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  • Bush limpa mão em Clinton após cumprimentar haitiano

    Por Marco Bócoli, no Blog do Luis Nassif

    Vídeo de Bush “limpando a mão” em Clinton é sensação na internet.

    A ida dos dois últimos presidentes dos EUA ao Haiti deveria ter chamado a atenção para a atitude humanitária dos dois rivais em ajuda ao povo caribenho. Entretanto, o gesto bastante curioso de George W. Bush acabou chamando bastante atenção.

  • O pobre, o reino e o antirreino

    Mais uma vez aproveito o tempo especial da Quaresma – preparação para a Páscoa – para lhe oferecer uma oportunidade de refletir. Veja este texto que escrevi em 2008 e publiquei no antigo blog e no livro Blogosfera dos Gerais.


    * Levon do Nascimento, em 20 de outubro de 2008.


    Assumir a evangélica opção preferencial pelos pobres não é fácil. Muitos pensam apenas em se tratar de fazer caridade. Aquela caridade de dar comida e roupa a quem não as tem. É também. Mas isto é só o começo. É algo bem maior. É libertar o ser humano de todas as amarras materiais e espirituais que o impedem de viver a riqueza de Deus (o usufruto dos bens da vida e a integridade dos valores eternos e divinos).

    Assim, às vezes, conviver com pessoas que são detestadas por quem se considera honesto, justo, seguidor das leis humanas e/ou divinas, também pode ser um ato de estar com os pobres. O próprio Jesus conviveu com cobradores de impostos, prostitutas e ladrões. Nunca se tornou como eles. Ao contrário, levou-os ao seu exemplo e seguimento.

    A opção pelo pobre, especialmente os pobres mesmos, os deserdados e excluídos, é mais do que simples ação de fim de ano ou caridade de limpeza de consciência. É ter a coragem de se tornar profeta ou até mesmo mártir por uma causa que valha a pena. Dizia uma velha canção que “o sangue vermelho dos mártires fez a semente do Evangelho se espalhar”. De fato, os Atos dos Apóstolos nos revelam que quanto mais os primeiros cristãos eram perseguidos e presos, torturados e mortos, mais e mais pessoas, especialmente pagãos, pobres e escravos, se convertiam à nova fé em Cristo.

    O Evangelho ou Boa Notícia, anunciado por um Jesus humano, pobre, filho de carpinteiro é, por essência, revolucionário e transformador em qualquer época e sociedade. Não somente e puramente no plano político ou material. Ele transcende as realidades do universo. É espiritualmente revolucionário. Começa no cotidiano da vida terrena e se completa na felicidade celestial da salvação dos homens e das mulheres que seguirem os seus valores, até se encontrarem com o Jesus divino, o ressuscitado, o Senhor.

    O Evangelho de Jesus Cristo aponta para o Reino de Deus. Reino este que, segundo o próprio Jesus, em metáfora humana, é semelhante a um banquete. Ora, num banquete todos os convidados estão alegres, se confraternizam e dividem entre si os alimentos e as bebidas. É uma festa. Logo, o Reino do Pai é uma comemoração. E todas as pessoas são convidadas.

    No entanto, não é um Reino somente para depois da morte. Jesus mesmo, em todas as ocasiões, buscou se banquetear com seus amigos e seguidores. Multiplicou o pão para o povo faminto a fim de não vê-lo sofrer e de tê-lo perto de si, ao invés de enviá-lo à cidade mais próxima para comprar comida. A fim de unir seus discípulos, despediu-se deles numa Ceia, na qual Ele próprio se fez alimento para saciá-los durante a luta que haveria de vir até sua volta. O Reino de Deus, pregado por Jesus, não suporta a fome, a divisão e a exclusão. É um Reino de justiça, de paz e de igualdade.

    O contrário do Reino anunciado por Cristo é o antirreino. E se engana quem acha que é apenas aquele inferno alegórico da Idade Média. É o mau espiritual também. Mas começa no cotidiano da vida. São as peias e instituições humanas que provocam a competição, a rivalidade, a desigualdade, o egoísmo e todo azar de males humanos.

    Os sistemas econômicos e políticos, quando utilizados para satisfazerem os egos perniciosos de pessoas ou grupos elitistas, em detrimento dos apelos dos pobres, tornam-se antirreinos; causadores da divisão; diabos (quem divide, separa, espalha) a assombrar os homens com a fome, as pestes, as guerras, as injúrias e as infâmias.

    No entanto, o antirreino tem estratégias de dominação e sedução que, às vezes, chegam a confundir o seguidores de Cristo e de seu Evangelho. Apresenta-se belo, admirável e seguro. Induz ao erro. Mutila as consciências. Aliena.

    Nas figuras metafóricas de linguagem do livro do Apocalipse, fala-se em bestas (tudo que é contra o Reino de Deus) que adquirem poder sobre as nações e os homens. Numa dessas passagens, há uma segunda besta que incute símbolos nas pessoas crédulas, incapazes de se perceberem dominadas. Tais sinais servem para tudo: comprar, vender, demonstrar reverência à besta. Somente aqueles que se mantiverem atentos ao Evangelho perceberão tais armadilhas, mas serão perseguidos até o Salvador venha redimi-los definitivamente.

    Isto significa que os sistemas humanos, principalmente o econômico e o político, amparados nas técnicas de marketing e propaganda, iludem as pessoas com falsos valores, que lhes retiram a dignidade e a consciência, fazendo-as desprezarem a si mesmas, aos seus irmãos e a Deus para seguirem ditames que prejudicam a elas próprias, sem que percebam. Quem rejeita tais sistemas corre o risco da exclusão social e econômica, mas é amado por Deus.

    Símbolos vazios de sentido, sinais do antirreino, amarelados pelo tempo, ornam as inconsciências de muitos. Aguardam pelo sopro do Espírito daquele que veio anunciar o Reino, para enfim tombarem na escuridão do esquecimento, destronados pela justiça que vem de Deus.

    O antirreino tem seus estratagemas. Mas é pueril. Será destruído. O Reino de Deus, ao contrário, é forte e eterno. Vencerá. O sangue do Cristo, unido ao dos mártires, é o fundamento de sua existência pelos séculos sem fim.

    Fonte:
    NASCIMENTO, Levon do. Blogosfera dos Gerais: opinião, testemunho e outras reflexões. 1.ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2009. pp. 43-46.

  • Martírio de Oscar Romero

    Hoje, 30 anos do assassinato-martírio de Dom Oscar Romero, Arcebispo de San Salvador (El Salvador). Sacrifício em favor do povo oprimido pela Guerra Civil patrocinada pelos EUA na América Central (contexto da Guerra Fria).

    24 de março de 1980.

    Veja:

  • Dom Helder: o santo rebelde

    Quaresma é um tempo especial de preparação para a Páscoa de Jesus – a maior festa do cristianismo. Tempo especial de nos inspirarmos nos grandes “santos”, fieis a Jesus Cristo e aos mais humilhados. Um exemplo é Dom Helder Câmara. Sigamos o seu exemplo e estejamos cada vez mais próximos do “peregrino” de Nazaré.

  • Pai Nosso dos Mártires

    Quaresma é preparação para a Páscoa de Cristo. É um tempo todo especial de reviver a memória dos Mártires de ontem e hoje. Tempo de celebrar a esperança, a loucura e a coragem dos que acreditaram e acreditam na Ressurreição, não tendo medo de entregar a própria vida em favor dos irmãos, na comunhão eterna com o Cristo Libertador.

    Pai Nosso dos Mártires
    (Cirineu Kubn)

    Pai nosso, dos pobres marginalizados
    Pai nosso, dos mártires, dos torturados.
    Teu nome é santificado naqueles que morrem defendendo a vida,
    Teu nome é glorificado, quando a justiça é nossa medida
    Teu reino é de liberdade, de fraternidade, paz e comunhão
    Maldita toda a violência que devora a vida pela repressão.
    O, o, o, o, O, o, o, o
    Queremos fazer Tua vontade, és o verdadeiro Deus libertador,
    Não vamos seguir as doutrinas corrompidas pelo poder opressor.
    Pedimos-Te o pão da vida, o pão da segurança, o pão das multidões.
    O pão que traz humanidade, que constrói o homem em vez de canhões
    O, o, o, o, O, o, o, o
    Perdoa-nos quando por medo ficamos calados diante da morte,
    Perdoa e destrói os reinos em que a corrupção é mais forte.
    Protege-nos da crueldade, do esquadrão da morte, dos prevalecidos
    Pai nosso revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos
    Pai nosso, revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos
    O, o, o, o, O, o, o, o
    Pai nosso, dos pobres marginalizados
    Pai nosso, dos mártires, dos torturados.

  • Zé Vicente: nas horas de Deus, amém!

    Zé Vicente, cearense, é um cantor cristão extremamente criativo e engajado entre a fé evangélica e a luta social no cotidiano dos filhos e das filhas de Deus.

    Com a onda capitalista da música religiosa (que em alguns casos serve mais ao dinheiro do que a Deus), hoje pouco se fala nele em muitas comunidades e paróquias. No entanto, é difícil alguém não conhecer uma canção sua cantada em algum momento importante da caminhada eclesial. É o dilema do “pobre” nazareno contra o “rico” sinédrio de Jerusalém.

    Entre os vários sucessos de sua autoria se destacam: Baião das Comunidades, “Quando o Espírito de Deus soprou…”, Olha a glória de Deus brilhando, Nas horas de Deus, amém!, Tua Palavra é luz do meu caminho, Utopia (Quando o dia da paz renascer…), Pelos caminhos d’América, Bandeira da Paz, O Deus que me criou me quis me consagrou, dentre outros.

    Veja alguns instantes de uma apresentação sua, bastante livre e descontraída, no Pentecostes de 2009, na cidade baiana de Condeúba, microrregião da Serra Geral da Bahia, vizinha do Alto Rio Pardo mineiro.

  • Se calarem a voz dos profetas…

    “Se calarem a voz dos profetas… as pedras falarão… se fecharem uns poucos caminhos… mil trilhas nascerão…”

    Quaresma: tempo de profecia.
  • Visita de Lula a Israel

    * Pe. José Oscar Beozzo, no site Adital

    A Folha ofereceu neste domingo duas entrevistas a respeito da conturbada situação em Israel e nos territórios por ele ocupados: uma com Dorit Shavit, diretora para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores de Israel e outra com Nabil Shaath, que foi o primeiro chancelar da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

    Dorit Shavit disse que alertaria Lula de que o Irã desenvolve “não só um programa nuclear, mas armas atômicas” e que “se obtiverem armas atômicas, ameaçarão todo o Oriente Médio e o mundo, porque terá início uma corrida armamentista regional”.

    Não ocorreu à Folha perguntar à Dorit Shavit se as armas atômicas que Israel desenvolveu e introduziu no Oriente Médio (segundo especialistas Israel teria cerca de 300 ogivas nucleares operacionais) não constituem nenhuma ameaça aos seus vizinhos, nem estão provocando corrida armamentista regional?

    Não ocorreu também à Folha perguntar a Dorit Shavit por que Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear ratificado por 187 países em todo o mundo, inclusive o Irã?

    Não ocorreu igualmente ao repórter da Folha perguntar por que não aceita Israel que suas instalações nucleares de Dimona no deserto do Neguev sejam inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)? Nem por que o Conselho de Segurança da ONU jamais ameaça Israel, por não submeter seu programa nuclear à inspeção internacional? A AIEA inspeciona regularmente as instalações do Irã!

    A entrevista parece mais um “press-release” do Ministério das Relações Exteriores de Israel do que a pauta de um jornal interessado em esclarecer seus leitores acerca do complexo jogo de interesses e de poder no Oriente Médio.

    Esclareço que sou formalmente contra o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã, como por parte de Israel, Estados Unidos, Rússia, Grã Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Coréia do Norte ou qualquer outro país e não apenas contra esse procedimento por parte do Irã ou da Coréia do Norte, que monopolizam hipocritamente a execração por parte dos países que desenvolveram armas nucleares, seguidos em sua posição por boa parte da mídia, como se viu na reportagem da Folha de São Paulo.

    * Coordenador geral do Cesep (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular). Vigário da Paróquia São Benedito em Lins. Membro e ex-presidente do Cehila (Comissão de Estudos da História da Igreja no Brasil e na América Latina)

    Levon recomenda, ainda:

    Quaresma: em busca de uma nova ascese

    A hora e a vez dos asiáticos

    O guerreiro Obama e o peixe fora d’água

    Criança e Consumo

  • 20 de março: reinauguração da Matriz II

    Imagens da Matriz de São Sebastião de Taiobeiras reformada, quase pronta para a reinauguração que ocorrerá às 19 horas do próximo sábado, dia 20 de março de 2010, com a presença de Dom José Alberto Moura, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros.
    Interior da Matriz, com vista para o presbitério (altar) >
     < Sino, na torre, com os seguintes dizeres em português da época: "TAYOBEIRAS – SÃO SEBASTIÃO 1941 – BEMFEITOR MEU – JUSCELINO CARDOSO DE OLIVEIRA"
    Interior da Matriz, com vista para a porta principal >
    > Vista da Praça da Matriz através de uma fresta da janela da torre.
    Matriz vista do canteiro central da Praça >

    As imagens, exceto a última, foram fotografadas em 16 de março de 2010. A última foto, em 07 de março de 2010.

  • 20 de março: reinauguração da Matriz

    O vereador Vavá, coordenador da Pastoral do Dízimo e membro da Comissão de Reforma da Matriz de Taiobeiras, me informou que o Conselho de Pastoral Paroquial, em conjunto com o pároco, Pe Ivan e com o vigário paroquial, Pe. Valdir, marcou para 20 de março de 2010, um sábado, às 19 horas, a Reinauguração da Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras.

    A matriz está fechada há mais de um ano. A reforma, no entanto, começou na segunda-feira da Páscoa de 2009, dia 13 de abril. Foi a mais longa e profunda intervenção na estrutura do templo taiobeirense que tem mais de 50 anos de existência.

    Em princípio, houve polêmica quanto a reforma, pois havia defensores da ideia de demolição ou desfiguração das características da igreja. Por fim, após intervenção do Conselho Municipal de Cultura e de parcela significativa da comunidade, decidiu-se manter o projeto original do templo construído quando Frei Jucundiano de Kok era o pároco. A coordenação do então seminarista e atual Padre Antônio Teixeira foi muito importante para dar credibilidade e orientação nos trabalhos de recuperação da Matriz. Através de sua ação, a população católica de Taiobeiras se envolveu bastante nas promoções que angariaram os recursos.

    Para ler o que já publiquei sobre a Igreja Matriz de Taiobeiras clique nos links a seguir: Igreja de São Sebastião de Taiobeiras, de Nair Marques Freitas e Reforma do coração, artigo meu.

    PS.: Informação da Pastoral da Comunicação da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras dá conta de que a missa de reinauguração da Matriz será presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom José Alberto Moura. Na sexta-feira, 19/03, este blog divulgará uma relato da história da Igreja Matriz de Taiobeiras. Não perca.

  • Sobre cotas raciais no Brasil

    Trata-se do depoimento histórico do professor Luiz Felipe de Alencastro no Supremo Tribunal Federal, no dia quatro deste mês, no quadro dos pronunciamentos que antecedem o julgamento das cotas.

    Alencastro é o responsável pela cadeira de História do Brasil na Sorbonne e autor do livro clássico “Trato dos Viventes”, Editora Companhia das Letras, sobre o tráfico negreiro – um “Casa Grande” contemporâneo. Alencastro lembra:

    Em 2010, os afrodescendentes, os que se dizem pretos e pardos, são a maioria da população brasileira. Nenhum país foi tão escravista quanto o Brasil. Dos 11 milhões de escravos vivos que chegaram às Américas, entre 1550 e 1886, 44% vieram para o Brasil, ou seja, 5 milhões. Eles vieram sob tortura, trazidos por negreiros lusos e brasileiros e, depois, por traficantes brasileiros. Vinham acorrentados, como descrevia Castro Alves, que sabia disso, porque o padrasto era negreiro. Das 35 mil viagens através do Atlântico, nenhum barco africano esteve envolvido no tráfico. Alô, alô, Senador DEM-óstenes (clique aqui para ler “DEM-óstenes põe a culpa nos africanos pela escravidão”)

    No Século XIX, o Brasil foi a ÚNICA nação independente que traficava escravos. A Lei estabeleceu que, em 1831, os negros que chegassem a uma praia brasileira eram considerados livres. Porém, a Lei e as instituições fizeram vista grossa e foi possível re-escravizar por sequestro. Era o sequestro de homens livres. Assim, desde 1831, 760 mil negros e seus descendentes foram mantidos ilegalmente na escravidão, até 1888. Eles não eram escravos. Eram sequestrados.

    Esse pacto entre sequestradores de homens livres para torná-los escravos e as instituições brasileiras é, segundo Alencastro, o “pecado original” da democracia brasileira. E, por isso, não só os negros pagam pela escravidão.

    A violência contra o escravo contaminou tudo. A violência policial surge como subproduto da escravidão. Como punir o escravo delinquente, sem privar seu proprietário do trabalho do encarcerado? Desde 1824 tinham sido extintas, formalmente, as punições físicas a presos. Mas, pesou sobre toda a população negra E LIVRE o temor de ser açoitado, como substituto do encarceramento. O terror, a tortura, o açoite intimidavam o escravo – e todos os outros cidadãos pobres. O proprietário preferia punir com o açoite a prender.

    Os pobres também pagaram o preço da herança escravista e sua violência. Eles também eram vítimas da violência corriqueira. Além disso, a Lei Saraiva, de 1881, impediu o voto do analfabeto e, portanto, bloqueou o acesso de libertos e futuros libertos à cidadania. Isso permaneceu até 1985, quando a Lei autorizou o voto do analfabeto. Mas a exclusão permaneceu, sobretudo na população negra, onde o analfabetismo é maior.

    As taras do Século XIX contaminaram o país inteiro – negros e braços. Só a redução da discriminação consolidará nossa democracia. A política afirmativa e a adoção das cotas aperfeiçoam a democracia. Não tem sentido fazer alarmismo e dizer que as cotas vão transformar o Brasil numa Ruanda, um país em que a independência ocorreu em 1962.

    As cotas já existem !, – enfatizou Alencastro. Dezenas de milhares de brasileiros entraram na universidade através do ProUni. 52 mil estudantes de universidades públicas entraram através de cotas e não se tem notícia de violência – nada que se compare aos trotes. O acesso à universidade é o estrangulamento essencial à democracia brasileira. Essa discussão não deve ser ideológica ou partidária, como lembrou o Senador Paulo Paim – lembrou Alencastro.

    As primeiras medidas para reduzir a discriminação foram tomadas pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente do IPEA – instituição de onde Alencastro tirou informações para o pronunciamento – no Governo Fernando Henrique, Roberto Martins, é a favor das cotas. O presidente do IPEA no Governo Lula é Marcio Pochman, a favor das cotas. (A reprodução não é literal e foi feita por Paulo Henirque Amorim

    Alencastro pode ser o responsável pelo mais iluminado depoimento nas audiências ao Supremo. Nem o Supremo Presidente do Supremo – que já indicou ser contra as cotas e aconselhou a principal a advogada dos DEMOS que combate as cotas – nem Ele será capaz de resistir à dialética de Alencastro. A luz se fará. Como diria Castro Alves, o pronunciamento de Alencastro foi o “o germe-que faz a palma, a chuva-que faz o mar.
     
    Fonte: Paulo Henrique Amorim

  • Pe. Gledson: A prática do amor fraterno

    A prática do Amor Fraterno: uma herança apostólica

    * Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

    Os Doze apóstolos foram os primeiros a confiar no Filho Amado, depois de terem tido o privilégio de conhecê-lo. Seu conhecimento da manifestação da caridade divina é o de testemunhos oculares. Durante sua vida comum, com Cristo, os apóstolos reconheceram nele o Verbo de vida, por lhe terem experimentado a virtude ou vislumbrado a glória. A manifestação do ágape divino, objeto de fé dos apóstolos, é o Cristo encarnado e redentor. Os Doze discerniram essa manifestação viva e tangível “entre eles”.

    Se o amor compreende toda a atividade de Deus, todas as suas relações com o Filho e as criaturas, é por ter-se inscrito na natureza de Deus. Com efeito, o apóstolo João não diz que Deus é “amante”, ou somente que ele “ama”, mas que “ele é amor”. Mais ainda: não se trata de uma definição de seu ser, mas antes, a mais exata concepção que poderíamos ter de sua natureza.

    Se o cristão se define como “aquele que ama de caridade”, é porque se caracteriza por um modo de amor, um tipo de amor totalmente particular, de qualidade divina e, em conseqüência, recebe uma denominação original entre todas as outras benevolências e beneficências: o ágape de origem celeste. 1Jo 4,7 refere-se a este caráter divino da caridade: “este amor é de Deus”. O ágape é fruto da “semente” divina recebida no batismo. Por isso, o gerado do Pai é capaz de amar divinamente.

    Dizer que o cristão deve amar porque é gerado por Deus, significa que o amor tem uma afinidade com a natureza de Deus. O amor encontra em Deus a sua plenitude, sua fonte. Assim, tendo compreendido tudo quanto havia de caridade no coração de Cristo e manifestado em sua morte, o discípulo que Jesus amava concluiu haver em Deus um amor idêntico àquele que discernira no Verbo feito carne. Desse modo, na vida e nos lábios de Jesus, as expressões do amor divino são de tal forma extremas, múltiplas e como que gritantes, que o ágape do Pai é o atributo mais freqüentemente atestado por ser o mais manifesto.

    O ágape do Pai, com efeito, refletia-se na vida de seu Filho único. A fé consistia, precisamente, em discernir no homem Jesus a presença e a natureza de Deus, em descobrir que Deus é caridade, isto é, um amor que se traduz, comunica-se e se doa. Acreditar no amor que Deus tem “no meio de nós” não é apenas confessar o Cristo salvador que manifesta essa caridade; é dar-lhe acolhimento, permanecer unido a Ele e dele viver. É, por conseguinte, incorporar-se ao ágape divino, “permanecer no amor”, que, por sua vez, é uma definição do cristão, ou seja, daquele que adere à revelação que Jesus fez do verdadeiro Deus e se insere na sua economia de salvação, sendo fiel a seus preceitos, especialmente àquele da dileção fraterna. Na verdade, o ágape é um elo, uma união, e, já que Deus é amor, permanecer neste amor é estar permanentemente no próprio Deus.

    Não poderíamos conceber esse ágape como um meio ou um ambiente, nem mesmo uma virtude. São relações pessoais que se instauram entre o crente e Deus, como Jesus o exprimira (cf. Jo 17,26). Assim, amar, segundo São João, é estar presente um ao outro, é ser para outro, em função do outro e, em última instância, ser um no outro. Como as pessoas autônomas não se podem fundir numa só, essa imanência recíproca deve ser concebida como uma assimilação dos cristãos a Deus. De fato, somente pelo amor os cristãos se tornam semelhantes ao Pai.

     * Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis é sacerdote da Arquidiocese de Montes Claros/MG.

  • "Nós somos o mundo" pelo Haiti

    We are the world (Nós somos o mundo) pelo Haiti:

    Sempre gostei da música “We are the world”. Sei que os EUA são grandes responsáveis, em parte, pelos problemas sociais e econômicos do Haiti. Mesmo assim acho bonita a música e a atitude de alguns cidadãos norte-americanos em participar da campanha pela reconstrução do Haiti. Não esquecendo que o Brasil tem um papel importantíssimo neste processo. Viva o povo do Haiti! Viva nossa América Latina!
  • Aos 30 anos do martírio de São Romero

    * Dom Pedro Casaldáliga

    Tradução: Adital.

    Celebrar um Jubileu de nosso São Romero da América é celebrar um testemunho que nos contagia de profecia. É assumir comprometidamente as causas, a causa pelas quais nosso São Romero é mártir. Grande testemunho no seguimento da Testemunha maior, a Testemunha fiel, Jesus. O sangue dos mártires é aquele cálice que todos/as podemos e devemos beber. Sempre e em todas as circunstâncias, a memória do martírio é uma memória subversiva.

    Trinta anos se passaram desde aquela Eucaristia plena na Capela do Hospital. Naquele dia nosso santo nos escreveu: “Nós cremos na vitória da ressurreição”. E, muitas vezes, disse, profetizando um tempo novo, “se me matam, ressuscitarei no povo salvadorenho”. E com todas as ambiguidades da história em processo, nosso São Romero está ressuscitando em El Salvador, em Nossa América e no Mundo.

    Este jubileu deve renovar em todos nós uma esperança, lúcida, crítica; porém, invencível. “Tudo é graça”, tudo é Páscoa, se entramos com todo o risco no mistério da ceia partilhada, da cruz e da ressurreição.

    São Romero nos ensina e nos “cobra” que vivamos uma espiritualidade integral, uma santidade tão mística quanto política. Na vida diária e nos processos maiores da justiça e da paz, “com os pobres da terra”, na família, na rua, no trabalho, no movimento popular e na pastoral encarnada. Ele nos espera na luta diária contra essa espécie de gangue monstruosa que é o capitalismo neoliberal, contra o mercado onímodo, contra o consumismo desenfreado. A Campanha da Fraternidade do Brasil, neste ano é ecumênica e nos recorda a palavra contundente de Jesus: “vocês não podem servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro”.

    Respondendo àqueles que, na sociedade e na Igreja, tentam desmoralizar a Teologia da Libertação, o caminhar dos pobres em comunidades, esse novo modo de ser Igreja, nosso pastor e mártir replicava: “existe um ‘ateísmo’ mais próximo e mais perigoso para nossa Igreja: o ateísmo do capitalismo quando os bens materiais são erigidos em ídolos e substituem a Deus”.

    Fieis aos signos dos tempos, como Romero, atualizando os rostos dos pobres e as urgências sociais e pastorais, devemos sublinhar nesse jubileu causas maiores, algumas delas verdadeiros paradigmas. O ecumenismo e o macroecumenismo, em diálogo religioso e em koinonia universal. Os direitos dos emigrantes contra as leis de segregação. A solidariedade e a intersolidariedade. A grande causa ecológica.

    Precisamente nossa Agenda Latinoamericana desse ano está dedicada à problemática ecológica, com um título desafiador: “Salvemo-nos com o Planeta”). A integração de Nossa América. As campanhas pela paz efetiva, denunciando o crescente militarismo e a proliferação das armas. Urgindo sempre umas transformações eclesiais, com o protagonismo do laicato, pedido em Santo Domingo, e a igualdade da mulher nos ministérios eclesiais. O desafio da violência cotidiana, sobretudo na juventude, manipulada pelos meios de comunicação alienadores e pela epidemia mundial das drogas.
    Sempre e cada vez mais, quando maiores sejam os desafios, viveremos a opção pelos pobres, a esperança “contra toda esperança”. No seguimento de Jesus, Reino adentro. Nossa coerência será a melhor canonização de “São Romero da América, Pastor e Mártir”.

    < * Dom Pedro Casaldáliga é Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia/MT.

  • Novidades…

    Novidades interessantes…

    A artista plástica (pintora) Elisiana Alves, ex-secretária de Cultura de Taiobeiras, que já foi tema de um post neste blog no final de fevereiro, está atuando em projetos bastante importantes. Como pintora ela trabalha na criação de 22 aquarelas (vide imagem) que ilustrarão o Plano Nacional de Desenvolvimento das Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Importante ressaltar que é nestas regiões que serão instaladas as plataformas de exploração do Pré-Sal. Como consultora da SEPLAG do Rio de Janeiro e da Petrobrás, Elisiana também participa da elaboração dos capítulos de Etnografia deste mesmo plano nacional. Confira mais informações em seu blog clicando aqui.

    Outra novidade é a criação do blog do Padre Lucimar de Assis, sf, natural de Taiobeiras, que mora na Espanha. Para conhecer o blog que se chama Família, pressione aqui.

  • A falta de liderança nossa de cada dia

    * Levon do Nascimento, para a Folha Regional

    Já ouvi de várias pessoas as seguintes frases: “Taiobeiras só teve bons prefeitos”. “Uilton era organizado”. “Isalino foi muito honesto na prefeitura”. “Lúcio era um empreendedor”. “Joel, além de popular, trouxe muitas obras”. “Nen Sena e Dona Lia investiram muito na expansão do ensino e na melhoria da saúde”. “Denerval é um bom administrador e planeja tudo”.

    Deve ser líquido e certeiro que todas essas assertivas do compêndio popular, listadas no parágrafo anterior, carregam um gérmen de verdade. Mas cabe uma análise histórica metódica para confirmar cientificamente tais afirmações. Deixo isto para algum momento posterior ou para outros que queiram aceitar a empreitada. Lanço, de fato, um questionamento crítico. Se sempre tivemos bons líderes, como parece correto, então por que tão poucas opções de nomes se viabilizam para a discussão de ideias e para o embate político propriamente dito, nestas terras de Bom Jardim das Taiobeiras? Em outras palavras: temos várias pessoas com potencial de liderança, porém pouquíssimas ou nenhuma se aventuram a propor um debate de ideias sobre o desenvolvimento e o futuro do município.

    Verificamos, na história passada e na presente, uma órbita composta por vários nomes-satélites que se ligam a verdadeiros astros-messias que gravitam de tempos em tempos. Partindo de Joel e chegando ao presente grupo de Denerval, à sombra destes senhores não florescem potenciais sucessores com identidade própria e definida. E não posso afirmar que seja por culpa deles ou se por conta de uma condicionante histórica socialmente construída ao longo do tempo. Aos nomes que se assentam à távola não tão redonda destes senhores, impõe-se a dura sina de repetir mecanicamente os mantras entoados por seus mestres. No passado o discurso era o da busca de obras ou o de que o chefe era perseguido por sua bondade para com o “povão”. No presente, cantarolam a lisura das contas, o arrojo empreendedor da máquina pública e a administração científica empresarial. Nenhuma fala é criativa ou distinta “em substância” à do senhor.

    Notem, não proponho que quem esteja num governo qualquer afronte o eleito com críticas disparatadas ao seu modo de agir. Falo de brilho, de carisma, de ideias próprias e de lucidez política dos que, eventualmente, poderiam assumir a liderança de um novo projeto, sucessório ou não, ao dos grupos que integram.

    Para ser mais claro, se compararmos nossos “bons prefeitos” com árvores frondosas, testemunharemos que debaixo de sua sombra não nascem novas árvores que venham a atingir o mesmo porte. Eles nunca se preocuparam ou nunca quiseram construir grandes líderes que lhes sucedessem. A construção é sempre de pálidos reflexos de seus próprios egos. Daí se explica porque as campanhas eleitorais em Taiobeiras são tão caras, dispendiosas e insanas; e isto em linha ascendente na história. Pois, o que não se consegue pelo carisma, pelo debate franco de ideias e pela “bagunça” democrática, se tenta alcançar pelas forças do dinheiro e da sedução dos interesses pessoais.

    Vamos pensar, meu povo! Que líderes queremos? Os vinculados somente ao dinheiro, que com ele criam uma situação de ficção visual; ou os peregrinos das ideias, que na luta podem provocar verdadeiras transformações? A resposta é sua, na urna e na participação. Incrivelmente, eu lamento já intuí-la. Mesmo assim, não perco a esperança.

    * Publicado em 10 de março de 2010 na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG (Ano VIII, nº 159)

  • O tempo

    Chega um tempo em que as coisas mudam de lugar.
    Em que o predomínio da vontade única sede caminho aos anseios plurais.
    Chega um tempo em que o poder cai sobre a areia.
    Em que suas raízes apodrecem e dão espaço a novas.
    Chega um tempo em que não vemos mais embaçada a realidade diante de nossos olhos.
    É o tempo da confiança e do amadurecimento.
    Chegou o vento da novidade! É o tempo de esperança!
  • A miséria moral de ex-esquerdistas

    * Emir Sader, sociólogo.

    Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

    O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

    O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida –, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

    Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.

    Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

    Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula e o PT como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.

    Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

    Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

    Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.

    Fonte: Portal Luis Nassif.

  • Prefeitos abrem guerra contra mineroduto no Norte de Minas

    * Fonte: Blog do Latinha, de Guanambi/Bahia.

    O anúncio de investimentos para a exploração das jazidas de minério de ferro descobertas no Norte de Minas – estimadas em 12 bilhões de toneladas – criou a expectativa de geração de mais de 20 mil empregos numa região que sempre conviveu com pobreza, agravada pela falta de chuvas. Mas gerou também uma polêmica em torno do escoamento da produção. Um dos grupos investidores anunciou a intenção de construir um mineroduto ligando a região até um porto no Sul da Bahia, alegando redução de custos.

    A iniciativa confronta com a proposta do governo de Minas, que gostaria de implantar uma ferrovia de 200 quilômetros de Grão-Mogol a Caetité, também na Bahia. O argumento é que a ferrovia gera mais desenvolvimento e poderia transportar passageiros. A queda de braço está formada e o governo encontrou aliados nos prefeitos da região, que apontam danos ambientais e alegam que o mineroduto gera um grande consumo de água e o Norte de Minas é uma região seca. A proposta de construção do mineroduto é dos dirigentes do chamado Projeto Salinas, liderado pela Sul-Americana de Metais (SAM), controlada pela Votorantim Novos Negócios (VNN) – que está, neste momento, transferindo o empreendimento para a empresa chinesa Hondridge Holdings Ltd, por US$ 430 milhões.

    O Projeto Salinas envolve 94 permissões de exploração de direitos minerários numa área que compreende cerca de 20 municípios mineiros, onde as reservas podem chegar a 6,5 bilhões de toneladas. A previsão dos empreendedores é produzir 25 milhões de toneladas por ano, com o projeto devendo entrar em operação entre 2012 e 2014. De acordo com o geólogo João Carlos Cavalcanti, sócio do empreendimento (é dono de 22% da empresa Sul-Americana de Metais), os chineses vão garantir os investimentos de US$ 3,5 bilhões em toda logística para retirada e venda do minério.

    Cavalcanti assegurou que, dentro da infraestrutura, a ser bancada pelos chineses, foram feitos estudos para a construção de um mineroduto, ao longo de 460 quilômetros, entre Rio Pardo de Minas, sede do Projeto Salinas, e o Porto Sul, entre Itacaré e Ilhéus – num local chamado Ponta da Tulha, no Sul da Bahia. O porto, segundo ele, será implantado pelo governo federal, com o apoio do governo baiano.

    Conforme o geólogo, o mineroduto deverá custar entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão. Cavalcante disse que tomou conhecimento da disposição do governo de Minas de construir uma ferrovia e que aceita discutir o projeto, mas argumenta que o custo do transporte do minério de ferro via mineroduto é de US$ 0,36 por tonelada. Por ferrovia, disse, o valor pode chegar a US$ 15 ou US$ 16 por tonelada transportada.

    O argumento, contudo, não convence o prefeito de Rio Pardo de Minas, Antônio Pinheiro (PRTB), que se opõe à construção do mineroduto. “A população é contra o mineroduto porque vai contaminar o meio ambiente. Além disso, ele precisa de muita água, o que não temos”, afirma. O mineroduto também é rechaçado pelo prefeito de Taiobeiras, Denerval Germano da Cruz (PSDB). “A exploração mineral vai trazer desenvolvimento. Mas não pode levar um bem muito precioso para a região, que é a água”, observa, lembrando que há 12 anos lideranças regionais lutam pela construção da barragem de Berizal (no município homônimo, vizinho a Taiobeiras), financiada com recursos federais, mas que está emperrada devido à falta de licenciamento ambiental. “A ferrovia será uma opção para trazer outras riquezas para o Norte de Minas”, acredita.

    Por sua vez, o geólogo Carlos Cavalcanti ameniza as alegações dos prefeitos em relação aos impactos que seriam provocados por um mineroduto, alegando que, para cada tonelada de minério de ferro, apenas 30% seriam de água – “é uma espécie de uma polpa”, diz. O sócio do Projeto Salinas disse também que os investidores encomendaram estudos que apontam que a água para o mineroduto seria retirada de “uma grande barragem” na região, mas não informaram qual.

    A proposta do governo de Minas é a construção de uma ferrovia que sirva também para o transporte de outros produtos. O subsecretário de Desenvolvimento Mínero-metalúrgico e de Política Energética, Paulo Sérgio Ribeiro, disse que o estado não vai se opor de forma sistemática à construção de um mineroduto se a obra for apontada como essencial para a viabilidade econômica do empreendimento. Ele lembra, porém, que o governo do estado faz a opção pela ferrovia porque pretende agregar valor à exploração mineral, estimulando outras atividades econômicas no Norte de Minas, hoje, a região do estado com o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O subsecretário disse que o governo vai encomendar um estudo técnico sobre a construção da ferrovia.

    Estado de Minas

  • Sobre Mulheres e Conceitos

    * Do Blog Amor & Cia Ltda, disponível no Blog do Luis Nassif.

    Tudo bem que a Liberdade feminina nos ajudou em muitas coisas…
    Conquistamos espaços nunca antes sequer almejados por nossas mães ou avós…
    Tudo bem que agora temos empregos bem remunerados,com cargos antes sob o domínio masculino,podemos frequentar lugares sem estarmos acompanhadas ….
    Tudo bem que agora temos leis que nos amparam contra a violência ,a lei Maria da Penha,temos o direito a criar filhos sozinhas em caso de separação,temos direito á pensão alimentícia..
    Tudo bem que somos donas de nossos narizes,independentes !!
    Tudo bem que é ótimo termos nossas própias contas bancárias !!
    Tudo bem que desencostamos a barriga do tanque e do fogão,pois SABEMOS E PODEMOS fazer mais do que cozinhar e limpar !!
    Tudo bem … tudo bem … tudo bem !!!

    Mas será que não confundimos as coisas ??
    Será que muitas de nós não acabamos confundindo LIBERDADE com LIBERTINAGEM ??

    Vendo a banalização do casamento,onde casa-se e separa-se em questão de dias…
    Vendo a promiscuidade que impera..
    Vendo virgindade sendo leiloada pela internet..
    Vendo mulheres escravas do silicone, do botox, da vaidade…
    Vendo milhares de mulheres e meninas escravas da prostituição…
    Vendo milhares de crianças jogadas nas ruas por causa da falta de responsabilidade de muitas mulheres, que engravidam na mesma velocidade que abortam, que abandonam filhos em latas de lixo, jogam em rios…

    Será que conquistamos mesmo a liberdade ???
    Por ondem andam as milhares de feministas que queimaram os sutiãs á anos atrás,em nome desta liberdade ??? Como estão suas vidas,suas famílias seus filhos, seus sonhos ???

    Sou grata a tudo que conquistamos sim, mas as vezes também sinto vergonha do caminho para o qual enveredou nossas conquistas… Não temos mais as heroínas,as Joanas Darc, as Madres Teresa de Calcutá, as Irmãs Dulce…
    Mas temos a Mulher Melancia, a Mulher Melão e por que não a Mulher Jaca…
    Temos muito mais a conquistar do que isso… muito mais a oferecer do que bundas e peitos de fora..
    Temos sim !!!
    A liberdade de escolher o nosso própio caminho, com dignidade !!!

    Feliz Dia Internacional da Mulher.