E a famosa festa do santo,

    Sempre no mês de janeiro?
    Eram nove dias de reza,
    Nove dias de leilão,
    Nove dias de churrasco, cada dia,
    Na casa de um novenário.

    Vai que dona Rachel Torres,
    Recém-chegada de Rio Pardo,
    A igreja muito pequena achou.
    Pois não. Um pedaço na frente aumentou,
    Dando-lhe o formato que até hoje ficou.

    Por volta de 1938,
    A igreja a paróquia passou.
    Veio então frei Acário,
    Bondoso como ele só!
    Coração de mãe,

    Alma de passarinho,
    Franciscano convicto.
    Logo que chegou, percebeu
    Que hereges ao pé do cruzeiro
    Começaram a se sentar
    Pra, na calada da noite,
    Suas tramoias combinarem.
    Ficou furioso e mandou
    O cruzeiro dali tirarem,
    Que levassem-no pra bem longe,
    Onde ninguém pudesse
    O símbolo do Cristianismo
    Com seus atos profanar.

    Um dia disse o bom frei:
    — A igreja está pequetita,
    A freguesia crescida…
    Vamos outra mais bela,
    Na rua Grande*,
    Com habilidade levantar?!

    Assim que acabou o alicerce,
    O bom frei foi transferido,
    E dizem as más línguas, não sei,
    Que o motivo foi que ele
    Dava todo o dinheiro da igreja
    Para os pobres desvalidos.

    Mil, novecentos e quarenta,
    Frei Juca chegou então,
    Com uma febre intermitente…
    Era maleita,
    Ou era somente garra
    Por um trabalho diferente?!

    Assim que baixou a febre,
    Começou a revolução,
    Arrancou o alicerce novo,
    Querendo o povo ou não,
    Levou-o para o outro lado*
    Recomeçou a construção.

    Pegava picareta,
    Ajudava com suas mãos,
    Jogava tijolo pro alto,
    Com bravura cavava o chão.

    Cimento era coisa rara,
    Areia e cal tava bom,
    Dinheiro, mesmo difícil,
    Todo filho de Deus doou.
    E frei Juca, com jeitinho,
    Foi criando artifícios:

    “Padrinhos do Sino”
    Que deram o sino;
    “Afilhados de Nossa Senhora”
    Que doaram sua imagem,
    Mas tantos outros, sem nenhum ajeito,

    Foram se dando, sim senhor:
    Davam o seu parco salário
    Ou seu valoroso labor;
    Purcino Cardoso, por exemplo,
    Deu todo o telhado
    Sustentado por aroeira,
    Revelando assim seu amor.

    A construção foi bem lenta,
    Pois com férias de dois em dois anos,
    Por duas vezes frei Juca
    À Holanda foi passear,
    Gozando seis meses de cada vez
    Antes da obra acabar.
    Da primeira vez em que foi,
    Assim que retornou…
    Era chuva,

    Mas tanta chuva na terra,
    Que o alicerce arriou.
    — Qual nada! — disse ele –
    E a emenda efetuou.

    Ficando pronta a jovem igreja,
    Diversas lápides dos sepulcros
    Do cemitério da igreja-mãe
    Para a nova, com cuidado,
    Conseguiram transportar.
    Estão lá, debaixo do piso,
    Bem na frente do altar.

    E frei Juca, para registrar,
    No alicerce deixou enterrada
    Uma garrafa contendo moedas,
    cédulas e informações da época.
    Mais tarde, também lá,
    Exigiu que construíssem
    A sua eterna morada.

    Em 1975 frei Salésio chegou
    Também franciscano,
    Também holandês,
    Também conservador,
    Mas a igreja reformou:
    Um busto do frei Juca se exibiu na praça,
    Holofotes se acenderam no chão,
    Um coreto ecoou seu silêncio…
    A modernidade com o velho se misturou.
    O sino tocou tristemente,
    Frei Salésio se foi…
    Também lá pediu pousada
    Pros seus restos, pra sua ossada.

    Outros padres vieram:
    Jovens, anciãos, meia-idade,
    Franciscanos e não-franciscanos;
    Outras ovelhas vieram:
    Crianças, jovens, idosos, meia idade,
    Fiéis e não-fieis,
    Calorosos e não-calorosos.

    Janeiro de 2009,
    Festa de São Sebastião,
    Padre Fernandes levantava
    Uma complexa questão:
    – Que tal, agora,
    A velha igreja ampliar,
    Já que ela não comporta
    Tantos cristãos a rezar?
    E a discussão se acirrou
    Por tudo quanto foi lugar…
    Gente a favor,
    Gente contra,

    Todos queriam opinar.
    A maioria não aceitava
    Ver a igreja querida
    Ser mudada, demolida,
    Não dava pra conformar.
    E graças a Deus, a seguir,
    Padre e povo conseguiram
    Um pleno acordo atar
    Padre Antônio chegou, então,
    Para a reforma prevista
    Ser o coordenador.
    E com a sociedade atuante,
    O projeto foi avante,

    Ficou pronto, sim senhor!

    E o monumento permaneceu,
    Antigo, é verdade,
    Mas lúcido o suficiente
    Para contar histórias a toda a cidade,
    Confrontando o presente e o passado,
    O velho e o novo,
    Garantindo a identidade,
    A fé e a religiosidade
    De seu humilde povo.

    E adiante,
    O que virá?
    Quem viver, verá!

    OBS.:  Rua Grande: Avenida da Liberdade. Outro lado: Praça da Matriz.

    * Nair Marques Freitas é Professora de Língua Portuguesa e reside na cidade de Montes Claros/MG.

    Comentário do Levon:

    Nair Marques Freitas foi uma das minhas excelentes professoras de Língua Portuguesa nos Ensinos Fundamental e Médio. Aliás, tive grandes professoras nesta área, como também Janete Moreira e Emília Bandeira. Evidentemente que não chego aos pés de minhas mestras, mas foram elas que me ensinaram o bastante para me expressar razoavelmente na língua de Camões e Machado de Assis. Nair também escreveu o prefácio do meu primeiro livro, Palavras da Caminhada (2006).

  • O filme Avatar

    * Por Atento

    O Cross comentou sobre o filme AVATAR e não resisti postar um comentário:

    Assistam AVATAR. É um grande filme. Em todos os sentidos. Mas o sentido que mais me tocou foi o político. AVATAR é uma crítica ao comportamento belicoso americano em relação ao resto do mundo. Faz até uma clara alusão a uma guerra ocorrida contra a Venezuela no passado.

    É uma história cheia de metáforas. Num futuro distante (próximo?) militares (obviamente americanos) obcecados por poder, destruição e mega-empresários gananciosos se unem para invadir outro mundo, Pandora (Iraque? ), em busca das riquezas do seu subsolo (petróleo?). Esse mundo tem uma fauna e flora riquíssimas ainda inexploradas (Amazônia?). Por isso eles massacram o povo daquela terra por não possuírem defesas (palestinos? indígenas americanos extintos?). É um povo que tem uma cultura riquíssima de amor e respeito à natureza.

    Quando este povo tenta se defender é claramente acusado de TERRORISTA pelo chefe militar em discurso à tropa. Ele fala claramente: TERROR se combate com TERROR.

    Os cientistas/pesquisadores estão lá por amor à ciência mas como sempre suas informações e descobertas são utilizados como instrumentos de guerra pelas forças armadas.

    Os soldados estão lá como MERCENÁRIOS (isto inclusive é dito no filme).

    Um exemplo é personagem principal. Ele ficou aleijado. O filme sugere que foi numa guerra contra a Venezuela. Já existe tecnologia para curá-lo mas ele não possui recursos. Por isso topa ser um informante AVATAR, para ter pernas novas – Uma contundente crítica ao sistema de saúde americano.

    Outra coisa que me chamou a atenção foi a solução apresentada para salvar o mundo de Pandora (Terra?). A UNIÃO dos povos e a ORAÇÃO. Isso mesmo. Pouca gente comenta mas o personagem principal, que nunca rezou, pede à mãe natureza (Deus) por ajuda…e é atendido. A natureza do planeta se revolta.

    A Terra já não possui mais verde, é um planeta esgotado. Mais uma crítica ao descaso que o primeiro mundo vem dando ao problema do clima – americanos e europeus são os responsáveis pelo fracasso da última cúpula do clima de Copenhague.

    Existe bem mais a ser dito do filme, mas este não é o espaço.

    Foi ótimo AVATAR ter esta altíssima repercussão mundial. A tecnologia 3D foi apenas uma desculpa que serviu para passar um poderoso alerta à humanidade.

    * Comentarista do Blog do Luis Nassif.

  • Chuva lá, seca aqui

    Enquanto vemos na grande mídia que a chuva intensa castiga os estados do Sul, além do “alagão” e dos deslizamentos de terra em São Paulo e em várias cidades do Rio de Janeiro, aqui no Norte de Minas a impressão é de que estamos em outro planeta.

    Há mais de 20 dias não chove em Taiobeiras e na região inteira. O calor é intenso e o sol castiga quem se atreve a enfrentá-lo a qualquer hora do dia. A ameaça da falta de água pode se tornar realidade em breve.

    Teses se levantam. Será o grave aquecimento global se associando ao clássico problema da seca no semiárido? Ou será uma edição catastrófica do El Niño? Respostas devem ser dadas pelos especialistas, não cabendo teorias conspiratórias e apocalípticas.

    Parece que as desigualdades social e econômica provocadas pelo ser humano ganancioso, desta vez chegaram até as nuvens. Os de lá debaixo do mapa do Brasil estão se afogando, enquanto os de cá de cima estão se sufocando. Evidentemente, a situação é sempre mais grave para os pobres, de ambas as partes do país.

  • Dilma tira voto de Serra

    A pesquisa realizada pela CNT/Sensus revela que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (foto), pré-candidata do PT à presidência da República, está crescendo a cada nova sondagem, enquanto seu potencial rival, o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, está na rota contrária, caindo em cada pesquisa. Desta forma, ao que tudo indica, Dilma Rousseff se aproxima daquele que será um grande fato histórico para o Brasil, a eleição da primeira mulher para  presidente do país.
    Este blog vai acompanhar com dedicação esta que poderá ser uma das eleições mais emocionantes de nossa história política.
    Leia a análise abaixo.
    Levon
    * José Dirceu
    “Ainda que tentando disfarçar, como sempre, a mídia não consegue conter o seu desespero hoje com a queda da candidatura José Serra (PSDB) e o crescimento do nome da ministra Dilma Rousseff (PT e aliados) na pesquisa CNT/Sensus.

    O noticiário parece samba de uma nota só: a tônica de todos os jornais ao noticiar a pesquisa é que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) na disputa ajuda Dilma a encostar em Serra. Com ele fora, ela estaciona e Serra leva vários pontos de vantagem. Típica análise talhada para ajudar o candidato da mídia (Serra), estimular Ciro a sair para presidente, garantir um 2º turno e acabar o caráter plebiscitário da disputa.

    Ou seja, os jornalões vêm com a toada de sempre: Ciro ajuda Dilma a subir e precisa sair candidato a presidente cobram eles. Até parece que querem isso mesmo e não acordaram para o fato de que a candidatura do deputado diminui os votos de Serra! Mas a mentira tem perna curta. O fato (que procuram esconder) é que Ciro caiu também junto com Serra. A verdade mais importante dessa pesquisa é que Dilma sobe (não Ciro) e tira votos de Serra.

    É preciso fazer outra pesquisa quando Ciro desistir – se desistir da candidatura à presidência, o que é uma decisão dele e do PSB – para se saber qual sua real influência no páreo. Nessa outra sondagem, aí sim vamos ver que Dilma continuará a subir e Serra a cair mesmo sem Ciro. Isso está claro desde já, mas para nossa direita midiática vale tudo, até camuflar o óbvio e manipular pesquisa.”

     * José Dirceu é membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

    Fonte: Blog do Zé Dirceu.

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  • Vox Populi aponta queda na diferença de Dilma Rousseff para José Serra

    Da EFE

    São Paulo, 29 jan (EFE).- A ministra Dilma Roussef (PT), favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser a candidata do Governo nas eleições de outubro, ganhou 9 pontos percentuais na última pesquisa realizada pela Vox Populi.

    Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, aparece com 27% das intenções de voto, embora ainda esteja distante do governador de São Paulo, José Serra, quem com 34% segue em primeiro lugar na pesquisa.

    Na pesquisa anterior da Vox Populi, publicada em dezembro, apontava um cenário no qual Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Rousseff.

    Até agora nem a ministra e o governador foram declarados, por enquanto, oficialmente candidatos de suas respectivas forças políticas, o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

    Entre os outros pré-candidatos, a senadora e ex-ministra de Lula Marina Silva (6%) aparece em quarto lugar, atrás do deputado federal Ciro Gomes (11%), aliado do Governo Lula.

    A pesquisa também traça um cenário sem Gomes na disputa, e, em tal caso, atribui 38% a Serra e 29% a Rousseff, que sairia derrotada pelo governador por 46% a 35% em um hipotético segundo turno.

    Na eleição de outubro, Lula, que goza de altos níveis de popularidade em seu país, não poderá ser candidato, pois já foi reeleito no pleito de 2006 e a Constituição impede concorrer ao terceiro mandato consecutivo. EFE

    Comentário do Luis Nassif:

    Com 27% das intenções de voto, Dilma, não está “distante” de Serra, com 34%.

    Levando em conta a margem de erro, é uma diferença pequena, que o próprio estado maior de Dilma esperava alcançar apenas em março.

    Fonte: Blog do Luis Nassif.

  • Concurso Público do Município de Taiobeiras

    A Prefeitura de Taiobeiras divulgou em 06/01/2010 o Extrato do Edital para a realização de Concurso Público para o preenchimento de 95 (noventa e cinco) vagas do quadro de pessoal do Município e 01 (uma) vaga na Câmara Municipal.
    O Concurso será realizado pela COTEC (Comissão Técnica de Concursos) da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). As incrições ocorrerão entre 8 e 31 de março, no site da Cotec ou no CVT (Centro Vocacional Tecnológico) de Taiobeiras. As provas serão aplicadas em 2 de maio.
    Os interessados devem consultar o site da Prefeitura de Taiobeiras clicando aqui.

    Estudem bastante e tenham boa sorte.

    Atualização: O Edital completo também já está disponível nos sites indicados acima.

  • Oposição aos profetas

    * Dom José Alberto Moura

    Nos escritos bíblicos encontramos, muitas vezes, narrativas sobre profetas perseguidos porque disseram a verdade e fizeram críticas a desmandos de lideranças. Deus escolhia pessoas até frágeis para a realização de missões difíceis. Jeremias, por exemplo, foi admoestado sobre sua árdua incumbência, mas com a segurança da proteção divina: “Não tenhas medo… eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes… eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te” (Jr 1, 1-19).

    Não raro até a pessoa honesta é perseguida porque sua honestidade contrasta com os projetos e práticas de pessoas sem escrúpulo em lesar o bem alheio e até o bem público na realidade da política. Há quem se vinga porque alguma pessoa ou instituição religiosa não se colocou ao lado de atitudes pouco éticas. Não se conforma com a conscientização da população sobre a responsabilidade do voto em quem realmente tem condição moral e prática de servir o bem público. Na verdade, até quem quer servir com honestidade a comunidade fica com receio dos obstáculos no exercício do mandato. A própria comunidade e toda pessoa deveriam acompanhar as pessoas eleitas para que elas exerçam o cargo de acordo com a finalidade pela qual foram escolhidas.

    Jesus anuncia a ação de Deus em bem de pessoas aceitadoras de seu projeto, manifestando sua fé mesmo nas dificuldades e nos obstáculos da vida. Assim, lembrou o milagre acontecido com a viúva de Sarepta, que beneficiou o profeta Elias, dando-lhe o pouco que tinha e suas vasilhas não ficaram sem comida. Lembra também a cura do sírio Naanã, feita com a ação do profeta Eliseu. O divino Mestre apresentou esses fatos, contrastando-os com a incredulidade dos judeus (Cf. Lucas 4, 25-30). Por isso, estes não quiseram aceitar a crítica de Jesus e o expulsaram da cidade. Se o próprio Messias não foi aceito e até o crucificaram, muitos também, por causa dele e de sua verdade, não são aceitos numa sociedade com muito paganismo, hedonismo e materialismo. O Evangelho apresenta um itinerário de vida exigente para se obter dignidade e grandeza moral. Muitos querem que a Igreja seja “light” ou leve em suas exigências. Mas ela não pode mudar os valores de Cristo. Aliás, Ele mesmo disse que o caminho que leva à salvação é estreito e exige renúncia.

    No seguimento ao Filho de Deus, como discípulos, temos que fazer a experiência de vida na contenção do que diminui ou anula o valor ético e moral da vida. Não se pode abrir mão do respeito à vida desde a fecundação até a morte natural. A família bem constituída, conforme o projeto do Criador, é um desafio frente à sua desvalorização apresentada em tantas novelas e tantas pessoas que são cegas para o valor da dignidade do matrimônio, da mulher e da sexualidade humana. A proposta cristã não pode ser vista como freio aos instintos, mas como elevação da interrelação das pessoas, que são imagem e semelhança de Deus. Mesmo nas oposições em relação aos valores humanos e cristãos, temos que apresentar e defender a verdade do humano e a perspectiva do divino no humano.

    * Dom José Alberto Moura é Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1943. Pertence à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (CSS). Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de MOC em 07 de fevereiro de 2007, tomando posse nesta Igreja Particular em Missa Solene no dia 14 de abril do mesmo ano.

    Fonte: Arquimoc.

  • A má-vontade da Revista Veja com o Bolsa Família = elite contra o povo

    De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi:

    Correio Braziliense – 27/01/2010

    É impressionante a má vontade que parte da imprensa tem com o Bolsa Família. Vira e mexe, alguém encontra um motivo para criticá-lo, tenha ou não fundamento.
    Quando acha que descobriu algo relevante, aproveita para externar sua antipatia em relação ao programa, quando não seus preconceitos contra os beneficiários.
    No último fim de semana, uma das mais importantes revistas de informação trouxe uma matéria típica dessa visão. Nela, ao questionar o que, em uma primeira impressão, parece uma decisão condenável do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que o administra, fica evidente a hostilidade que é dirigida ao programa, levando a interpretações infundadas e equivocadas.

    Ninguém é obrigado a gostar do governo e é natural que existam órgãos de imprensa que se posicionem contra ele por motivos ideológicos. No mundo inteiro, isso acontece e é até salutar que tenhamos jornais e revistas com clara inclinação política e partidária.

    O problema é que, às vezes, a circulação dessas matérias vai além da publicação de origem. Com a internet, algo escrito aqui está ali em um piscar de olhos, deixando menos nítida sua autoria.

    Como determinado texto aparece em inúmeros lugares, parece que tem uma espécie de reconhecimento universal, que todos o subscrevem.

    Foi o que aconteceu com a matéria em questão. Os mais prestigiosos blogs a republicaram, como que a endossando. Ela logo virou uma quase verdade.

    Seu fulcro é a crítica à concessão de um novo prazo de carência para a exclusão de cerca de 5,8 milhões de pessoas da cobertura do programa, seja por não cumprimento da obrigação de se recadastrar, seja pela elevação da renda familiar para além do limite de R$ 140 per capita. Elas seriam excluídas em novembro passado, mas, com a prorrogação, só o serão em 31 de outubro próximo.

    Em função disso, a revista se sentiu autorizada a chamar o programa de “Bolsa Cabresto”, como se a data fixada no ato do MDS fosse evidência suficiente de suas intenções eleitorais.

    Dado que 31 de outubro é o dia marcado para o segundo turno da eleição presidencial, estaria confirmado e provado o caráter eleitoreiro do programa. A coincidência “nada sutil” das datas explicaria tudo.

    É realmente curiosa a tese. Será que alguém imagina que a interrupção avisada de um benefício favorece o governo na eleição?

    Que o fato de 1,4 milhão de famílias saberem que perderão um rendimento vai fazer com que votem em Dilma?

    Seria algo totalmente inédito, que desafia a lógica mais banal: alguém ter mais votos quando promete que vai eliminar um benefício e ainda marca o dia (pensando nisso, será que o comando da campanha da ministra atentou para a medida?).

    O esdrúxulo argumento vem embrulhado com dados inexatos e ilações mal sustentadas. Tudo no Bolsa Família é inflado para parecer maior e pior.

    A matéria afirma que “um em cada quatro brasileiros passou a ser sustentado pelo governo” (sugerindo que através do programa), enquanto se sabe que são 12,4 milhões as famílias beneficiárias (em um total de 60,9 milhões apuradas pela última Pnad), das quais o benefício não chega a “sustentar” nem um terço.

    A “prova” que o programa seria um “poderoso cabo eleitoral” é extraordinária. Viria de um estudo que mostra que “a cada R$ 100 mil deixados pelo programa em municípios de mil habitantes” teria correspondido um acréscimo de 3% de votos para Lula nas eleições de 2006.

    Será que a revista sabe que só existem 103 municípios no Brasil (em um total de 5.565) desse porte (menos que 2 mil habitantes)? Que neles vivem apenas 158 mil eleitores (em um total de mais de 130 milhões), que representam 0,0012% do eleitorado brasileiro?

    Que o voto nominal total para presidente nesses municípios ficou perto de 125 mil? Ou seja, que esses números dizem, na verdade, que a propalada influência do programa é insignificante?

    Para corroborar a ideia de que o Bolsa Família é o “Bolsa Cabresto”, foi ouvida a opinião de um cientista político, para quem ele seria pior que o que faziam os “antigos coronéis”: “(Eles) pelo menos aliciavam votos com o próprio dinheiro. O governo atual faz isso com dinheiro público”.

    Primeiro, o poder dos antigos coronéis não vinha do dinheiro, mas do mando local. Segundo, é isso mesmo que acham os opositores do programa, que ele apenas alicia votos com recursos públicos? Ou seja, que deveria ser encerrado e terminado, a bem da moralidade?

    Enquanto for assim concebido por quem não gosta de Lula, do PT e do governo, mais o Bolsa Família ficará com a cara daqueles que o defendem. Criado em administrações tucanas e largamente ampliado e melhorado pelo governo Lula, é pena que isso aconteça. O programa deveria ser um patrimônio do país.

    Fonte: Luis Nassif.

  • Rap do Bóris

    Rap do Bóris Casoy (aquele mesmo que se faz de grande jornalista, mas que humilhou os garis ao vivo na Band, na virada do ano, além de ser torcedor fanático da velha direita golpista)