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  • Cine Clube "Arte em Cena" é muito bom

    Participei ontem à noite (06/03/2010) da inauguração do Cine Clube “Arte em Cena” na Câmara Municipal. O projeto é da Associação Companhia Teatral Encena, de Taiobeiras/MG.

    Professora Marileide, uma das coordenadoras do Cine Clube Arte em Cena. >

    Já hoje (07/03/2010), levei minha filha para assistir às duas primeiras exibições do Cine Clube, também no plenário da Câmara de Taiobeiras. Vimos os filmes da sessão livre, Isabel e o Cachorro Flautista, de Cristian Sagaard e Mitos do Mundo: Como Surgiu a Noite?, de Andrés Lieban. Antes da sessão houve apresentação de grupos de Capoeira da cidade.

    A cada domingo novos filmes nacionais serão exibidos em sessões às 17h e às 19h30. Divulgarei a programação aqui no blog às sextas-feiras.

    Muita boa a iniciativa, que é possível graças aos recursos federais do Ministério da Cultura, através do Mais Cultura Cine.

    > Grupo de Capoeira na abertura da 1ª sessão do Cine Clube.

    No entanto, o público ainda foi pequeno. Falta mais divulgação e, especialmente, maior envolvimento da classe dos educadores em incentivar alunos e famílias a participarem. Os meios de comunicação da cidade, rádios, jornais e sites também podem ajudar. Cinema, ainda mais do bom, é sinal de cultura e crescimento intelectual.
  • Igreja, pedofilia, padres casados e sacerdócio feminino

    O mais recente escândalo de pedofilia na Igreja Católica – a minha Igreja – envolvendo sacerdotes alemães da região da Bavária, local de origem do Papa Bento XVI, chegando a atingir pessoas que estavam bem próximas a um irmão do pontífice, me fez mais uma vez recordar ideias que, julgo, talvez pudessem minorar este drama e devolver a credibilidade e a respeitabilidade a esta instituição tão combalida, porém tão necessária, nos dias atuais.

    As ideias ainda estão em estado bruto, sem muito amadurecimento ou elaboração. São apenas diretrizes para a formulação de um programa futuro a ser construído. Vamos a elas:

    1. Impedimento de que crianças, pré-adolescentes e adolescentes sejam aceitos em regime de internato em conventos e/ou seminários, enquanto menores de idade. O acompanhamento vocacional destes jovens, meninos e meninas, seria obrigatoriamente dirigido por uma equipe mista que envolvesse leigos casados, religiosas, sacerdotes e familiares, antes do ingresso em qualquer instituto, o que só poderia ocorrer ao atingirem a maioridade legal, segundo as leis de seus respectivos países.

    2. Oferecimento de acompanhamento psicológico a jovens postulantes da vida religiosa e do sacerdócio, bem como aos seus formadores, sobretudo com um enfoque voltado para o aprimoramento da dimensão afetiva e do pleno conhecimento das potencialidades da sexualidade, bem como dos limites que a prática cristã pressupõe para a vivência desta.

    3. Oferecimento de apoio especializado àqueles que apresentarem padrões psicológicos que poderiam levar a comportamentos de pedofilia, bem como promover punição eclesial e civil aos eventuais culpados por estes crimes, sem acobertamento.

    4. Supressão do celibato obrigatório. Uma vez que esta regra não é preceito bíblico ou dogma de fé, mas uma definição administrativa que foi útil a um determinado período histórico da Igreja e que não se coaduna mais com o momento presente, o celibato seria facultativo. Padres casados, com vida familiar, em geral estariam mais protegidos da possibilidade de cometer atos de pedofilia.

    5. A pedofilia na Igreja, para além de desvios de conduta individuais, pode muito bem ser uma patologia social, uma vez que nos meios eclesiásticos a sexualidade e a afetividade são tolhidas e confundidas com o mau ou com o pecado. Desta forma, a transgressão pedófila é a tentativa doentia, desastrada e criminosa de se estabelecer uma relação de afeto por meio da imposição do poder ao mais fraco e da submissão ao “discípulo”. Uma boa formação cristã, que ensinasse que a vida sexual é bem vista aos olhos de Deus, desde que bem vivida no matrimônio cristão, cuidaria de sepultar os caminhos da pedofilia na Igreja. Para tanto, a Igreja teria que gradativamente incentivar o casamento dos seus sacerdotes e não o contrário. Pedro, o primeiro Papa, era casado, pois Jesus curou sua sogra, de acordo com os Evangelhos.

    Evidentemente que, a pedofilia é um desvio de comportamento. Em tese, nenhuma das ideias acima seria suficiente para debelar este mal do seio da Igreja. Acredito, porém, que ajudariam a minorar o problema e a devolver a Igreja ao seu leito natural de missão: o anúncio verdadeiro do Evangelho de Cristo e o testemunho fiel de sua Palavra no mundo.

    Ah… já ia me esquecendo. O sacerdócio feminino também seria uma boa ação. Dificilmente se houve falar de pedofilia entre freiras. Além do mais, nas várias comunidades eclesiais de base, grupos de oração e demais movimentos de leigos, as mulheres já exercem o ministério da liderança a muito tempo. Falta fazer cair a mentalidade machista e patriarcal no centro da Igreja.

  • Boas leituras para você

    Minhas dicas de leitura para o seu fim de semana. Quem lê entende melhor as coisas à sua volta.

    Luciana Alvarez: Professores estaduais de SP aprovam greve a partir desta segunda: Clique aqui.

    Gilberto Maringoni: O rosnar golpista do Instituto Millenium: Clique aqui.

    Eduardo Guimarães: Veja requenta “escândalo” de 2005: Clique aqui.

    Paul Craig Roberts: Corrida insana dos EUA por hegemonia põe em risco a vida na Terra: Clique aqui.

    Leonardo Boff: Economia: três usos do dinheiro: Clique aqui.

    Dom José Alberto Moura: Aflição do povo: Clique aqui.

    Boa leitura!

  • Com os olhos da fé

    O Evangelho da Transfiguração do Senhor (cf. Lucas 9,28b-36), meditado no 2º domingo da Quaresma deste ano, permite fazer uma reflexão menos racionalista dos mistérios divinos, sem dirigir para um sentimentalismo estéril ou para uma alienação religiosa primária.

    A Transfiguração do Senhor no Monte Tabor, com toda aquela luminosidade irradiante e alocução de uma voz transcendente que provém da nuvem, aponta para a valorização da mística, inerente ao mistério cristão. Mística tão esquecida nas práticas burocráticas de nossas vidas paroquiais e nos rituais litúrgicos congêneres. Mística tão excessivamente abusada em “teologias” populistas de pouco fôlego e de muito barulho, achegadas a uma pirotecnia da fé.

    Não, a transfiguração não é pretexto para pregações milagreiras ou devotadas ao mundo mágico dos mitos, das curas e das pretensas “libertações”. A irradiante luz que alvejou as roupas do Senhor não apontavam, em nenhum instante sequer, para uma vivência da fé de maneira individualista, nem para a conformação com os problemas do mundo, à espera de um reino meramente pós-morte. Ao contrário, quando os apóstolos quiseram ali ficar, levantando tendas para melhor se aconchegarem àquele momento de sutil tranquilidade espiritual, o Senhor novamente lhes deu a missão de descerem e não contarem o que viram até a sua Ressurreição gloriosa (vitória sobre o mundo e sobre a morte). Em outras palavras, Jesus ordena manter a fé na verdade vista e escutada no Monte Tabor, no segredo do coração, porém com os pés bem fincados no sopé do monte, na planície da vida, no vale dos enfrentamentos humanos.

    A transfiguração vista pelos apóstolos abriu-lhes os olhos da fé. Fez com que ao avistarem as realidades celestes, preparassem o coração e a mente para as realidades terrestres. Não os fez se conformarem. Não lhes tornou egoístas a ponto de ficarem com a impressão daquele momento apenas para si. Impulsionou-os a descer e a viver aquela transfiguração no relacionamento com os demais irmãos e irmãs, sem que houvesse a necessidade de verbalizar tudo o que experimentaram naquele instante.

    A fé, ao contrário do que alguns dizem, quando não é alienada e conformista, torna-se força motriz dos fieis para a transfiguração do mundo, para a transformação dos corações, para edificação do Reino de Deus no universo tangível aos nossos sentidos, abrindo caminho para o intangível. Enxergar com os olhos da fé não significa apagar os erros de nossa humanidade transgressora. Qualifica-nos para o exercício da correção mútua e fraterna.

    Desçamos do monte. Caminhemos com o Senhor na História dos homens… até a Ressurreição.

  • Aeciolândia: R$ 1,69 bilhão para a côrte e nada para o povo

    O Governador Aécio Neves, do PSDB, inaugurou hoje o complexo chamado de “Cidade Administrativa de Minas Gerais”, em Belo Horizonte, onde ficarão reunidas a sede do Governo Estadual e todas as Secretarias de Estado. Uma obra inicialmente orçada em torno de meio bilhão, mas que acabou gastando quase R$ 2 bilhões e que levará 18 anos para ter o custo compensado, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo. Veja o link da matéria aqui.

    Enquanto isto, a educação de Minas Gerais – as escolas caindo aos pedaços e os salários vergonhosos do professorado – vai de ruim a pior ainda, causando um verdadeiro escândalo: gastos com o luxo da côrte e cortes naquilo que pode transformar o futuro de nossas crianças e adolescentes.

    Aécio, um político “jovem”, porém voltado para o “passado”. Não custa lembrar que o mesmo tipo de gasto exorbitante, a construção do Palácio de Versalhes pelo rei Luís XIV no início do século XVIII, levou a França à grande revolução que acabou com o poder absolutista dos Bourbons. Oxalá que o mesmo ocorra nos Gerais de Minas.
  • Notáveis do Alto Rio Pardo (cobertura)

    Acompanhe a cobertura completa da Festa dos Notáveis do Alto Rio Pardo, realizada em 27 de fevereiro passado no Avenida Hall, para comemorar o oitavo ano de circulação do Jornal Folha Regional, de Taiobeiras.

    Acompanhe os sites Folha Regional, de Taiobeiras e Paraíso Fest, de São João do Paraíso. As fotos podem ser vistas pressionando aqui.

    Foto: Foto & Filme.

  • 6 de março: "Arte em Cena" em Taiobeiras

    A Associação Companhia Teatral Encena realizará inauguração do Projeto Arte Em Cena Cine Clube no sábado, 6 de março de 2009, às 19 horas e 30 minutos, no plenário da Câmara Municipal de Taiobeiras.

    A entrada é franca e os convidados poderão apreciar cinema, literatura, música e lançamento de livros. Dentre as atrações, as seguintes: lançamento da Coleção Dagobé de Lipa Xavier, Curta: Homenagem a João Guimarães Rosa e Atrações artísticas (Reisado, Yure Colares, Bet Durães e Carla).

    Maiores informações na Secretaria de Cultura de Taiobeiras – MG, no telefone (38) 3845-3972 e com Marileide, no celular (38) 9137-3002.

    Em breve divulgarei aqui no blog mais detalhes deste projeto.

  • Elisiana Alves

    Conheço Elisiana Alves (foto) há algum tempo. Tivemos uma aproximação rápida em 2006, quando lancei meu primeiro livro, Palavras da Caminhada, e ela respondia como titular do Departamento de Cultura da Prefeitura de Taiobeiras. Graças ao seu empenho, a cerimônia de lançamento daquele trabalho se realizou.

    Apesar de vivermos na mesma cidade, não nos vemos e nem nos falamos muito. Passeando hoje pela internet, encontrei seu blog e pude acompanhar algumas de suas peripécias artísticas. Elisiana Alves é pintora. Suas telas retratam a vida, o cotidiano, o povo do Alto Rio Pardo e do Jequitinhonha.

    Transcrevo aqui o seu perfil exposto no blog:

    “Elisiana é natural de Mortugaba – BA. Reside há mais de 20 anos em Taiobeiras, norte de Minas Gerais. Iniciou-se como pintora em 1998. Autodidata, experimentou inúmeras técnicas. Sempre manteve a sua predileção pelos hidrossolúveis.”

    Seu blog é http://elisianaalves.blogspot.com/. Creio que vale boas visitas aos interessados pela arte das imagens.

    Créditos: fotografias extraídas do próprio blog de Elisiana Alves.

  • Dilma cresce em intenção de voto e já encosta em Serra, diz Datafolha

    * da Folha Online

    Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.

    No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%.

    Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.

    A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No entanto, é impreciso dizer que o levantamento indica um empate técnico entre Serra e Dilma.

    A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.

    Leia a matéria completa na Folha deste domingo, que já está nas bancas.

    * Fonte: Folha Online (Folha de S. Paulo).

  • A maldição branca

    * Eduardo Galeano
    Fonte: Grupo de Discussão Discriminação Racial

    No primeiro dia deste ano, a liberdade completou dois séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou disso, ou quase ninguém. O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.

    Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações. Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.

    O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos  jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.

    Da maldição branca não se falou.

    A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:
    – Qual foi o regime mais próspero para as colônias?

    – O anterior.
    – Pois, que seja restabelecido.
    E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.

    Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final. Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.

    Nem Bolívar

    Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.

    Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.

    Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas. E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte,  pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.

    A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.

    E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.

    Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.

    Náufragos anônimos

    Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.

    Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.

    Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo. Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes… Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.

    O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente.

    * Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.

    Este texto me foi enviado por Delci Alvez Luz, Secretário Municipal de Administração da Prefeitura Municipal de Cordeiros – Bahia, através de e-mail datado de 27/fev/2010.

  • Artigo do Padre Gledson: O valor da oração

    * Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

    No mundo hodierno, faz-se mister ratificar, dia após dia, em todo tempo e lugar, o valor da oração, sobretudo em família. A oração não só nos ajuda a perseverar na fé e na aquisição das virtudes, mas também, nos defende contra as ciladas do mal.

    Quando os discípulos de Jesus quiseram aprender como rezar corretamente, pediram isso ao Mestre: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou a seus discípulos” (cf. Lc 11,1). O Evangelista Mateus apresenta Jesus ensinando aos seus discípulos, dentro do sermão da montanha, a melhor forma de rezar, que não consiste na quantidade de palavras usadas, mas sim na sinceridade do coração (cf. Mt 6,7). De fato, não devemos rezar apenas com o intuito de que os outros vejam que estamos rezando, mas sim para que o Pai do Céu, que vê no segredo, nos dê a recompensa (cf. Mt 6,5-6). E Jesus acrescenta: “Vosso Pai sabe do que tendes necessidade muito antes de lho pedirdes” (cf. Mt 6,8). A partir daí ensina, pois, a oração do “Pai Nosso” como modelo de toda oração, como prece universal (cf. Mt 6,9-13).

    Logicamente, muitas outras orações nos permitem fazer uma experiência de proximidade com Deus, seja através d’Ele mesmo, seja através da intercessão dos santos, modelos de seguidores de Jesus para nós cristãos nos dias atuais, quer com fórmulas já prontas ou com expressões que espontaneamente brotam do nosso coração cheio de fé. Enquanto recomendação, diríamos que a Oração do Terço, por exemplo, como qualquer outra oração, deve ser rezada com devoção, atenção e piedade, evitando, enquanto possível, todo tipo de distrações. Ao recitá-lo, devemos meditar sobre os mistérios contemplados. Assim, enquanto se sucedem, em doce harmonia, as Ave-Marias, como proveitosa oração vocal, o nosso espírito se deixa elevar na meditação dos mistérios mais profundos de nossa fé, constituindo-se, também, valiosa oração mental.

    Se volvermos nossa memória a um passado não muito distante, constatamos que era um fervoroso costume no seio de nossas famílias a oração diária e conjunta, como sinal de fé e devoção. Isso, sem dúvida alguma, era um dos motivos que sustentavam as famílias na serenidade e na paz, num tempo em que a vida não era fácil, tudo era conseguido com muito esforço, dificuldades, lutas e sofrimentos, mas que, não obstante tudo isso, o mundo ainda não era tão dominado por uma violência escabrosa, por um egoísmo avassalador e por uma falta de fraternidade incomensurável. Na verdade, podemos dizer que, pela oração, nossas famílias sustentavam sua solidificada união entre seus membros e perseverante esperança na providência divina, numa total atitude de confiança e abandono nas mãos do Pai. Belos tempos em que o temor a Deus era reinante, em que vizinho ajudava vizinho sem o interesse de receber nada em troca, comadre partilhava com comadre pelo simples prazer de exercer a fraternidade – como ainda hoje costuma acontecer nas cidades do interior – e todos juntos lutavam por um objetivo comum, acreditando que era possível, já aqui na terra, fazer o Reino de Deus acontecer.

    Ainda é bom lembrar que a oração é sempre proveitosa e eficaz. Contudo, quando rezamos em comunidade, temos uma presença especial de Deus. É o próprio Jesus quem disse: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (cf. Mt 18, 20). Todavia, o valor da oração não está na quantidade, mas sim na qualidade. Ela se torna perfeita e agradável a Deus quando feita com amor e sem pressa. Ao pronunciar com os lábios as palavras da oração, devemos acompanhá-las com o coração, com o sentimento e com a alma. É assim que falamos com os pais, com os amigos e com as pessoas de quem mais gostamos. E é assim também que deveríamos falar com Deus.

    * Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis é sacerdote da Arquidiocese de Montes Claros/MG, atuando na Paróquia São Sebastião daquela cidade. No seu período de seminarista, fez estágio em Taiobeiras/MG.

  • Obras do Governo Lula em Taiobeiras

    Imitando o próprio Lula, vale a pena ressaltar que “nunca antes na história deste país” um Presidente da República investiu tantos recursos financeiros nas pequenas e médias cidades do Brasil, alavancando o seu desenvolvimento, distribuindo renda através do Bolsa Família e fomentando a geração de empregos.

    >  Foto: Presidente Lula (PT) e Ministra Dilma Rousseff, pré-candidata a Presidente da República pelo PT.

    Faço aqui abaixo um pequeno apanhado de algumas obras que tem a participação do Governo Lula (seja com recursos diretos ou em parceria com Estado e Prefeitura) no Município de Taiobeiras.

    E informo que a lista é bastante incompleta. Tem muito mais realizações. Estou pesquisando e em breve postarei mais obras do Governo do PT em Taiobeiras.

    Cozinha e Padaria Comunitária de Taiobeiras: Projeto da entidade social Affra, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social.

    Construção de Agência da Previdência Social em Taiobeiras: Valor da obra: R$ 781.018,37.

    Implantação do sistema de esgotamento sanitário do Município de Taiobeiras: Valor da obra: R$ 6.224.000,00 (maior obra física).

    Construção de Creche de Educação Infantil no Bairro Vila Formosa (nas casas populares) em Taiobeiras: Valor da obra: R$ 1.108.127,41.

    Calçamento de Ruas no Bairro Sagrada Família em Taiobeiras: Valor da obra: R$ 785.343,84.

    Por estas e outras ações, que em breve divulgarei aqui no blog, é que entendo que não pode haver retrocesso político nas eleições de 2010.

    É necessário avançar nas conquistas do Governo Lula, dando um caráter cada vez mais popular, democrático e plural na próxima gestão federal do Brasil.

  • Mais obras de Lula em Taiobeiras

    Continua a lista das obras do Governo Lula em Taiobeiras.

    E tem mais para ser informado em breve.

    Ministra Dilma e Presidente Lula,
    na foto ao lado >

    > CEO – Centro de Especialidades Odontológicas, dentro do Projeto Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde.

    Participação com recursos financeiros federais, juntamente com município e estado, na Ampla Reforma do Mercado Municipal Lúcio Miranda. >
  • Calçamento no Bairro Planalto: obra de Lula em parceria

    Mais uma obra do Governo Lula em Taiobeiras, em parceria com a Prefeitura, o calçamento de várias ruas do Bairro Planalto, um dos mais populosos e, ainda, necessitados de toda a cidade. Necessitado de atenção e de políticas públicas que elevem a qualidade de vida da população.

    < Obra no valor de R$ 785.343,84.

    Esta obra, ao lado de várias outras, algumas delas já divulgadas neste blog, compõem um quadro que demonstra que o Governo Federal, ou União, liderado pelo Presidente Lula, investe como “nunca antes na história” no município de Taiobeiras.

  • Boca no trombone 2

    A população da Rua Lambari e imediações, no Bairro Sagrada Família em Taiobeiras, está a mais de um ano convivendo com uma grande vala a céu-aberto, construída em caráter “provisório” pela Prefeitura para escoamento de águas das chuvas.

    O problema é que de provisória a vala se tornou permanente, impedindo o trânsito de veículos e ameaçando a segurança dos moradores, especialmente das crianças.
    Algumas casas estão isoladas. Nenhum veículo pode se aproximar delas.
    Também os muros ficam muito próximos do buraco, podendo desabar se houver chuva forte e enxurrada.
    O lixo é outro problema, acumulando-se no interior do canal, fazendo proliferar insetos e roedores e podendo vir a provocar doenças nas pessoas.

    Para transitar de uma rua a outra, os moradores improvisaram uma pequena ponte de madeiras roliças, no estilo “pinguela”, produzindo uma cena grotesca que a muito não se via em Taiobeiras.

    Os moradores reclamam com razão do esquecimento da Prefeitura em relação a eles. Afirmam que obras de caráter estético (embelezamento) foram priorizadas, deixando de lado um problema de segurança e saúde pública em segundo plano, porque suas casas estão situadas em uma área sem grande visibilidade pelo restante da população da cidade.

    Meu comentário:

    Embelezar a cidade é bom e necessário. Mas em primeiro plano deve vir o bem estar das pessoas, especialmente das que vivem nos locais mais afastados e/ou menos seguros da cidade.

  • Posse dos novos padres de Taiobeiras

    Hoje, 21 de fevereiro de 2010, às 9h da manhã, no Ginásio de Esportes do Centro Educacional Beliza Corrêa, ocorreu a Celebração Eucarística de posse do novo Pároco, Padre José Ivan da Costa Alkimin, e do novo Vigário Paroquial, Padre Valdir Rodrigues de Souza, da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras/MG. A celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Montes Claros/MG, Dom José Alberto Moura. Os novos padres são da Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Padre Ivan é oficialmente o 10º Pároco a tomar posse nos 75 anos de existência da Paróquia de Taiobeiras. Ao todo foram 8 párocos franciscanos, 1 diocesano e, agora, o 10º é Missionário da Sagrada Família.

    O Ginásio do Beliza ficou pequeno para a grande quantidade de pessoas que participaram da celebração. A Igreja Católica demonstrou grande força e organização. Todas as pastorais, movimentos e comunidades da Paróquia se fizeram representar com seus líderes e símbolos.

    A seguir veja as fotografias:

    < Pe. Ivan (novo Pároco), Dom José Alberto (Arcebispo) e Pe. Valdir (novo Vigário Paroquial).

    Grande quantidade de pessoas presentes à Cerimônia de Posse dos Missionários da Sagrada Família em Taiobeiras. >
    < Grupo Folclórico da cidade de Itacarambi/MG, cidade natal do Pe. Ivan e sede da Paróquia de onde este e o Pe. Valdir exerciam seu ministério antes de serem transferidos para Taiobeiras, presta homenagem aos Missionários da Sagrada Família.
      
    Outro ângulo da homenagem prestada pelo Grupo Folclórico de Itacarambi/MG, durante a celebração. >
    A Congregação dos Missionários da Sagrada Família foi fundada na Holanda, pelo Padre Berthier, no século XIX. Seu lema é “Perto dos que estão longe”. Pe. Ivan é natural de Itacarambi/Norte de Minas e Pe. Valdir nasceu em São Francisco, também no norte do estado.
  • O tempo, a história, o aniversário

    Em minha opinião, uma das características humanas mais marcantes, é a capacidade de criar nomenclaturas que distinguem o movimento do cosmos – o tempo – em unidades que variam em diversidade e tamanho, como as gigantescas eras geológicas e os ínfimos milésimos de segundo. Mais impressionante ainda, é a competência humana em preencher essas nomenclaturas com significados e compreensões derivados das ações e dos acontecimentos históricos, por ela mesma engendrados.

    Infelizmente, nem todos os seres humanos contribuem para fazer o tempo histórico melhor de se viver. Mesmo assim, a historicidade dos homens e das mulheres transforma a natureza e a própria existência desses seres criados “à imagem e semelhança de Deus” numa dinâmica voltada para a esperança na eternidade. Tudo que fazemos, mesmo ignorantes sobre o futuro, é voltado para a perpetuação daquilo que gostamos ou amamos. Pelo menos é assim para a maioria. Isto é, ação histórica.

    É inserido neste movimento da História humana, à qual fui chamado (vocação) ao serviço dos meus semelhantes através da Voz do Criador, que hoje (21/02/2010) completo um tempo de vida equivalente a 34 voltas do Planeta Terra em torno da estrela chamada Sol. Agradeço a Deus pelo convite e pela estadia. E coloco-me à disposição dele e da humanidade para continuar por aqui até quando for necessário, “clamando no deserto dos corações e preparando os caminhos do Ressuscitado, até que Ele volte para trazer a justiça e o perdão”.

    Pelo especial que é a data, faço de uma só vez uma confissão e um pedido: “Acredito, Senhor, mas aumenta ainda mais a minha fé!”

    Assim seja!

  • Eleição presidencial: pré-candidata Dilma

    A Ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff foi aclamada oficialmente pré-candidata do PT (Partido dos Trabalhadores) à Presidência da República nas eleições de outubro deste ano. Será a primeira vez que uma mulher se candidata a Presidente por um grande partido político brasileiro, possuindo assim grandes chances de ser eleita, conforme sua linha ascendente de intenções de voto registrada nas últimas pesquisas.

    A oficialização se deu na cerimônia de encerramento do 4º Congresso do PT (foto), na manhã deste sábado, 20/02/2010, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília – DF.

    Pressione aqui e leia a íntegra do discurso da pré-candidata Dilma Rousseff no Congresso do PT.

  • Mudanças na Igreja Católica em Taiobeiras

    A posse dos novos Pároco e Vigário Paroquial da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras, respectivamente Padre Ivan e Padre Valdir, da Congregação dos Missionários da Sagrada Família, ocorrerá em Celebração Eucarística às 9 horas da manhã do dia 21 de fevereiro de 2010, domingo próximo, no Ginásio de Esportes do Centro Educacional Beliza Corrêa, na Rua Aurora, centro de Taiobeiras.

    Fazemos votos de que o trabalho dos novos sacerdotes produza bons frutos na Igreja e na sociedade taiobeirenses.