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  • Especial Igreja: A renúncia de Ratzinger

    Por Antônio Mesquita Galvão. Adital.

    Em tempos delicados em que há uma imperiosa necessidade de reflexão, oração e interiorização, partilho este texto com meus amigos e minhas amigas.

    Com a inesperada renúncia do papa Ratzinger, espera-se que o Espírito Santo volte a soprar sobre a nossa Igreja. De fato, depois de séculos de autoritarismo e opressão por parte das cortes vaticanas e seus prepostos sobre o povo de Deus, todos anseiam que o bom senso volte a imperar na Igreja de Cristo, substituindo a pompa pela simplicidade, a arrogância pelo diálogo, a perseguição pela acolhida e a vaidade pelo verdadeiro espírito do Ressuscitado.

    Em uma profecia exarada em 1993 o célebre teólogo-moralista Bernhard Häring († 1998) preconizou as seis prioridades que deveriam ser implantadas na Igreja:

    1.Abolir os títulos eclesiásticos que não tenham suporte bíblico; 2.Cancelar as púrpuras cardinalícias:
    3. Eliminar o corpo diplomático da Santa Sé;
    4. Proibir chamar o papa de “santidade”, os cardeais de “eminência”, os bispos de “excelência” e os padres de “reverendo”;
    5. Dar às mulheres os mesmos direitos que os homens, inclusive o acesso ao sacerdócio ministerial;
    6. Fazer que o papa seja também discípulo de único Mestre, Cristo.


    Que os novos ares de atualização e libertação, sonhados por João XXIII se tornem agora verdade e realidade para o bem de todo o povo de Deus.

    [O autor é Teólogo leigo, doutor em Teologia Moral].

  • Especial Igreja: A renúncia do Papa Bento XVI

    Por Dra. Irmã Gemma Simmonds CJ. Religiosa da Congregation of Jesus. Diretora do Instituto de Vida Religiosa, coordenadora do programa de intercâmbio Erasmus e vice-presidente da Associação Teológica Católica da Grã-Bretanha. Email: g.simmonds@heythrop.ac.uk Telephone: 020 7795 4216. Inglaterra. Adital.

    Desde a sua eleição sempre insisti que o Papa Bento XVI era capaz de surpreender a todos nós. Então sinto uma enorme satisfação que ele cumpriu as minhas previsões. Em geral, mudanças radicais de estrutura não vêm de liberais que buscam consenso, mas de conservadores que confiam muito em si próprios (veja o exemplo de Margaret Thatcher), e o anúncio da sua renúncia é nada se não radical. Com um só golpe ele desmistificou o ofício papal e criou condições para que futuros papas possam renunciar, se debilitados pela idade ou enfermidade, sem temer que a Igreja vai entrar em colapso, ou que o céu vai cair em cima de nós.
    Faz muito tempo que o historiador da Igreja, da Universidade de Cambridge, autor do livro Santos e Pecadores: Uma História dos Papas propõe que um papado forte não é necessariamente beneficial para a Igreja. Certamente, o Papa como “Superstar” é uma invenção muito recente do Papa João Paulo II, exímio “showman” que foi. Pessoalmente tinha muito afeto para um papa da minha infância, João XXIII, mas a figura de um Papa “celebridade” tende a investir todos as declarações papais com uma solenidade que nem sempre merecem, e reduzir o exercício de consciência e autoridade que pertence por direito tanto ao bispo local, como mestre da fé, como a todos os batizados.

    Inevitavelmente o anúncio do Papa causou choque no mundo midiático. Na correria “Gadarena” para convidar pessoas dos mais variados níveis de sabedoria e conhecimento da causa a opinar sobre a causa da renúncia e sobre quem será o seu sucessor, tenho ouvido umas declarações deprimentes! “Como seria bonito ter um Papa africano” declarou um comentarista na radio, como se a raça ou etnia de alguém fossem em si mesmas qualificação para o ofício. Este tipo de declaração não ajuda em nada. Certamente, pode ser o caso que uma história de serviço desafiante pastoral possa equipar um candidato para ser o Papa do futuro, mas a nacionalidade em si não garante isso. Em vários países o caminho a ofícios altos na Igreja não passa pela longa experiência pastoral junto com o povo, mas por meio do serviço diplomático, ou da direção de um seminário. Claro, é possível aprender muito nesses lugares, mas também é possível tornar-se clericalizado, ditatorial, patriarcal, e distante da vida do povo comum. Isso não seria base para um papado feliz e eficaz.

    Num outro programa radiofônico, uma senhora católica entusiasta desejava um Papa que reinaria durante trinta ou quarenta anos. Existe muita coisa positiva em ter um Papa jovem e cheio de vigor, como testemunhamos nos sucessos do Papa João Paulo II no auge das suas forças. Aquele nível de energia mental e física pode ser um benefício enorme à Igreja. Porém longevidade papal nem sempre é só bênção. É difícil manter o ímpeto de autoridade durante muitas décadas. Um certo comodismo pode entrar sutilmente no aparato de governo, especialmente num sistema tão complicado e estratificado como a Cúria Papal. Falta a acuidade de olhos novos e é fácil que elementos vitais se percam sem uma perspective nova. Por motivo de respeito e ternura para com um idoso com uma tarefa muito difícil, talvez não se confronte decisões e problemas difíceis. Os últimos anos da vida do Papa João Paulo II certamente ensinaram o mundo sobre a fidelidade à vocação, o valor do sofrimento, a autoridade como kenosis, e a futilidade absoluta da cultura da “celebridade”. Mas não tenho duvido que enfraqueceram o papado e a Igreja. É de notar que alguns problemas espinhosos, como os escândalos dentro dos Legionários de Cristo, foram confrontados firmemente pelo Papa Bento XVI, tão logo ele assumisse a Cátedra de Pedro. Mas referente ao assunto mais urgente, que era o abuso sexual clerical, multidões de Católicos fiéis, e críticos fora da Igreja, viram tudo como insuficiente e tarde demais.

    Durante mais de 60 anos, a Rainha Elizabeth II conseguiu manter um nível surpreendente de energia e acuidade no exercício da monarquia. Isso, porém, porque a responsabilidade última não é dela. O Papa não é uma figura constitucional, e a luta nada edificante pelo poder que parece ter assolado o Vaticano recentemente é sinal de um vácuo de poder. A única resposta adequada a esse vácuo é garantir que o Sé de Pedro esteja nas mãos de alguém que possui a energia e a acuidade política para dominar os apparatchiks briguentos.

    É para o seu eterno crédito que o Papa Bento XVI tinha a sabedoria para entender isso e a humildade e força de personalidade para renunciar. O sucesso da sua visita à Inglaterra e Austrália em 2008 se destaca na minha memória como prova da sua capacidade de agir com segurança na esfera pública. Caritas in Veritate permanece um documento muito rico, que contém muita sabedoria. Mas talvez este último, carismático e corajoso gesto trará uma oportunidade para que a Igreja inteira se examine e reflita sobre o que precisamos de um Papa. Neste ano, que é o Ano da Fé o a jubileu de Vaticano II, fica claro que ainda permanece muita coisa a fazer para que as propostas do Concílio se tornem realidade. Na minha opinião, isso vale especialmente para a área do governo da Igreja A Igreja não é uma cooperativa nem uma arena de luta livre, onde o mais forte e o mais vocifero ganham. Nem pode ser governado adequadamente através da manipulação do labirinto de uma estrutura de governo que é opaca e que não presta contas a ninguém. No meio dos fiéis a polarização crescente dentro da Igreja é um escândalo cujos efeitos perniciosos estão se aumentando. Fora da Igreja, nosso críticos olham atônitos enquanto insistimos numa linha rígida doutrinal diante de imperativos pastorais urgentíssimos, enquanto falhamos em enfrentar de uma maneira eficaz os erros gritantes dentro das nossas próprias estruturas. Isso tem causado um cinismo enorme por parte de muitos, que não veem nas instituições da Igreja integridade e fidelidade à mensagem de Cristo, mas sim hipocrisia e a falta de uma fineza pastoral. Se continuamos a pensar que o Papa é a único fonte viável de autoridade dentro da Igreja, seremos condenados a uma gangorra de personalidades polarizadas, conservadores x liberais, que não fará que nós cresçamos. É bom lembrar que Dom Oscar Romero era considerado uma figura conservadora quando assumiu a liderança na Igreja de El Salvador. Foi o seu encontro de perto com as realidades pastorais que o impeliu no caminho de santidade, do martírio e da autoridade que perdura. Talvez isso nos ensine algo mais útil do que a rotulação política referente a quem deve suceder o Papa Bento XVI. Talvez este seja o momento dado por Deus para que sigamos a sabedoria do Espírito expressada no Concílio, desmanchemos a “tradição” muito recente de um papado forte e centralizador, e sigamos a linha do Cardeal Newman, em consultar os fiéis em assuntos de doutrina, incluindo a questão do governo da Igreja.

    [Tradução: Tomaz Hughes SVD (não revisada). Publicado no site www.thinkingfaith.org da Província Inglesa dos Jesuítas].

  • Especial Igreja: Bento XVI renunciou, viva o Papa!

    Luiz Alberto Gómez de Souza. Sociólogo, diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Candido Mendes. Adital.


    Assim se proclamava, nas monarquias, quando um rei morria ou era deposto e o sucessor vinha saudado. Mais importante do que o panegírico do que partia, era hora de olhar para a frente, com esperança ou receios.

    Eu estava numa reunião no palácio São Joaquim, aqui no Rio, em 2005, durante o último conclave, almoçando com os bispos auxiliares, quando foi anunciada a fumaça branca. Saímos da mesa e corremos à televisão. Foi quando eu disse: “Não sei quem será, mas vai chamar-se Bento XVI”. Quando Ratzinger saiu no balcão, alguns me olharam como se eu tivesse feito uma adivinhação. Na verdade, foi uma aposta por eliminação. O novo papa certamente não retomaria a série dos Pios, não seria um seguimento de João ou de Paulo, nem do composto João Paulo. Restava, no século XX, um papa, Bento XV, que ficara poucos anos, de 1914 a 1922, mas que interrompera a caça antimodernista de Pio X. Não saiu papa um reacionário como o secretário de estado espanhol Merry Del Val (o Sodano ou o Bertone daquele momento). Era um bispo de uma diocese importante, Bolonha, que fora pouco antes denunciado de modernista, em carta, a seu antecessor. O novo papa abriu a missiva, lacrada por ocasião da morte de Pio X e convocou o assustado acusador.

    Uma lógica destas apontaria, indo um pouco mais atrás, na eleição de 1878, para um possível futuro Leão XIV. O papa anterior do mesmo nome também interrompera a prática de seus dois antecessores reacionários, Gregório XVI e Pio IX. E indicou que esperassem o próximo consistório, para verem seu novo estilo. E foi então quando nomeou cardeal o grande teólogo John H. Newman, convertido da Igreja Anglicana, crítico do Vaticano I e mal visto pelo outro cardeal inglês, Henry Manning. Aliás, o papa Bento XVI tinha Newman em grande admiração e o beatificou em 2010 (alguns historiadores, para incômodo de muitos, falaram de um companheiro de toda a vida, enterrado junto com ele, numa possível porém incerta relação homosexual, o que não diminuiria em nada seu enorme valor). Mas atenção, voltando ao presente, as lógicas não se repetem e o futuro é sempre inesperado.

    Com o atual precedente, um papa pode (e até deve, em certos casos) deixar o poder ainda em vida, num movimento que passa dos poderes absolutos e pro vita, para uma visão com possíveis prazos para o exercício de um poder que aparecia nos últimos séculos como irrenunciável.

    O importante agora é descobrir o que estará diante do futuro papa. Tudo parece indicar que João Paulo I morreu ao tomar consciência da dimensão dos problemas que o esperavam. Carlo Martini (que tantos sonhamos como um possível “Papa bianco”), em 1999 lembrou temas estratégicos a serem enfrentados por possíveis futuros concílios: a posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a prática do sacramento da penitência, a relação com as Igrejas irmãs da ortodoxia e, em um nível mais amplo, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Poderíamos agora dizer que são temas colocados hoje diante do papa que vem aí.

    Cada vez é mais importante desbloquear posições congeladas. Uma, urgente, seria superar o impasse criado por Paulo VI em 1968, no seu documento Humanae Vitae, sobre a contracepção. Tratar-se-ia de aceitar, ao nível do magistério, o que já é uma prática normal de um número enorme de fiéis: o uso dos contraceptivos.

    Mas nos textos de teólogos espanhóis, sacerdotes alemães e austríacos, declarações de bispos australianos, estão outros pontos da agenda. Haveria que começar por superar a dualidade e uma hierarquia rígidas entre ministérios ordenados (dos padres) e não ordenados, abrindo para uma pluralidade de ministérios (serviços), como na Igreja dos primeiros séculos. E aí se coloca o tema da ordenação das mulheres. No dia da ressurreição, as mulheres foram as primeiras a serem enviadas (ordenadas) a anunciar a Boa Nova (Mateus, 28,7; Marcos, 16,7: “Ide dizer aos discípulos e também a Pedro…”; Lucas, 24,9; João, 20,17).

    Teria também que desaparecer o que é apenas próprio da Igreja latina desde o milênio passado: o celibato obrigatório. O celibato é próprio da vida religiosa em comunidade e não necessariamente dos presbíteros (sacerdotes). Os escândalos recentes de uma sexualidade reprimida e doentia estão exigindo uma severa revisão. Isso levaria a ordenar homens e mulheres casados.

    Há que levar a sério a ideia da colegialidade do Vaticano II, sendo o bispo de Roma o primeiro entre todos no episcopado. Numa visão ecumênica, o segundo seria o Patriarca de Constantinopla, que vive no Fanar, um bairro grego pobre de Istambul, onde estive no ano passado. Os encontros fraternos e a oração em comum de João XXIII e de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, foram abrindo caminho nessa direção.

    Claro, são antes de tudo anseios, mais do que possibilidades certas. Mas a história é inexorável e, pouco a pouco, posições que pareciam petrificadas podem ir sendo revistas ou, pelo menos, vão crescendo pressões nesse sentido. A Igreja, arejada por tempos novos na sociedade, seculares e republicanos, não poderá ficar à margem de um processo histórico contagiante. Talvez temas congelados terão que esperar futuros pontificados ou outros concílios, mas estarão cada vez mais presentes e incômodos, num horizonte que desafia os imobilismos.
  • Especial Igreja: Que tipo de papa? As tensões internas da Igreja atual

    Leonardo Boff. Teólogo, filósofo e escritor. Adital.

    Não me proponho apresentar uma balanço do pontificado de Bento XVI, coisa que foi feito com competência por outros. Para os leitores talvez seja mais interessante conhecer melhor uma tensão sempre viva dentro da Igreja e que marca o perfil de cada Papa. A questão central é esta: qual a posição e a missão da Igreja no mundo?

    Antecipamos dizendo que uma concepção equilibrada deve assentar-se sobre duas pilastras fundamentais: o Reino e o mundo. O Reino é a mensagem central de Jesus, sua utopia de uma revolução absoluta que reconcilia a criação consigo mesma e com Deus. O mundo é o lugar onde a Igreja realiza seu serviço ao Reino e onde ela mesma se constrói. Se pensarmos a Igreja demasiadamente ligada ao Reino, corre-se o risco de espiritualização e de idealismo. Se demasiadamente próxima do mudo, incorre-se na tentação da mundanização e da politização. Importa saber articular Reino-Mundo-Igreja. Ela pertence ao Reino e também ao mundo. Possui uma dimensão histórica com suas contradições e outra transcendente.

    Como viver esta tensão dentro do mundo e da história? Apresentam-se dois modelos diferentes e, por vezes, conflitantes: o do testemunho e o do diálogo.

    O modelo do testemunho afirma com convicção: temos o depósito da fé, dentro do qual estão todas as verdades necessárias para a salvação; temos os sacramentos que comunicam graça; temos uma moral bem definida; temos a certeza de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, a única verdadeira; temos o Papa que goza de infalibilidade em questões de fé e moral; temos uma hierarquia que governa o povo fiel; e temos a promessa de assistência permanente do Espírito Santo. Isto tem que ser testemunhado face a um mundo que não sabe para onde vai e que por si mesmo jamais alcançará a salvação. Ele terá que passar pela mediação da Igreja, sem a qual não há salvação.

    Os cristãos deste modelo, desde Papas até os simples fiéis, se sentem imbuídos de uma missão salvadora única. Nisso são fundamentalistas e pouco dados ao diálogo. Para que dialogar? Já temos tudo. O diálogo é para facilitar a conversão e é um gesto de civilidade.

    O modelo do diálogo parte de outros pressupostos: O Reino é maior que a Igreja e conhece também uma realização secular, sempre onde há verdade, amor e justiça; o Cristo ressuscitado possui dimensões cósmicas e empurra a evolução para um fim bom; o Espírito está sempre presente na história e nas pessoas do bem; Ele chega antes do missionário, pois estava nos povos na forma de solidariedade, amor e compaixão. Deus nunca abandonou os seus e a todos oferece chance de salvação, pois os tirou de seu coração para um dia viverem felizes no Reino dos libertos. A missão da Igreja é ser sinal desta história de Deus dentro da história humana e também um instrumento de sua implementação junto com outros caminhos espirituais. Se a realidade tanto religiosa quanto secular está empapada de Deus devemos todos dialogar: trocar, aprender uns dos outros e tornar a caminhada humana rumo à promessa feliz, mais fácil e mais segura.

    O primeiro modelo do testemunho é da Igreja da tradição, que promoveu as missões na África, na Ásia e na América latina, sendo até cúmplice em nome do testemunho da dizimação e dominação de muitos povos originários, africanos e asiáticos. Era o modelo do Papa João Paulo II que corria o mundo, empunhando a cruz como testemunho de que ai vinha a salvação. Era o modelo, mais radicalizado ainda, de Bento XVI que negou o título de “Igreja” às igrejas evangélicas, ofendendo-as duramente; atacou diretamente a modernidade pois a via negativamente como relativista e secularista. Logicamente não lhe negou todos os valores mas via neles como fonte a fé cristã. Reduziu a Igreja a uma ilha isolada ou a uma fortaleza, cercada de inimigos por todos os lados contra os quais importa se defender.

    O modelo do diálogo é do Concílio Vaticano II, de Paulo VI e de Medellín e de Puebla na América Latina. Viam o cristianismo não como um depósito, sistema fechado com o risco de ficar fossilizado, mas como uma fonte de águas vivas e cristalinas que podem ser canalizadas por muitos condutos culturais, um lugar de aprendizado mútuo porque todos são portadores do Espírito Criador e da essência do sonho de Jesus.

    O primeiro modelo, do testemunho, assustou a muitos cristãos que se sentiam infantilizados e desvalorizados em seus saberes profissionais; não sentiam mais a Igreja como um lar espiritual e, desconsolados, se afastavam da instituição mas não do Cristianismo como valor e utopia generosa de Jesus.

    O segundo modelo, do diálogo, aproximou a muitos pois se sentiam em casa, ajudando a construir uma Igreja-aprendiz e aberta ao diálogo com todos. O efeito era o sentimento de liberdade e de criatividade. Assim vale a pena ser cristão.

    Esse modelo do diálogo se faz urgente caso a instituição-Igreja quiser sair da crise em que se meteu e que atingiu seu ponto de honra: a moralidade (os pedófilos), a espiritualidade, a falta de transparência (roubo de documentos secretos e outros problemas graves no Banco do Vaticano), e a perda de fieis, sobretudo entre a juventude.

    Devemos discernir com inteligência o que atualmente melhor serve à mensagem cristã no interior de uma crise ecológica e social de gravíssimas consequências. O problema central do mundo não é a Igreja (cada vez mais europeia e branca); mas, o futuro da Mãe Terra, da vida e da nossa civilização. Como a Igreja ajuda nessa travessia? Só dialogando e somando forças com todos.

    [Leonardo Boff é autor de Igreja: carisma e poder, livro ajuizado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger].
  • Especial Igreja: A renúncia do Papa

    Dom Demétrio Valentini. Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011. Adital.

    A surpresa foi total, e se espalhou logo por todo o mundo: no dia 11 de fevereiro deste ano de 2013, o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia, marcando dia e hora para entregar o cargo, às 20 horas do dia 28 deste mês de fevereiro.

    Tudo bem pensado, decidido e agendado.

    Uma decisão tomada no íntimo de sua consciência, mas anunciada a todos, de maneira súbita e inesperada.
    Agora, rapidamente, a surpresa passa a fato consumado. A Igreja vive uma situação inédita, com inesperado potencial de consequências.

    Em primeiro lugar, fica muito ressaltada a nobreza do gesto, que angariou um grande respeito pela figura de Bento XVI.

    Com sua decisão, e da maneira como ele a anunciou, mostrou admirável desprendimento pessoal e grande senso de responsabilidade.

    Além disto, pela natureza do fato, o Papa demonstrou pleno uso de suas faculdades, deixando a todos a certeza de que agiu com plena consciência e com perfeita liberdade, sem nenhuma pressão externa. Ele fez questão de deixar a certeza de sua perfeita capacidade de pensar e de decidir livremente.

    O gesto, com certeza, tem um peso moral muito grande, pela demonstração de desprendimento do poder, de humildade, e de senso de serviço com que ele exerceu este cargo tão importante no contexto da Igreja.
    Ele podia ter efetivado a renúncia de imediato, retirando-se subitamente. Mas não! Ele quis garantir um tempo adequado para as providências a serem tomadas em vista, sobretudo, do processo de escolha do novo Papa.

    Por este gesto Bento XVI ficará na história. Será sua maior contribuição à Igreja.

    Marcando um dia para efetivar sua renúncia, Bento XVI sinaliza o ritmo para os encaminhamentos a serem dados. Com isto fica aberta a questão da influência que Bento XVI poderá exercer no processo de sua sucessão. Pois esta é uma situação completamente nova na história recente da Igreja. Nunca se fez um conclave contando com a figura de um “papa emérito”, para evocar a situação mais parecida que se vive hoje na Igreja, com a existência de tantos “bispos eméritos”.

    A interrogação aumenta quando nos perguntamos como será empregado pelos cardeais este tempo prévio, de quase vinte dias, antes de serem desencadeados os preparativos do conclave. Pois o clima eleitoral já se instalou, com o grande interesse que ele suscita. De fato, vamos viver uma situação que não encontra similar na história da Igreja. E isto poderá proporcionar condições bem diferentes para o novo Papa que for eleito.

    Outra curiosidade, fácil de comprovar, será a atividade de Bento XVI nesta fase de transição que já começou. Simbolicamente é interessante que ela coincida com a quaresma. Com a perspectiva de sua próxima renúncia, poderia parecer que seus gestos e palavras agora não tivessem mais tanto significado, vindos de um papa com seus dias contados. Mas ao contrário, pela importância do seu gesto, e pela maneira como foi feito, Bento XVI se revestiu de grande autoridade moral, em vista, sobretudo, de ter criado um fato novo na Igreja, cujas consequências poderão também surpreender. Tudo isto reforça sua importância, como protagonista de uma situação inédita, e como exemplo de abnegação pessoal e de serviço à Igreja.

    O gesto de sua renúncia se constitui na culminância do seu pontificado. Vale à pena acompanhar agora seus desdobramentos.
  • Especial Igreja: A eleição de um novo papa e o Espírito Santo

    Ivone Gebara. Escritora, filósofa e teóloga. Adital.


    Depois da louvável atitude do ancião Bento XVI renunciando ao governo da Igreja Católica Romana sucederam-se entrevistas com alguns bispos e sacerdotes nas rádios e televisões de todo o país. Sem dúvida, um acontecimento de tal importância para a Igreja Católica Romana é notícia e leva a previsões, elucubrações de variados tipos, sobretudo de suspeitas, intrigas e conflitos dentro dos muros do Vaticano que teriam apressado a decisão do papa.


    No contexto das primeiras notícias, o que chamou a minha atenção foi algo à primeira vista pequeno e insignificante para os analistas que tratam dos assuntos do Vaticano. Trata-se da forma como alguns padres entrevistados ou padres liderando uma programação televisiva, quando perguntados sobre quem seria o novo papa saíssem pela tangente. Apelavam para a inspiração ou vontade do Espírito Santo como aquele do qual dependia a escolha do novo pontífice romano. Nada de pensar em pessoas concretas para responder a situações mundiais desafiantes, nada de suscitar uma reflexão na comunidade, nada de falar dos problemas atuais da Igreja que a tem levado a um significativo marasmo, nada de ouvir os clamores da comunidade católica por uma democratização significativa das estruturas anacrônicas de sustentação da Igreja institucional. A formação teológica desses padres comunicadores não lhes permite sair de um discurso padrão trivial e abstrato bem conhecido, um discurso que continua fazendo apelo a forças ocultas e de certa forma confirmando seu próprio poder. A contínua referência ao Espírito Santo a partir de um misterioso modelo hierárquico é uma forma de camuflar os reais problemas da Igreja e uma forma de retórica religiosa para não desvendar os conflitos internos que a instituição tem vivido. A teologia do Espírito Santo continua para eles mágica e expressando explicações que já não conseguem mais falar aos corações e às consciências de muitas pessoas que têm apreço pelo legado do Movimento de Jesus de Nazaré. É uma teologia que continua igualmente a provocar a passividade do povo crente frente às muitas dominações inclusive as religiosas. Continuam repetindo fórmulas como se estas satisfizessem a maioria das pessoas.

    Entristece-me o fato de verificar mais uma vez que os religiosos e alguns leigos atuando nos meios de comunicação não percebam que estamos num mundo em que os discursos precisam ser mais assertivos e marcados por referências filosóficas para além da tradicional escolástica. Um referencial humanista os tornaria bem mais compreensivos para o comum das pessoas incluindo-se aqui os não católicos e os não religiosos. A responsabilidade da mídia religiosa é enorme e inclui a importância de mostrar o quanto a história da Igreja depende das relações e interferências de todas as histórias dos países e das pessoas individuais. Já é tempo de sairmos dessa linguagem metafísica abstrata como se um Deus iria se ocupar especialmente de eleger o novo papa prescindindo dos conflitos, desafios, iniqüidades e qualidades humanas. Já é tempo de enfrentarmos um cristianismo que admita o conflito das vontades humanas e que no final de um processo eletivo, nem sempre a escolha feita pode ser considerada a melhor para o conjunto. Enfrentar a história da Igreja como uma história construída por todos e todas nós é testemunhar respeito por nós mesmas/os e mostrar a responsabilidade que todas e todos que nos consideramos membros da comunidade católica romana temos. A eleição de um novo papa é algo que tem a ver com o conjunto das comunidades católicas espalhadas pelo mundo e não apenas com uma elite idosa minoritária e masculina. Por isso, é preciso ir mais além de um discurso justificativo do poder papal e enfrentar-se aos problemas e desafios reais que estamos vivendo. Sem dúvida, para isso as dificuldades são muitas e enfrentá-las exige novas convicções e o desejo real de promover mudanças que favoreçam a convivência humana.

    Preocupa-me mais uma vez que não se discuta de forma mais aberta o fato de o governo da Igreja institucional ser entregue a pessoas idosas que apesar de suas qualidades e sabedoria já não conseguem mais enfrentar com vigor e desenvoltura os desafios que estas funções representam. Até quando a gerontocracia masculina papal será o doublé da imagem de um Deus branco, idoso e de barbas brancas? Haveria alguma possibilidade de sair desse esquema ou de ao menos começar uma discussão em vista de uma organização futura diferente? Haveria alguma possibilidade de abrir essas discussões nas comunidades cristãs populares que têm o direito à informação e à formação cristã mais ajustada aos nossos tempos?

    Sabemos o quanto a força das religiões depende de desafios e comportamentos frutos de convicções capazes de sustentar a vida de muitos grupos. Entretanto, as convicções religiosas não podem se reduzir a uma visão estática das tradições e nem a uma visão deliberadamente ingênua das relações humanas. As convicções religiosas igualmente não podem ser reduzidas a onda de devoções as mais variadas que se propagam através dos meios de comunicação. E mais, não podemos continuar tratando o povo como ignorante e incapaz de perguntas inteligentes e astutas em relação à Igreja. Entretanto, os padres comunicadores acreditam tratar com pessoas passivas e entre elas estão muitos jovens que desenvolvem um culto romântico em torno da figura do papa. Os religiosos mantêm essa situação muitas vezes cômoda por ignorância ou por avidez de poder. Provar a interferência divina nas escolhas que a Igreja Católica hierárquica, prescindindo da vontade das comunidades cristãs espalhadas pelo mundo é um exemplo flagrante dessa situação. É como se quisessem reafirmar erroneamente que a Igreja é em primeiro lugar o clero e as autoridades cardinalícias às quais é dado o poder de eleger o novo papa e que esta é a vontade de Deus. Aos milhares de fiéis cabe apenas rezar para que o Espírito Santo escolha o melhor e esperar até que a fumaça branca anuncie uma vez mais o “habemus papam”. De maneira hábil sempre estão tentando fazer os fiéis escapar da história real, de sua responsabilidade coletiva e apelar para forças superiores que dirijam a história e a Igreja.

    É pena que esses formadores de opinião pública estejam ainda vivendo num mundo teologicamente e talvez até historicamente pré-moderno em que o sagrado parece se separar do mundo real e pousar numa esfera superior de poderes à qual apenas alguns poucos têm acesso quase direto. É desolador ver como a consciência crítica em relação às suas próprias crenças infantis não tenha sido acordada em beneficio próprio e em benefício da comunidade cristã. Parece até que acentuamos os muitos obscurantismos religiosos presentes em todas as épocas enquanto o Evangelho de Jesus continuamente convoca para a responsabilidade comum de uns em relação aos outros.

    Sabendo das muitas dificuldades enfrentadas pelo papa Bento XVI durante seu curto ministério papal, as empresas de comunicação católica apenas ressaltam suas qualidades, sua doação à Igreja, sua inteligência teológica, seu pensamento vigoroso como se quisessem mais uma vez esconder os limites de sua personalidade e de sua postura política não apenas como pontífice, mas também por muitos anos, como presidente da Congregação da Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício. Não permitem que as contradições humanas do homem Joseph Ratzinger apareçam e que sua intransigência legalista e o tratamento punitivo que caracterizaram, em parte, sua pessoa sejam lembrados. Falam desde sua eleição, sobretudo de um papado de transição. Sem dúvida de transição, mas de transição para que?

    Gostaria que a atitude louvável de renúncia de Bento XVI pudesse ser vivida como um momento privilegiado para convidar as comunidades católicas a repensar suas estruturas de governo e os privilégios medievais que esta estrutura ainda oferece. Estes privilégios tanto do ponto de vista econômico quanto político e sócio cultural mantêm o papado e o Vaticano como um Estado masculino à parte. Mas um Estado masculino com representação diplomática influente e servido por milhares de mulheres através do mundo nas diferentes instâncias de sua organização. Esse fato nos convida igualmente a pensar sobre o tipo de relações sociais de gênero que esse Estado continua mantendo na história social e política da atualidade.

    As estruturas pré-modernas que ainda mantém esse poder religioso precisam ser confrontadas com os anseios democráticos de nossos povos na busca de novas formas de organização que se coadunem melhor com os tempos e grupos plurais de hoje. Precisam ser confrontadas com as lutas das mulheres, das minorias e maiorias raciais, de pessoas de diferentes orientações sexuais e escolhas, de pensadores, de cientistas e de trabalhadores das mais distintas profissões. Precisam ser retrabalhadas na linha de um diálogo maior e mais profícuo com outros credos religiosos e sabedorias espalhadas pelo mundo.

    E para terminar, quero voltar ao Espírito Santo, a esse vento que sopra em cada uma/um de nós, a esse sopro em nós e maior do que nós que nos aproxima e nos faz interdependentes de todos os viventes. Um sopro de muitas formas, cores, sabores e intensidades. Sopro de compaixão e ternura, sopro de igualdade e diferença. Este sopro não pode mais ser usado para justificar e manter estruturas privilegiadas de poder e tradições mais antigas ou medievais como se fossem uma lei ou uma norma indiscutível e imutável. O vento, o ar, o espírito sopra onde quer e ninguém deve se atrever a querer ser ainda uma vez seu proprietário. O espírito é a força que nos aproxima uns dos outros, é a atração que permite que nos reconheçamos como semelhantes e diferentes, como amigas e amigos e que juntos/as busquemos caminhos de convivência, de paz e justiça. Esses caminhos do espírito são os que nos permitem reagir às forças opressoras que nascem de nossa própria humanidade, os que nos levam a denunciar as forças que impedem a circulação da seiva da vida, os que nos levam a descobrir os segredos ocultos dos poderosos. Por isso, o espírito se mostra em ações de misericórdia, em pão partilhado, em poder partilhado, em cura das feridas, em reforma agrária, em comércio justo, em armas transformadas em arados, enfim, em vida em abundância para todas/os. Esse parece ser o poder do espírito em nós, poder que necessita ser acordado a cada novo momento de nossa história e ser acordado por nós, entre nós e para nós.

    Fevereiro 2013.
  • Especial Igreja: Tiara e poderes do Papa

    Pedro A. Ribeiro de Oliveira. Sociólogo, professor no Mestrado em Ciências da Religião da PUC-Minas e Consultor de ISER-Assessoria. Adital. Terça, 12 de fevereiro de 2013.

    A inesperada renúncia do Papa Bento XVI abre o processo que elegerá seu sucessor no pontificado. Durante séculos constou da cerimônia de inauguração do pontificado a tiara: ornamento de cabeça com três coroas superpostas. De origem medieval, a tiara simboliza a conjunção de três poderes. Ao ser coroado, o Papa recebia a tiara como símbolo de tornar-se então “Pai de Príncipes e Reis, Pastor de toda a Terra e Vigário de Jesus Cristo”. O último papa a colocá-la na cabeça foi Paulo VI, que em 1963 a depositou aos pés do altar para não mais ser usada. Desapareceu assim o antigo símbolo do poder temporal dos papas.
    Acabou-se o símbolo, com certeza, mas não os poderes temporais. Embora o papa não consagre chefes de Estado, não comande exércitos nem dirija alguma corporação transnacional, ele continua a exercer poderes que não são insignificantes. Sem alarde e sempre alegando servir a Igreja, os últimos papas conservaram os principais poderes que a tradição medieval lhe atribuiu.

    Em primeiro lugar, o papa dispõe de uma importante instituição financeira: o Instituto para as Obras de Religião, que funciona como banco a serviço da Santa Sé. Por gozar do privilégio de extraterritorialidade, essa instituição pode fazer aplicações de capital em diferentes campos da economia sem submeter-se ao controle externo de suas atividades. Isso dá ao papa considerável poder econômico, pois ainda que viessem a faltar as contribuições voluntárias dos fiéis, os rendimentos dessas aplicações financeiras permitiriam manter a Santa Sé em funcionamento por muito tempo.

    Outro poder oriundo da tradição medieval é a condição de chefe de Estado. O Vaticano é um território minúsculo, comparado aos antigos Estados Pontifícios, mas dá ao papa o comando sobre o corpo diplomático da Santa Sé, que é tido como um dos mais competentes e eficientes do mundo. Formados pela Pontifícia Academia Eclesiástica, os núncios apostólicos e seus auxiliares representam a Santa Sé em quase todos os Países do mundo e junto aos principais organismos internacionais. Sua função não é apenas diplomática mas também eclesiástica, pois as nunciaturas são o veículo normal das informações confidenciais entre a Secretaria de Estado e os bispos de um país, e por elas passam as denúncias de irregularidades nas igrejas locais. Independentemente da quantidade de católicos residentes no país, a representação diplomática da Santa Sé tem status de embaixada e em muitos países o núncio exerce a função de decano do corpo diplomático.

    Outro poder de grande importância é a nomeação de bispos. Também herança medieval, quando havia grande interferência de reis e príncipes na escolha de bispos para dioceses situadas em áreas sob sua jurisdição. Para proteger aquelas dioceses contra nomeações que atendessem antes aos interesses dos governantes do que às necessidades pastorais da igreja local, o papa reservou-se o direito de eleição dos bispos. Hoje em dia a laicidade do Estado impede a interferência do poder político na escolha de bispos, e a situação inverteu-se: em vez de salvaguardar o direito de a igreja local escolher seu bispo, a escolha do candidato pelo papa volta-se contra ele. As nomeações episcopais são regidas pela lógica da cúria romana e não pelas necessidades da igreja local. Isso não significa, é claro, que a cúria romana desconheça as igrejas locais, mas seu conhecimento depende da eficiência dos canais de informação disponíveis. Além disso, como todo ocupante de cargo de direção presta contas primeiramente a quem o elegeu, os bispos se sentem obrigados a seguir a orientação vinda de Roma mesmo quando ela não condiz com a realidade de sua igreja particular. E isso, sem dúvida, só faz aumentar a centralização do poder romano.

    Apontados esses três poderes papais, como três coroas de uma tiara, cabe refletir sobre o significado da renúncia dos últimos quatro papas ao uso da tiara. Renunciaram apenas a um ornamento bizarro ou a certos poderes que hoje mais impedem do que favorecem a missão evangelizadora da Igreja?

    Os três poderes acima enunciados –poder econômico, poder de Estado e poder eclesiástico– favorecem uma forma de organização centralizada e piramidal, na qual a cúpula tem o controle de todas as instâncias intermediárias até as bases. Esse modelo organizativo que moldou também a burocracia estatal, o exército, e as empresas privadas desde o século XIX vem sendo substituído por outro modelo, mais flexível e ágil: a organização em rede, que tornou caduca a organização piramidal, hoje incapaz de assegurar uma governança eficiente.

    Não é, porém, por ter saído de moda que o modelo centralizado e piramidal adotado pela Igreja católica romana deve ser criticado, pois há coisas fora de moda que continuam boas – como o casamento monogâmico, por exemplo. O poder centralizado e piramidal merece ser criticado é porque dificulta o exercício da autoridade: a capacidade de mobilizar pessoas apenas pela força moral de quem as lidera. Aí, sim, reside o fulcro da questão.

    Os clássicos da sociologia –E. Durkheim, K. Marx e M. Weber– perceberam que a força histórica e social da religião reside em sua capacidade de moldar –pela convicção, não pela coerção– o comportamento humano e assim formar o “clima moral” de uma sociedade. É na ação molecular, de base (as múltiplas atividades pastorais de comunidades, movimentos e congregações religiosas) que reside a força social da Igreja. Sem essa capilaridade pastoral, os pronunciamentos do papa –e dos bispos, pode-se acrescentar– seriam mera retórica. Se o papa e os bispos querem ter força moral, é hora de renunciar aos poderes temporais. Ai reside um grande desafio ao sucessor de Bento XVI.

    Uma Igreja que anuncia e constrói o Reinado de Deus no mundo atual – afinal esta é sua perene missão, reafirmada no Concílio Ecumênico de 1962-65 – deve renunciar ao poder econômico, à diplomacia e à organização piramidal, para tornar-se uma Igreja capaz de dialogar com o mundo como fazia Jesus: com autoridade moral e testemunho de amor – preferencialmente aos pobres e às pessoas socialmente desprotegidas. Que o próximo papa deixe a tiara no museu do Vaticano e com ela os poderes temporais herdados dos tempos medievais. Será bom para o Papa, para a Igreja católica e para o mundo todo.
  • Especial Igreja: Votos para um próximo Papa

    Marcelo Barros. Monge beneditino e escritor. Adital


    Desde que o papa Bento XVI anunciou sua renúncia ao papado, os meios de comunicação se apressam em antecipar os candidatos ao trono, ou simplesmente em descobrir em que ponto estão os acordos no Vaticano que, nos bastidores e com toda a elegância exigida pelos meios eclesiásticos, já há tempos, preparam o próximo conclave. Sem dúvida, merece toda a admiração a coragem e humildade com que o papa declara: “Não tenho mais força para exercer o papado”. De fato, nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que o mundo se tornou cada vez mais complexo e plural, o Vaticano ignorou a orientação do Concilio Vaticano II sobre a colegialidade dos bispos, diminuiu a função das conferências episcopais e concentrou o seu poder. Por isso, o ministério papal deve ter ficado bem mais pesado.

    Muitos dos cardeais que em 2005 acharam que o cardeal Joseph Ratzinger seria a pessoa indicada para conduzir a Igreja Universal nesse início de século serão os mesmos que escolherão o próximo papa, além de alguns outros, escolhidos a dedo pelo próprio papa atual. Isso faz com que a tal lista dos prováveis candidatos ao cargo pontifício não tenha tanta importância. Ao que parece, seja quem for, afirmam vozes do episcopado brasileiro, “nada de profundo mudará”. Sem dúvida, eles dizem isso como quem dá uma boa notícia. Sinceramente, não sei se a maioria dos fiéis católicos, se pudessem se expressar, estariam de acordo.

    Pessoalmente, não sou cardeal e, portanto, não participo dessa eleição, nem aceitaria essa responsabilidade. Mas, penso na multidão silenciosa de mais de um bilhão de fiéis católicos no mundo. Mesmo sem representar nenhum grupo ou ter algum mandato oficial, gostaria de expressar aqui o voto que penso ser da maioria dos leigos e leigas, engajados nas pastorais e grupos missionários católicos, formados a partir do Concilio Vaticano II, assim como de muitos religiosos, religiosas e presbíteros que, embora sem ser escutados, amam a nossa Igreja e desejam que, o Espírito sopre novamente sobre ela um novo Pentecostes.

    A primeira coisa que gostaria de esclarecer é que, ao contrário do pensamento aqui e ali expresso nos meios de comunicação, quem é formado pelo espírito do Concílio pode aceitar que se eleja um papa latino-americano, africano ou coreano, como etapa no momento atual, dentro do sistema em que vivemos. Entretanto, em termos de princípio, o queremos é um papa italiano, o mais romano possível, que seja bispo de Roma e retome o espírito do Concílio Vaticano II, respeite a autonomia eclesiológica das Igrejas locais, cada uma delas, verdadeira Igreja, possuidora das características da comunhão universal, assim como um cada fragmento de pão consagrado contém em si todo o corpo de Cristo.

    Pedimos a Deus que dê à Igreja de Roma, mãe da unidade de todas as Igrejas, um pastor simples e modesto que não precise mais de áurea de santidade, nem que se chame de santa a sua pessoa, a sé de Roma, as congregações da cúria e tudo o que cerca o seu ministério. Aí, no Glória de cada missa, cantaremos com mais sinceridade: Só tu és santo, ó Deus!”. Se esse irmão se assumir verdadeiramente como servo dos servos de Deus, a Igreja será como nos primeiros séculos uma Igreja mais sinodal e mais sacramento de comunhão da humanidade. Poderá assim ser cada vez mais sacramento e ensaio do mundo novo possível. Um dia, Dom Hélder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife, escreveu o seguinte: “Sonhei que o papa enlouquecia. E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano e à Basílica de São Pedro. Loucura sagrada, porque Deus atiçava o fogo que os bombeiros, em vão, tentavam extinguir. O papa, louco, saía pelas ruas de Roma, dizendo adeus aos embaixadores, credenciados junto a ele; e espalhando pelos pobres o dinheiro todo do Banco do Vaticano. Que vergonha para os cristãos! Para que um papa viva o Evangelho, temos que imaginá-lo em plena loucura”(1).

    Nota:
    (1) Poema recitado no filme de ÉRIKA BAUER, Dom Helder Camara, o Santo Rebelde, citado no Jornal Igreja Nova, janeiro-março 2010, p. 1.
  • Especial Igreja: Boff: Ambiguidades marcam a história de Ratzinger

    Agência Brasil. EBC – Empresa Brasil de Comunicação. Adital


    “Uma coisa é o Ratzinger professor e acadêmico, que era extremamente gentil e inteligente, além de amigo dos estudantes. Dava metade do salário aos estudantes latinos e da África. Outra coisa é o Bento XVI, que exerce função autoritária e centralizadora, sem misericórdia com homossexuais e [adeptos da] camisinha“, analisa o teólogo e professor universitário Leonardo Boff.

    11 de fevereiro de 2013. Por Pedro Peduzzi. Repórter da Agência Brasil.

    Brasília – Apesar de serem a mesma pessoa, Joseph Ratzinger e o Papa Bento XVI eram duas personalidades diferentes. A opinião é do teólogo e professor universitário Leonardo Boff, um dos poucos brasileiros que conviveram com o líder católico que anunciou hoje (11) o fim de seu pontificado. Ex-integrante da ordem franciscana e um dos expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff falou à Agência Brasil sobre o papa Bento XVI “de função ambígua e polêmica” e de atitudes rígidas.
    “Uma coisa é o Ratzinger professor e acadêmico, que era extremamente gentil e inteligente, além de amigo dos estudantes. Dava metade do salário aos estudantes latinos e da África. Outra coisa é o Bento XVI, que exerce função autoritária e centralizadora, sem misericórdia com homossexuais e [adeptos da] camisinha”, disse Boff.

    O teólogo define Ratzinger da fase pré-papal como um pastor e professor extremamente erudito e de fácil acesso. “Era pessoa simples que, ao se tornar cardeal, mudou de comportamento e passou a assumir posições duras. Tratava com luvas de pelica os bispos conservadores e com dureza teólogos da libertação que seguiam os pobres”.

    Segundo Boff, dois aspectos caracterizaram o Ratzinger da fase posterior. “Primeiro, o confronto com a modernidade, no encontro com as culturas e com outras religiões. Tinha a compreensão de que a Igreja Católica era o único porta-voz da verdade, e a única capaz de dar rumo a toda humanidade. Por isso, teve dificuldades com muçulmanos e judeus”.

    O segundo aspecto tem origem à época em que era cardeal. “Ele pedia aos bispos que impedissem que padres pedófilos fossem levados aos tribunais civis. Na medida em que a imprensa mostrou que havia não apenas padres, mas também bispos e cardeais suspeitos dessa prática, o Vaticano teve de aceitar a realidade. Ratzinger carrega essa marca de, quando cardeal, ter sido cúmplice desses crimes”, declarou Boff.

    Na avaliação do ex-franciscano, outro ponto fraco da atuação de Bento XVI como maior líder da Igreja Católica foi o de levar um papado tradicional, voltado para dentro da Europa. Na opinião de Boff, o papa construiu “uma igreja baluarte: fortaleza cercada de inimigos por todos os lados”, e contra os quais tinha de se defender.

    “Acho que o projeto dele era uma reforma da igreja ao estilo do passado, voltada para dentro e tendo como objetivo político a reevangelização da Europa. Nós, fora de lá, consideramos esse projeto como ineficaz e como opção pelos ricos. Projeto equivocado”, argumentou. “Não é um papa que deixará marcas na história”.

    Boff disse não ter recebido com surpresa a notícia de que o Papa Bento deixará o posto, e que já sabia que ele vinha tendo problemas de saúde que o comprometiam física e psicologicamente para exercer o ofício.
    “Recebo com naturalidade essa notícia. Essa decisão segue sua natureza objetiva. Não é praxe um papa renunciar. Ele desmistificou a figura do papas, que geralmente ficam [no cargo] até morrer. Provavelmente por entender o papado como um serviço. Essa atitude merece toda admiração e respeito. Esperamos, agora, que até a Páscoa, em meados de março, elejam um novo papa. De preferência um papa mais aberto. Até porque 52% dos católicos vivem no terceiro mundo e não mais na Europa”, completou.

    [Edição: José Romildo].
  • Especial Igreja: Papa, um gesto emocionante

    Roberto Malvezzi, Gogó. Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo, em Adital.

    Mais do que surpreendente, o gesto de Bento XVI é emocionante. Cercado de gente conservadora que ele mesmo promoveu, há tempos ele pensava em renunciar, mas vários de seus mais próximos sempre o desaconselharam. A renúncia era tida como um gesto de fraqueza. Na verdade, talvez seja o gesto de maior grandeza que tenha feito em toda sua vida.

    A idade pesa. O cargo é exigente. Então, reconhecer os próprios limites e ousar dar um passo que não acontecia na Igreja Católica desde 1415 é mesmo histórico.

    Muitos católicos –como eu– têm a sensação que nossa Igreja ainda não entrou no século XXI. Os grandes desafios humanos e do planeta no qual habitamos são temas secundários na agenda Católica. Claro que muitos cristãos e muitas igrejas particulares já se lançaram sobre esses temas, caso da própria CNBB, mas falta o gesto profético da Igreja Universal.

    Nada garante que o sucessor de Bento XVI tenha uma visão de mundo que o impila a sair dos muros do Vaticano, ou da própria Igreja, para cumprir seu papel de fermento, sal e luz para toda a humanidade. Claro que grande parte da humanidade também está de costas para qualquer iniciativa que venha da Igreja, mas, independente disso, a sua tarefa é promover o Reino de Deus e a sua justiça.

    O gesto do Papa parece revelar um sopro do Espírito, humildemente acolhido. Quem sabe o Espírito venha em toda a sua plenitude.
  • O Brasil mudou para melhor

    Há que se fazer críticas? Sim. Há que se fazer correções? Sim. Porém, sobretudo, há que se comemorar e não deixar que se percam as conquistas alcançadas nestes últimos 10 anos.

  • Fraternidade e Juventude: da tragédia à esperança

    Artigo do Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis, de Montes Claros – MG.


    Hoje, dia em que escrevo este artigo, é segunda-feira de carnaval. Já desde ontem esboçava algumas (ou a maioria) das ideias esboçadas aqui. Na quarta-feira, chamada “de cinzas”, a Igreja inicia o tempo da quaresma e, concomitantemente, há anos, vive Campanha da Fraternidade (CF), já tradicionalizada no contexto brasileiro. Neste ano de 2013 a CF versa sobre o tema da juventude. Tema pertinente e importante, uma vez que havia 21 anos não tínhamos uma campanha sobre a juventude. Aliás, pelo que disseram nos bastidores, incompreensivelmente, essa CF só foi conseguida pelo recolhimento de centenas de milhares de assinaturas e pedidos, quase que implorando à CNBB a prioridade à causa da juventude.


    Bastidores a parte, não podemos deixar de considerar que a CF desse ano, sobre a juventude, foi antecipada pela ceifa de mais de 200 jovens na recente tragédia de Santa Maria (RS), acontecimento, sem sombra de dúvidas, desolador. Que pensar? Vontade de Deus? Certamente não. Contudo, como lembra Leonardo Boff, “mesmo naquilo que não é vontade de Deus nós podemos perceber PRESENÇA DE DEUS”. Isso é mais importante. E essa presença de Deus, mesmo diante de um fato tão assolador para tantas famílias, nos ajuda a refletir algumas coisas importantes (que, inclusive, já refleti com o povo em algumas celebrações).


    Aos que partiram, infelizmente só nos resta a oração pelo conforto de seus familiares. Mas e os jovens que ainda estão neste mundo correndo os mesmos riscos? A eles e a nós é dada a oportunidade de revermos algumas atitudes, como, por exemplo: 1) A consciência de que não posso colocar 1000 pessoas onde só cabem 600, independente da margem de “lucro” que isso vá me trazer; 2) que não posso forrar um lugar fechado com material inflamável; 3) que não posso soltar fogos de artifício tóxicos em lugares fechados… e assim por diante. Mas será que a partir dessa tragédia o mundo vai agir diferente? Talvez não. E isso é que deve ser visto como causa de preocupação.

    Agora todos estão tentando identificar os culpados: prefeitura, bombeiros, boite, banda, etc… Mas ainda há mais uma realidade que precisa ser considerada e que certamente ainda não foi porque talvez seja a mais dolorida de ter que se reconhecer: infelizmente, meus amores, quase nenhum daqueles jovens que estavam lá procuraram antes saber se aquele lugar oferecia segurança a eles quando entraram. Infelizmente nenhum de nós faz isso. Somos convidados para festas em salões, por mais sofisticados que sejam, e simplesmente vamos entrando, mas nunca nos preocupamos em saber se tais lugares nos dão a segurança necessária ante uma fatalidade. E quando não damos atenção a isso, corremos o risco de nós mesmos, com nossas próprias pernas, caminharmos, mesmo que inconscientemente, ao encontro da morte. Claro que donos de casas como aquela devem oferecer segurança às pessoas que as frequentam. Mas ninguém cuida de nós ou se preocupa melhor conosco tanto quanto nós mesmos. Por mais que se preveja segurança, nada sobrevive a uma fatalidade de tal porte.


    Lembro-me que numa das reportagens transmitidas pela TV uma jovem disse: “Meu pai sempre me dizia pra olhar nos lugares onde eu ia se tinha extintor, saídas de emergência, etc… Quando cheguei na Kiss vi que só tinha uma porta, então procurei ficar mais no fundo, perto dela, por isso não tive dificuldades para sair quando o fogo começou”. É isso! O pai, a mãe, o educador, o avó, o padrinho… pessoas que nos orientam neste sentido. Quando dizemos que uma das prioridades da Igreja é a juventude não quer dizer que sua prioridade seja cuidar dos jovens, mas sim “ajudar os jovens a cuidar de si mesmos”. A Campanha da Fraternidade desse ano quer ser um auxílio nessa conscientização. Os pais precisam ajudar seus filhos a cuidarem de si mesmos, orientando neste aspecto. Será que estamos fazendo isso? Será que vamos passar a ter estes cuidados a partir de agora? O resultado da tragédia de Santa Maria é irreversível. Mas ainda podemos olhar com esperança para o futuro que nos é proposto e fazer diferente a partir de então.


    Lembrei-me de meu pai que, com toda sua fé e simplicidade, diz assim numa ocasião como essa: “Se estivessem todos numa Igreja rezando isso não tinha acontecido”. E fiquei pensando comigo que a fatalidade mereceria outra reflexão acerca de nós mesmos? Quem pode garantir que não aconteceria se estivessem numa Igreja? Agora os bombeiros estão numa empreitada ferrenha para fiscalizar e fechar as casas noturnas impróprias para o uso. Mas e se isso tivesse acontecido numa Igreja? A essa altura as casas noturnas nem estariam sendo lembradas e nossas Igrejas é que estariam sendo todas fiscalizadas. Aliás, não é porque estamos rezando que estamos seguros. Na verdade, pode ser até o contrário. Estava refletindo sobre isso e cheguei à conclusão de que se os bombeiros fossem fiscalizar nossas Igrejas (Templos), quase nenhum deles permaneceria aberto. E aí temos que reconhecer que nossas Igrejas, na grande maioria das vezes, não oferece NENHUM tipo de segurança ao fieis que as frequentam: nenhum extintor de incêndio, nenhuma saída de emergência, nenhum sensor de fumaça (até mesmo porque se tivessem nem poderíamos mais usar o turíbulo), nenhuma placa de luminosidade indicando a saída, muitas vezes só uma porta no fundo, que é a mesma de entrada pra todo mundo. Às vezes construídas sem projeto adequado por quem é de direito, às vezes ainda em construção e em funcionamento, cheias de gambiarras de fios de eletricidade soltos pelas paredes afora.


    Pois é, queridos(as)! Talvez então tenhamos mesmo que começar por nós. Costumo brincar que se formos levar à risca os padrões de segurança para locais de grande frequência de pessoas (tiremos o foco de casas noturnas e consideremos todos os outros), nossas igrejas, na grande maioria, “não são lugares de se frequentar”. Claro que fatalidade é fatalidade e pode acontecer em qualquer lugar e tempo. De outra parte, se formos alimentar nossas neuras com todas essas coisas, nem saímos de mais de casa. Mas, também, se ficamos em casa, pode vir a enchente e nos invadir, ou o terremoto e jogar tudo por terra.

    De fato, estamos cercados de todos os lados, mas se soubermos prevenir nosso caminho e o caminho dos outros, poderemos evitar muitos males maiores. Já pensaram, por exemplo, nos shows pirotécnicos que são feitos por ocasião de nossas festas de padroeiros? Podem até ser bonitos, mas além de ser uma verdadeira queima de dinheiro, na grande maioria das vezes são realizados por pessoas sem a especialização ou autorização necessárias para tal manuseio. E não se busca especialização só “pra ficar mais baratinho, porque tem um paroquiano aqui que tem costume de fazer isso há muito tempo e faz ‘muito bem’”.   Há alguns anos (saiu em tudo que foi jornal), por ocasião do encerramento do Jubileu de São José Operário, em Barbacena, uma daquelas girândolas subiu e não estourou… desceu e estourou no meio de todo mundo. Conclusão? Anos e anos a Arquidiocese pagando indenização às vítimas. Hoje todas as programações impressas de festa de padroeiro, têm que trazer a seguinte nota: “Por determinação da Arquidiocese, a paróquia NÃO se responsabiliza por fogos de artifícios soltos durante as festividades”. Correto, por que assim, quem soltar os fogos é que assume a responsabilidade pelos mesmos.

    Só estou dizendo tudo isso porque agora no carnaval mais uma vez milhões de nossos jovens estão saindo para as ruas e, depois, também para as casas noturnas, no meio de fogos, de serpentinas metalizadas (apesar de terem sido proibidas mas ainda comercializadas) e de bebida alcoólica. Será que eles seriam capazes, sob efeito de álcool, de correr a tempo caso outra fatalidade acontecesse. Os blocos comportam mesmo a quantidade de pessoas que neles tem? Será que já nos esquecemos da tragédia de Santa Maria? Tomara que todos estejam tendo um bom carnaval e não se esqueçam de levar em conta o sinal de Santa Maria para fazermos de modo diferente a partir de então. Só depende de nós.


    Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes, porque a Palavra de Deus permanece em vós (1Jo 2,14c). Que a Palavra de Deus nos ilumine e a Campanha da Fraternidade deste ano ajude nossos jovens a construir um futuro melhor para suas vidas, pensando não só na curtição, mas também, e sobretudo, na prevenção, “em todo tempo e lugar”. Só assim estaremos prontos a, como Isaías, diante de Deus, oferecermo-nos também como servos disponíveis a continuar a construção do seu Reino. A Juventude é a grande esperança da Igreja. E tal esperança só se concretizará com base na disponibilidade de cada coração para o exercício da missão. Que possamos todos juntos, quando o Senhor nos perguntar: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Respondermos com firme e comprometida voz: “Eis-nos aqui. Envia-nos” (Is 6,8).
  • Papas que renunciaram

    Papa Bento XVI
    Papa Celestino V

    Entre os 263 papas da história da Igreja Católica, sucessão iniciada pelo Apóstolo Pedro e, atualmente, ocupada pelo alemão Bento XVI, apenas quatro renunciaram:

    Eis a lista:
    Ponciano, em 235 d.C.;
    Celestino V, em 1294 d.C.;
    Gregório XII, em 1415 d.C.;
    Bento XVI, em 2013 d.C.

    Papa Gregório XII
    Papa Ponciano
  • Papa Bento XVI renuncia dia 28/02/2013. Leia íntegra de seu discurso aos cardeais

    Papa Bento XVI

    O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013, que renunciará ao Ministério de São Pedro, ou seja, ao comando da Igreja Católica Apostólica Romana, no próximo dia 28 de fevereiro de 2013, às 20h, no horário de Roma, Itália.

    Leia a íntegra do discurso do Bispo de Roma:

    “Caros irmãos:

    Convoquei-os para este consitório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de qu esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar o barco de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.

    Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para que ajude os cardeiais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.


    Bento XVI.”

    Fonte: G1

  • Juventude e Fraternidade

    Aproveitando a deixa de que o tema da Campanha da Fraternidade de 2013, que começa nesta quarta-feira de Cinzas, é Juventude e Fraternidade. Vamos relembrar a Campanha da Fraternidade de 1992, também sobre jovens.

    Veja o vídeo e relembre ou conheça canções que marcaram época na caminhada da juventude organizada.

  • A imbecilização do Brasil


    Imbecilização coletiva

    * Mino Carta, editor-chefe da Revista CartaCapital, em 01/02/2013.


    Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Cláudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…


    Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.


    Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.


    E houve, decerto, algo pior, o esforço concentrado dos senhores da casa-grande no sentido de manter a maioria no limbo, caso não fosse possível segurá-la debaixo do tacão. Neste nosso limbo terrestre a ignorância é comum a todos, mas, obviamente, o poder pertence a poucos, certos de que lhes cabe por direito divino. Indispensável à tarefa, a contribuição do mais afiado instrumento à disposição, a mídia nativa. Não é que não tenha servido ao poder desde sempre. No entanto, nas últimas décadas cumpriu seu papel destrutivo com truculência nunca dantes navegada.


    Falemos, contudo, de amenidades do vídeo. De saída, para encaminhar a conversa. Falemos do Big Brother Brasil, das lutas do MMA e do UFC, dos programas de auditório, de toda uma produção destinada a educar o povo brasileiro, sem falar das telenovelas, de hábito empenhadas em mostrar uma sociedade inexistente, integrada por seres sem sombra. Deste ponto de vista, a Globo tem sido de uma eficácia insuperável.


    O espetáculo de vulgaridade e ignorância oferecido no vídeo não tem similares mundo afora, enquanto eu me colho a recordar os programas de rádio que ouvia, adolescente, graciosas, adoráveis peças de museu como a PRK30, ou anos verdolengos habitados pelos magistrais shows de Chico Anysio. Cito exemplos, mas há outros. Creio que a Globo ocupe a vanguarda desta operação de imbecilização coletiva, de espectro infindo, na sua capacidade de incluir a todos, do primeiro ao último andar da escada social.


    O trabalho da imprensa é mais sutil, pontiagudo como o buril do ourives. Visa à minoria, além dos donos do poder-real, que, além do mais, ditam o pensamento único, fixam-lhe os limites e determinam suas formas de expressão. O alvo é a chamada classe média alta, os aspirantes, a segunda turma da classe A, o creme que não chegou ao creme do creme. E classe B também. Leitores, em primeiro lugar, dos editoriais e colunas destacadas dos jornalões, e da Veja, a inefável semanal da Editora Abril. Alguns remediados entram na dança, precipitados na exibição, de verdade inadequada para eles.


    Aqui está a bucha do canhão midiático. Em geral, fiéis da casa-grande encarada como meta de chegada radiosa, mesmo quando ancorada, em termos paulistanos, às margens do Rio Pinheiros, o formidável esgoto ao ar livre. E, em geral, inabilitados ao exercício do espírito crítico. Quem ainda o pratica, passa de espanto a espanto, e o maior, se admissível a classificação, é que os próprios editorialistas, colunistas, articulistas etc. etc. acabem por acreditar nos enredos ficcionais tecidos por eles próprios, quando não nas mentiras assacadas com heroica impavidez.


    O deserto cultural em que vivemos tem largas e evidentes explicações, entre elas, a lassidão de quem teria condições de resistir. Agrada-me, de todo modo, o relativo otimismo de Alfredo Bosi, que enriquece esta edição. Mesmo em épocas medíocres pode medrar o gênio, diz ele, ainda que isto me lembre a Península Ibérica, terra de grandes personagens solitárias em lugar de escolas do saber. Um músico e poeta italiano do século passado, Fabrizio de André, cantou: “Nada nasce dos diamantes, do estrume nascem as flores”. E do deserto?
  • Vaticano digitaliza e disponibiliza biblioteca na web

    Primeiros 265 documentos on-line foram digitalizados com tecnologia da NASA
    Sergio Mora, via Zenit.


    Códigos, manuscritos e cartas, até agora acessíveis somente aos peritos creditados junto à Biblioteca Apostólica do Vaticano, poderão ser consultados por quem desejar, de qualquer parte do mundo, com um clique.

    Os primeiros 256 documentos do imenso tesouro da “biblioteca dos papas” já estão on-line. Para vê-los, basta inscrever-se no site da Biblioteca Apostólica.

    A Bibliotheca Apostolica Vaticana, como é chamada em latim, é considerada desde a fundação como a “biblioteca do papa”, já que pertence a ele diretamente. É uma das mais antigas do mundo e guarda uma fabulosa coleção de textos históricos.

    O projeto da digitalização dos documentos é ambicioso. De acordo com o prefeito da Biblioteca do Vaticano, dom Cesare Pasini, em entrevista à agência de notícias Ansa, todos os livros conservados na biblioteca, cerca de 80 mil, deverão ser disponibilizados na internet.

    Pasini destacou ainda, em entrevista à Radio Vaticano, que a filosofia da Biblioteca Apostólica Vaticana, desde o início, foi tornar os bens da humanidade acessíveis a todos os interessados em usá-los, conhecê-los e estudá-los. O mesmo espírito de serviço determinou a digitalização dos documentos que agora está em andamento.

    Entre os documentos históricos, há partituras musicais, textos cuneiformes e manuscritos gregos e judaicos. Os textos incluem obras de Homero, Platão, Sófocles, Hipócrates, manuscritos judeus dentre os mais antigos preservados até hoje e alguns dos primeiros livros italianos impressos durante o Renascimento, de acordo com informações da agência EFE. Entre as joias está o Codex Vaticanus, um dos mais antigos manuscritos da bíblia grega de que se tem notícia.

    O projeto digital começou em 2011 e utiliza a tecnologia da NASA denominada Fits (Sistema de Transporte Flexível de Imagens, na sigla em inglês), criada no começo da corrida espacial para conservar as imagens das suas missões.

    O papa Nicolau V fundou a biblioteca em 1448, reunindo cerca de 350 códices gregos, latinos e hebraicos, herdados de seus antecessores. Entre eles, havia diversos manuscritos da biblioteca imperial de Constantinopla. A oficialização da fundação aconteceu com a bula Ad decorem militantis Ecclesiae (15 de junho de 1475), do papa Sisto IV, que definiu um orçamento específico para a biblioteca e nomeou como bibliotecário Bartolomeu Platina, responsável pelo primeiro catálogo das obras ali guardadas, elaborado em 1481.

    A biblioteca possuía então mais de 3.500 manuscritos, o que já fazia dela, com grande diferença, a maior do mundo ocidental. Em 1587, Sisto V contratou o arquiteto Domenico Fontana para construir um novo edifício para a biblioteca, situado no interior do Vaticano. O edifício é usado até hoje.

    Os estudiosos dividem a história da biblioteca em cinco etapas:

    Pré-lateranense: os inícios da biblioteca, correspondentes à primeira etapa da história da Igreja, antes de ser instalada no Palácio de Latrão. Muito poucos livros fazem parte dessa etapa.

    Lateranense: livros e manuscritos passam a ser guardados no Palácio de Latrão. Esta etapa vai até o final do século XIII, durante o papado de Bonifácio VIII.

    Avignon: neste período, crescem notavelmente as coleções de livros e arquivos dos papas que residiram em Avignon, entre a morte de Bonifácio VIII e o ano de 1370, quando a sede papal retorna a Roma.

    Pré-Vaticana: de 1370 a 1447, a biblioteca fica dispersa, com parte das obras em Roma, Avignon e outros lugares.

    Vaticana: é a etapa atual, iniciada em 1448, quando a biblioteca é transferida para o Vaticano.

  • Santa Maria: "Navegar é preciso…"

    Leonardo Boff

    Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

    Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

    Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

    O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

    Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrentá-las e ser mais forte que elas.

    O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

    Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

    Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

    Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las. Alegram-se por estarem em casa, no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

    (Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

    Fonte: Recolhido na rede social Facebook em 30/01/2013.
  • Audiência sobre mineração em Grão Mogol – parte 1

    Participei, na noite de 22 de janeiro de 2013, da Audiência Pública sobre o licenciamento do Projeto Vale do Rio Pardo da SAM (Sul Americana de Metais S/A), promovida no Ginásio Poliesportivo da bela cidade de Grão Mogol/MG pelo IBAMA.
    População quer ferrovia ao invés de mineroduto
    O Projeto Vale do Rio Pardo é aquele que prevê a construção de um mineroduto partindo do município de Grão Mogol, na região do Vale das Cancelas, atravessando todo o Alto Rio Pardo, inclusive “dividindo” o município de Taiobeiras ao meio, chegando à Bahia e despejando o minério em navios no Porto Sul (município de Ilhéus/BA).
    Em vermelho, a linha do mineroduto, conforme projeto da SAM
    Estou escrevendo e, logo, publicarei aqui no Blog as impressões que tive da audiência. Tentarei sintetizar os argumentos da empresa em favor do projeto (mineroduto) e, também, os argumentos das organizações sociais e populações atingidas que criticam a proposta da forma como ela está colocada. Mas, adianto, é preciso que a sociedade norte-mineira (inclusive nós taiobeirenses) se organize urgentemente. Ao que tudo indica, o MINERODUTO vai mesmo ser construído. Vamos participar do debate. O QUE VOCÊ ACHA?
  • Dilma baixa tarifa e energia elétrica fica 18% mais barata


    A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em pronunciamento, que, a partir desta quinta-feira (24), passará a vigorar a redução de 18% na tarifa de energia para os consumidores residenciais. Para o comércio e a indústria, a diminuição será de até 32%. O corte é ainda maior do que o anunciado pela presidenta em setembro de 2012: 16,2% para residências e até 28% para a indústria. Dilma também disse que o Brasil é um dos poucos países que ao mesmo tempo reduz a tarifa de luz e aumenta a produção de energia.

    “Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo”, afirmou Dilma.

    Dilma ressaltou que os investimentos permitirão dobrar, em 15 anos, a capacidade instalada de energia elétrica. A presidenta disse ainda que a redução vai permitir a ampliação do investimento, aumentando o emprego e garantindo mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros.

    “Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil”.

    A presidenta esclareceu que todos os brasileiros serão beneficiados pela medida, mesmo os atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao esforço feito pelo governo federal para a redução da tarifa.

    “Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. (…) Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais”, finalizou.

    Fonte: Blog do Planalto.